domingo, 30 de outubro de 2011

Mais testosterona, mais simpatia.



Cientistas acreditavam que o hormônio estimulava agressividade, mas estudos recentes indicam o contrário: substância aumenta a predisposição ao trabalho em equipe e cooperação.
Durante anos, cientistas acreditaram que o excesso de testosterona alterava o comportamento dos homens, deflagrando, em certos casos, atitudes agressivas e descontroladas. Para entender melhor o assunto, o neurocientista suíço Christoph Eisenegger, da Universidade de Zurique, na Suíça, e sua equipe realizaram um experimento apenas com mulheres. Os resultados mostraram o contrário do que se supunha: quanto mais elevados os níveis de testosterona, maior a predisposição ao trabalho em grupo e à cooperação. Curiosamente, nas voluntárias, em nenhum caso a alteração hormonal estimulou a agressividade.

O estudo consistiu em um jogo simples, frequentemente analisado em pesquisas desse tipo: duas pessoas e uma pilha de dinheiro. Um jogador oferece ao outro uma oportunidade única de compartilhar o montante; se o segundo aceitar a divisão, cada um recebe a sua parte – se rejeitar, ninguém ganha.

As voluntárias que deviam oferecer o negócio receberam doses de testosterona ou de placebo. Para terem certeza de que a substância teria influência na decisão, os pesquisadores ofereceram às mulheres quantidade suficiente para incrementar seus níveis básicos até 400%. Após administrar o hormônio ou o placebo, os pesquisadores pediram às mulheres que tentassem adivinhar qual das duas substâncias haviam recebido. As participantes que receberam placebo mas acreditavam que se tratava de testosterona ofereceram divisões justas de dinheiro apenas por 10% do tempo, provavelmente por imaginar que a substância teria um efeito negativo. Já as que participantes que tomaram hormônio mas pensaram ser placebo propuseram a divisão justa em 60% do tempo. Apenas 30% delas adivinharam ter recebido testosterona, e 50% acertaram que era placebo.

Com esses resultados Eisenegger avalia que os efeitos do hormônio podem variar de acordo com cada cenário. Aparentemente a testosterona aumenta o entusiasmo das pessoas pelo sucesso, sem que elas se preocupem com o que terão de fazer para alcançá-lo. Se o objetivo é ganhar a qualquer custo, os altos níveis da substância levam à agressão verbal e física; porém, em situações em que o benefício é mútuo, a testosterona pode estimular a cooperação.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/mais_testosterona_mais_simpatia.html

Jogador de futebol americano tem mais risco de Alzheimer .



Os jogadores aposentados da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL) têm maior risco de desenvolver problemas cognitivos leves (MCI, em inglês) que podem ser um precedente da doença de Alzheimer, segundo estudo publicado pela Universidade Loyola de Chicago. "Parece haver uma alta taxa de problemas cognitivos nestes jogadores de futebol americano, comparados com a população geral dessa idade", disse o neurofisiologista Christopher Randolph, diretor da pesquisa. O estudo reaviva a polêmica nos Estados Unidos da periculosidade e possíveis consequências dos contínuos golpes aos quais estão submetidos os jogadores de futebol americano, especialmente na cabeça. Durante a pesquisa foram examinados 513 ex-jogadores, com média de idade de 61 anos, dos quais 35% apresentaram resultados que sugeriam possíveis problemas cognitivos de caráter leve. Entre os problemas detectados estão dificuldades com a memória e a linguagem que não interferem na vida cotidiana, mas o estudo comprovou que estes sintomas da MCI são precursores da aparição de Alzheimer em curto prazo. Segundo as últimas pesquisas, realizadas com jogadores que levavam acelerômetros acoplados em seus capacetes, os jogadores recebem uma média de mil golpes na cabeça por temporada. As descobertas de Randolph e sua equipe parecem sugerir que repetitivos traumas na cabeça após anos de prática do esporte podem causar uma adiantada aparição de doenças degenerativas, como os MCI e o Alzheimer. No entanto, o cientista se mostrou cauteloso e destacou que estes "estudos devem ser considerados como preliminares". A pesquisa foi apresentada na Conferência Internacional da Associação do Alzheimer, em Paris.

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1260-jogador-de-futebol-americano-tem-mais-risco-de-alzheimer.html

Com quanta tristeza se faz uma depressão?




A tristeza perdida, livro dos psiquiatras Allan Horwitz e Jerome Wakefield, critica diagnósticos que ignoram a relação entre os sintomas e o contexto do paciente.
Há 2.500 anos o ser humano se preocupa em distinguir a tristeza normal da melancolia, nome antigo para o que hoje denominamos “transtorno depressivo”. Desde Hipócrates (460-377 a.C.), na antiga Grécia, observa-se que as reações que temos a perdas de entes queridos, amores e outras tantas coisas importantes podem gerar profundo pesar. No entanto, é possível detectar que, para alguns, a tristeza se prolonga demasiadamente, e sua causa não é identificada pelo próprio sofredor. Ausência de motivo para sofrer: este foi um importante critério diagnóstico para a melancolia em diferentes períodos da história da medicina.

De modo geral, para qualificar a tristeza ou a depressão utilizamos a observação de alguns fenômenos: desânimo, mágoa, abatimento, sensação de vazio, desespero, desesperança, aversão a comida, irritabilidade, inquietude, sentimento de inutilidade, ideação suicida, tentativa de suicídio, medo da morte, negativismo, falta de prazer ou de interesse nas atividades cotidianas, reclusão social, fadiga ou perda de energia, agitação ou retardamento (desaceleração) psicomotor.



O fato de a tristeza ser profunda e intensa, reunindo várias dessas manifestações por um tempo um pouco maior do que o esperado, em geral, proporcionou à psiquiatria contemporânea uma confusão entre tristeza “natural” e transtorno mental depressivo. Os autores de A tristeza perdida, Allan Horwitz e Jerome Wakefield, ambos psiquiatras, criticam o momento atual dessa especialidade médica por se apoiar em diagnósticos que ignoram a relação entre sintomas e o contexto do paciente. Como resultado, com exceção do luto, qualquer reação a uma grande perda tem altíssima chance de ser diagnosticada como depressão, pois o critério se baseia no sintoma e não na causa do sofrimento.
O livro tem o mérito de questionar a classificação atual do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM IV) para transtornos depressivos no momento em que ocorrem as discussões preparatórias para a elaboração do DSM V, previsto para 2013. Trata-se de uma revisão do conceito de depressão no interior da própria psiquiatria. “Uma crítica vinda de quem leva a sério o DSM e por isso é útil e bem recebida”, diz Robert Spitzer, psiquiatra que escreveu o prefácio do livro. Esse comentário é importante, pois uma das poucas críticas que se pode fazer ao livro é quanto ao embate que os autores travam com as ciências sociais, culpando-as por não encontrar mecanismos emocionais universais inerentes à natureza humana e não demonstrar quais circunstâncias estressantes provocam tristeza normal. Criticam a teoria relativista da antropologia que afirma não haver definições possíveis para tristeza e transtorno fora do valor específico de cada cultura. A rigidez dos autores é curiosa, por exigir das ciências sociais que tomem como ponto de partida o mesmo objeto, ou seja, o DSM IV. Essa atitude é de lamentar, pois impede a consideração de outras fontes como, por exemplo, estudos psicanalíticos que igualmente buscaram recuperar a tristeza para o cenário da condição humana, além de questionar a banalização da depressão sem se ater ao DSM IV. É o caso de Elisabeth Roudinesco (Por que psicanálise?, 2000) e Maria Rita Kehl (O tempo e o cão, 2009).



O livro cumpre bem seu objetivo: proporcionar uma perspectiva crítica sobre a conceituação da experiência da depressão, como ela foi explorada por variados grupos e como sua classificação mudou, de forma questionável, com o passar do tempo. Os autores querem demonstrar que a tristeza intensa é uma capacidade natural humana e não uma fraqueza de caráter e que a tristeza é produto de processos mentais relevantes funcionando conforme foram biologicamente projetados para reagir à perda. São problematizadas as vantagens e desvantagens de haver definições demasiado amplas de transtorno depressivo, bem como tratamentos injustificados, medicalização desnecessária e estigmatização.
Horwitz e Wakefield contam como no século XX os sintomas ocuparam a cena na elaboração de métodos estatísticos para fazer diagnósticos. Vários fatores colaboraram para a instalação dessa forma de avaliar a depressão. Por exemplo, razões epidemiológicas: a necessidade de revelar na comunidade os mesmos transtornos mentais que supostamente afetavam os pacientes tratados. Afinal, havia aqueles que não buscavam ajuda médica e só poderiam ser diagnosticados por questionários que chegassem até eles. Isso contribuiu para o surgimento de muitos casos falsos-positivos, já que os questionários eram aplicados por leigos. Outro fator foi o alto índice de suicídio entre jovens americanos. Em 2003, foi constatado que 4 mil crianças e adolescentes se suicidaram, de um total de meio milhão que tentou. Era urgente detectar transtornos depressivos e tratá-los. Mas os autores criticam esse procedimento: haveria que verificar o contexto em que se dá a tentativa de tirar a própria vida afinal, trata-se de uma idade de muitas transformações. A patologização do sofrimento do adolescente lembra a patologização da masturbação infantil na era vitoriana, dizem os autores. Isso nos remete ao filósofo francês Michel Foucault, quando aborda o controle da vida pelo Estado. E ele certamente não levava a sério o DSM IV.

Por fim, os autores são realistas o suficiente para saber que não se mudam critérios diagnósticos com tanta facilidade nos dias de hoje. Há grandes grupos e interesses privados que estão se dando bem com a atual definição de transtorno depressivo. Esse me parece ser mais um motivo para unir esforços entre as várias disciplinas.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/com_quanta_tristeza_se_faz_uma_depressao_.html

sábado, 29 de outubro de 2011

Estudo afirma que estar no topo da sociedade eleva estresse .



Estar no topo da sociedade aumenta o estresse hormonal e acarreta um custo psicológico maior do que se pensava até agora, segundo estudo realizado em um grupo de babuínos selvagens pela Universidade de Princeton publicado na revista Science. Trabalhos anteriores afirmaram que as vantagens de estar no alto da hierarquia social, como maior acesso a alimentos e relações amorosas, superavam os inconvenientes, por isso consideravam que os chamados "machos alfa" sofriam menos estresse que outras pessoas e animais. No entanto, um ecologista de Princeton e sua equipe rebateram esta teoria através do estudo de 125 babuínos selvagens, animais geneticamente próximos ao homem que também vivem em sociedades complexas. Segundo a pesquisa, o estresse sofrido pelos primatas de maior categoria acontece devido à energia utilizada para manter sua posição. "Uma conclusão importante de nosso estudo é que para alguns animais, e possivelmente também para os humanos, ocupar a posição mais alta em uma sociedade implica custos e benefícios únicos, que podem persistir tanto quando a ordem social se mantém estável como quando experimenta mudanças", explicou o diretor da pesquisa, Laurence Gesquiere. Por isso, os resultados do estudo poderiam ter implicações na análise das hierarquias sociais e do impacto da posição social na saúde e no bem-estar, tanto em animais como em humanos. A pesquisa foi baseada em uma amostra de 125 machos adultos de cinco grupos sociais diferentes de uma comunidade de babuínos do Quênia. Durante nove anos, os pesquisadores mediram os níveis de testosterona e glucocorticoide nas fezes dos macacos. Os dados coletados são até 10 vezes mais completos que os disponíveis anteriormente para primatas não humanos, o que, segundo os especialista, permitiu controlar importantes variáveis que poderiam afetar os resultados. "O tamanho da amostra e o período estudado permitem que os resultados não dependam das características de cada indivíduo particular, e reflitam os efeitos em longo prazo de ocupar uma posição alta na sociedade", declarou a pesquisadora Susan Alberts.

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1259-estudo-afirma-que-estar-no-topo-da-sociedade-eleva-estresse.html

Amor obsessivo.



Os stalkers vigiam os passos de suas vítimas e transformam a vida da pessoa pela qual têm fixação em um verdadeiro inferno.
Imagine que você não consiga pensar em nada que não tenha relação com determinada pessoa. Seu desejo e desespero são tão intensos que se aproximam da dor física. A ausência do ser amado o impele a escrever páginas e páginas de cartas e a discar seu número de telefone várias vezes ao dia. Por vezes, sentindo que está abandonado ou que ninguém dá atenção à sua dor, é compreensível que surjam ódio e planos de vingança. Em princípio, isso pode parecer apenas sinal de um comportamento irracional demonstrado por uma pessoa apaixonada que não é correspondida. Algo que, de acordo com senso comum, vai passar com o tempo. Mas e se esses sentimentos e comportamento persistirem? E se as tentativas de participar da vida do ser amado se tornarem cada vez mais exageradas e agressivas?

Esse foi o caso de Helene K. , uma fisioterapeuta de 40 anos. Em um fim de semana ela recebeu em casa o telefonema de um ex-paciente. Somente depois de pensar muito, se lembrou de que havia um ano o homem recebera alta da clínica onde ela trabalhava. O rapaz explicou que gostaria de revê-la, mas Helene, delicadamente, deixou claro que não tinha intenção de manter contato com ele. Seguiram-se então cartas com juras de amor e outros telefonemas. Até que um dia o antigo paciente apareceu com as malas feitas diante da porta da casa de Helene dizendo que estava fazendo alterações em sua vida – ele pedira demissão de seu trabalho para passar o maior tempo possível “cuidando dela” e pretendia mudar-se para a casa da terapeuta. Mesmo quando Helene o mandou embora rudemente ele não desistiu: pelo contrário, intensificou a perseguição, passando a vigiar todos os seus passos. A fisioterapeuta, por fim, mudou os números de telefone e obteve uma ordem de restrição do direito civil para garantir que ele fosse preso, caso se aproximasse dela. O admirador reagiu enviando cartas ameaçadoras – e continuou nos calcanhares de Helene, passando a aterrorizar até mesmo seus vizinhos.

CAÇADOR À ESPREITA



O fenômeno da perseguição excessiva ganhou atenção da mídia apenas há aproximadamente 20 anos, devido a alguns casos de assédio a famosos, como o da tenista Steffi Graf (ver quadro). Psicólogos e psiquiatras, porém, conhecem essa ameaça há mais tempo: no século XIX, um dos pais da psiquiatria forense, Richard von Krafft-Ebing, já escrevera sobre mulheres com fixação obsessiva que viajavam atrás de atores que idolatravam. Nos anos 80, a erotomania – também chamada síndrome de Clérambault – foi classificada como distúrbio psíquico. Quem sofre dessa patologia parte do princípio irremovível de que é amado pela outra pessoa – mesmo que não haja nenhum motivo para que chegue a essa conclusão. O esforço incessante de entrar em contato com alguém é considerado uma das principais características da erotomania. Para abordar esse comportamento costuma-se usar a expressão em inglês stalking, um termo relacionado à caça, que indica uma forma sorrateira de se aproximar da presa.

Da mesma forma, um stalker cerca sua vítima e procura não perdê-la de vista. Mesmo diante da rejeição explícita, ele insiste na aproximação – seja por telefone, carta, e-mail ou diretamente. Alguns enviam presentes ou objetos bizarros, às vezes assustadores, como colagens de fotos com caveiras no lugar dos rostos. Por vezes, fazem encomendas em nome da pessoa que perseguem, simplesmente com a intenção de difamá-la. Um em cada cinco stalkers se torna agressivo em algum momento, podendo voltar-se violentamente contra a vítima, seus parentes próximos ou conhecidos ou mesmo seu animal de estimação.

Embora as motivações amorosas dos stalkers sejam as mais frequentes, os perseguidores não se restringem a elas. Podem ser movidos, por exemplo, pelo desejo de vingança. Ex-parceiros íntimos, em geral, representam o maior e mais perigoso grupo de stalkers. Alguns deles têm autoestima instável, mostram indícios de distúrbios
de personalidade narcisista ou borderline, mesmo que não tenham recebido esses diagnósticos. A maioria dos ex-parceiros perseguidores sabe que é malvista pelos seus atos. No entanto, para eles isso ainda é melhor do que serem ignorados.
O ex-namorado de Bettina M., por exemplo, começou a controlar a secretária de 28 anos mesmo antes de terminarem o relacionamento. Ambos trabalhavam no mesmo local; ele, muito ciumento, não queria que ela falasse com colegas. Por fim, a moça se separou depois de três meses – mas continuou encontrando o rapaz na empresa. Ele descobriu a senha do e-mail da ex-parceira e passou a acompanhar sua correspondência. Ele também entrou em um dos fóruns online de que a secretária participava e anunciou o suicídio de Bettina. E passou a bombardeá-la com mensagens SMS – o tom era ora suplicante, ora ameaçador e, por vezes, simpático. Após seis meses, ela arrumou um novo namorado, mas seu perseguidor se manteve espionando o casal e enviando mensagens regularmente.

O que leva uma pessoa a ter esse comportamento? Entre 2002 e 2005, nosso grupo de trabalho, coordenado por Hans-Georg Vo, na Universidade Técnica de Darmstadt, na Alemanha, realizou o primeiro estudo sobre essa questão. Entrevistamos 100 stalkers que nos contataram anonimamente pela internet. Revelou-se uma percepção bastante distorcida: apesar de suas tentativas de aproximação não terem sucesso, quatro em cada cinco perseguidores declararam que queriam continuar no encalço. O motivo mais alegado por eles foi o fato de estarem ligados ao outro “pelo destino”. Um terço dos entrevistados estava convencido, de forma onipotente, de que devia superar a resistência de sua vítima, pois ela própria, no fundo, queria isso. Outro terço sentia-se obrigado a cuidar da pessoa amada. Essas declarações trazem uma evidência: quem entra na mira de um stalker pode rejeitar as tentativas de contato seja o quanto for – o ofensor não aceitará as recusas.

EXCESO DE DOPAMINA



Nossas entrevistas mostraram que o próprio stalker em geral se sente profundamente infeliz. Mais de 60% deles se sentiam deprimidos. Um em cada três sofria de estados de
ansiedade e eram acompanhados por médico ou psicólogo. Quase 40% declararam ser reincidentes. O psicólogo Reid Meloy, da Universidade da Califórnia em San Diego, e a antropóloga Helen Fischer, da Universidade Rutgers em New Jersey, descobriram em 2005 alterações relevantes na química cerebral dos stalkers. Eles perceberam que, após uma rejeição, os afetados permaneciam confinados em uma espécie de círculo vicioso. Motivo possível: excesso constante de dopamina, substância mensageira da motivação – o que, segundo Fisher, não é raro em pessoas que estão sofrendo por amor. “Claro que há questões psíquicas envolvidas, mas do ponto de vista orgânico, mal o objeto do desejo desaparece, é reforçada a atividade nesses circuitos cerebrais que geram a sensação de admiração intensa”, diz a pesquisadora. A dopamina é o combustível principal para a motivação e representa o sentimento de desejo no cérebro. Ao mesmo tempo, o nível de serotonina em stalkers é muitas vezes baixo, o que estimula estados
de depressão e ansiedade.

Enquanto as pesquisas relacionadas aos motivos que impulsionam os ofensores já estão sendo desenvolvidas há algum tempo, estudos a respeito dos efeitos do stalking sobre as vítimas são relativamente novos. Em 1998, Patricia Tjaden e Nancy Thoenness, do Center for Policy Research, em Denver, desenvolveram o estudo mais representativo até o momento sobre essa questão: 8% das mulheres e 2% dos homens nos Estados Unidos já foram, pelo menos uma vez, assediados de forma intensa, a ponto de temer pela própria segurança ou pelo bem-estar de pessoas próximas. O pesquisador Harald Dressing, da Universidade de Mannheim, realizou em 2004 um estudo na Alemanha, considerando também casos mais leves, e concluiu que um em cada oito alemães já foi “perseguido” alguma vez.

Diferentemente de pessoas que sofrem por eventos pontuais, as vítimas de stalking se confrontam de forma constante com o objeto de seu medo. Às vezes, são obrigadas a lidar com seus torturadores no dia a dia. Se o telefone toca, pensam automaticamente que pode ser o perseguidor. Nessa atmosfera de medo e perplexidade, esquecem o que é ter uma vida “normal”.
Entre 2002 e 2004, nosso grupo entrevistou um total de 550 vítimas de stalking. Entre os voluntários, 85% eram mulheres, e a maioria revelou um histórico de muito sofrimento: em média, no momento da entrevista, a perseguição já durava 28 meses. Em
um caso extremo, se prolongava por 30 anos. O estudo mostrou que as vítimas eram importunadas ou ameaçadas, em média, em três a quatro locais de sua vida rotineira. Por exemplo, no bar ou restaurante que costumavam frequentar, no supermercado perto de casa, na academia de ginástica ou no trabalho. Porém, o local mais comum era em casa – o que parecia ainda mais perturbador. Várias vítimas reagiam se isolando do mundo externo – viviam, por exemplo, com as janelas fechadas a maior parte do tempo. Muitas mandaram instalar fechaduras mais seguras, adquiriram números de telefone que compartilhavam apenas com poucas pessoas e passaram a evitar sair de casa. Isso teve um efeito dramático sobre sua vida social: as vítimas se afastaram visivelmente da família e de amigos, e muitas enfrentaram dificuldades com o parceiro. Uma em cada cinco vítimas acabou mudando de casa, e um em cada dez entrevistados pediu demissão do emprego.

Foi o que aconteceu com Bettina M. Ela não suportava mais encontrar o seu importunador todos os dias, vivia tensa e chegou a ser suspensa por causa de suas queixas constantes. Como se não bastasse, o chefe mostrou-se compreensivo com a decepção amorosa do perseguidor e censurou Bettina por sua “incompreensão”. Em seguida, ela obteve uma medida cautelar contra o stalker e iniciou um tratamento psicológico. Por enquanto, ele ainda mantém a “distância segura” determinada judicialmente. Mesmo assim, a moça vive com o medo constante de que ele apareça de repente ou a ameace. No momento, ela está fazendo psicoterapia e espera encontrar um
novo emprego.

VERGONHA E CULPA

A maioria dos entrevistados por nós também desenvolveu, com o tempo, sintomas físicos e psíquicos. Vários se envergonhavam do ocorrido ou até mesmo se culpavam. Dois terços dos entrevistados sofriam de ataques de pânico, dificuldades de concentração, depressão ou distúrbios alimentares ou de sono. O estresse constante, além disso, era a causa de irritação, acessos de raiva e agressividade. Mesmo nos casos em que a situação de stalking havia chegado ao fim, os estados de ansiedade quase sempre se mantinham. Um em cada quatro entrevistados declarou já ter pensado em se matar ou mesmo já ter realizado uma tentativa concreta de suicídio.

Esses exemplos mostram que os perseguidores adquirem um poder fatal sobre a vida de suas vítimas, apesar de poucas vezes chegarem a agressões físicas. No entanto, em um de cada cinco casos, o ofensor utiliza violência física, não recuando diante de surras, ataques com armas ou mesmo tentativas de assassinato. Segundo uma análise do psicólogo Reid Meloy, para vítimas de stalking o risco de ser assassinadas é 50 vezes mais alto do que para a média da população. Nesse caso, ex-parceiros são os mais vulneráveis: e quanto mais intenso foi o relacionamento entre vítima e stalker, maior é o risco.

Em geral, porém, a situação não se agrava sem aviso prévio. Em todos os casos, o aconselhável é não lidar com o problema sozinho, mas buscar apoio psicológico e registrar um boletim de ocorrência. Tribunais de direito civil podem emitir uma proibição de aproximação e contato, mas, em geral um em cada cinco casos, isso desencadeia um perigoso agravamento, pois a vítima insulta o stalker, de certa forma, publicamente. Para alguns, a violência torna-se então a única possibilidade de compensar o orgulho ferido ou o desespero. De qualquer forma, vale lembrar que, apesar do risco, denúncias podem interromper a ação de ofensores, e terapias que tornem a vítima mais apta a se proteger, inclusive psiquicamente, oferecem suporte durante a situação de sofrimento, ajudando a pessoa a compreender as próprias questões, em geral antigas, que de alguma forma podem ter contribuído para essa situação.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/amor_obsessivo.html

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Onde você quer estar daqui a 30 anos?

Pessoas que conseguem se imaginar no futuro tomam decisões financeiras com maior cautela e economizam mais.



Quanto dinheiro você guarda todo mês para quando se aposentar? Talvez tudo o que pode, já sonhando com uma casa na praia ou no interior. Ou, quem sabe, nem sequer consiga imaginar onde estará, como será sua vida ou o que fará com o dinheiro. Essa dificuldade tem razão de ser: pensar em si mesmo em um futuro muito distante é quase como imaginar outra pessoa. Pesquisas sugerem que quanto mais uma pessoa sente que seu “futuro eu” se parece consigo mesmo, mais se preocupa em poupar dinheiro.Um estudo recente realizado pela psicóloga Emily Pronin, pesquisadora da Universidade de Princeton, mostrou que ao tomarmos decisões geralmente tratamos
o futuro eu da mesma forma que o faríamos com outra pessoa. Por exemplo: os voluntários costumavam se esquivar do cumprimento de tarefas desagradáveis, apesar de necessárias, quando tinham de fazê-las exatamente naquele momento. Mas se eram requisitados para cumprir exatamente a mesma tarefa desde que precisassem fazê-lo alguns meses ou até um ano depois, se mostravam mais dispostos a colaborar – curiosamente, como se imaginassem que outra pessoa estaria em seu lugar.

Um experimento realizado pelos psicólogos Hal Ersner- Hershfield e Brian Knutson, da Universidade Stanford, revela que a “distância” a que acreditamos estar de nosso futuro eu varia de um indivíduo para outro. Para chegar a essa conclusão os cientistas pediram aos voluntários que pensassem em si mesmos no presente e após alguns anos, enquanto eram submetidos a um exame de ressonância magnética funcional. Estudos anteriores haviam mostrado que uma área específica do cérebro, o córtex cingulado anterior, é ativada quando pensamos em nós mesmos. O estudo mostrou que essa região entra em maior atividade quando pensamos em nós mesmos no agora, em comparação ao que ocorre quando nos imaginamos daqui a dez anos à frente, por exemplo. Os pesquisadores observaram alterações no padrão de atividade cerebral de alguns dos participantes, sugerindo que se viam, no futuro, mais como “seu próprio eu” que como “outra pessoa”.

Em seguida, foi pedido a cada voluntário que escolhesse entre receber determinada quantia de dinheiro para levar imediatamente ou um valor maior que seria entregue depois de um tempo. Os questionamentos mais frequentes levavam em conta se compensaria esperar para receber um montante maior. Pessoas que ao pensar no seu self no presente e no futuro apresentavam menor variação da atividade cerebral respondiam que precisavam de menos dinheiro imediatamente e acreditavam que a espera valia a pena.

As diferenças individuais também parecem afetar decisões financeiras na vida real. Em outro estudo recente, Ersner-Hershfield e Knutson descobriram que, independentemente de fatores como idade e escolaridade dos participantes, aqueles que imaginavam a si mesmos atualmente e daqui a alguns anos de forma mais parecida lidavam melhor com as finanças e se mostravam propensos a postergar alguns gastos para realizar planos mais vantajosos a médio prazo. Ou seja: se nos identificamos com o futuro self, mais estamos dispostos a poupar porque sabemos que o que decidirmos hoje fará diferença dentro de algum tempo. Essa identificação com o futuro pode nos tornar mais cuidadosos conosco. O mesmo pode valer quando se trata de investir em hábitos saudáveis que possivelmente proporcionarão melhor qualidade de vida e saúde no futuro. Por isso, imaginar como e onde estaremos em alguns anos costuma ser bastante útil.

A idade, porém, não é o único aspecto que influi em nossas complexas relações com o vil metal. Algumas pessoas, por exemplo, parecem ter características de personalidade que as compelem a acumulá-lo enquanto outras não conseguem deixar de estourar seus cartões de crédito e acreditam ser impossível economizar para dias difíceis. Já há algum tempo psicólogos acreditam que o dinheiro tem grande poder simbólico e funciona não só como uma ferramenta que facilita trocas, mas é um recurso de interação cultural, que habilita as pessoas a manipular o meio para obter o que desejam. Nesse sentido, assume o papel de substituto do afeto. Pesquisas mostram, por exemplo, que para algumas pessoas o ato de tocar em notas de dinheiro pode reduzir momentaneamente desconfortos físicos. Faz sentido, portanto, que, ao envelhecer e perder os benefícios da juventude, acumular recursos financeiros possa funcionar como uma espécie de compensação.
Os psicólogos Stephen Lea, da Universidade de Exeter, e Paul Webley, da Universidade de Londres, ambas no Reino Unido, acreditam que o dinheiro age em nossa mente como uma espécie de droga de abuso, fazendo com que alguns joguem compulsivamente e outros trabalhem ou gastem em excesso. Eles propuseram que, como a nicotina e a cocaína, o dinheiro pode ativar centros de prazer no cérebro, criando sensação de recompensa semelhante à de quando fazemos algo benéfico para a espécie, como sexo. Segundo eles, os efeitos cerebrais podem desencadear processos bioquímicos que agem sobre nossas percepções e emoções, estimulando circuitos vinculados a sistemas de recompensa neurais.

Numa tentativa de fornecer uma explicação evolucionária para a motivação na busca por ele nas sociedades atuais, a pesquisadora Barbara Briers, da Escola de Negócios HEC, em Paris, decidiu testar se o interesse humano por dinheiro estava diretamente relacionado ao apetite por comida. Ela e sua equipe fizeram descobertas, publicadas no volume 17 da Psychological Science. Curiosamente, voluntários famintos estavam menos propensos a fazer doações para caridade do que os que estavam satisfeitos. Aqueles que foram preparados para ter grande desejo por dinheiro, imaginando que tivessem ganho na loteria, comeram quase todo o doce do teste; já pessoas com o apetite estimulado por ficar esperando sentadas em uma sala com um cheiro maravilhoso estavam menos inclinadas a dar dinheiro do que aquelas que aguardavam em salas com odor normal. Para Briers, isso indica que nosso cérebro processa ideias sobre dinheiro e comida pelo
mesmo sistema, o que significa que, para a mente, os dois têm capacidade similar de nos satisfazer – ou frustrar.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/onde_voce_quer_estar_daqui_a_30_anos_.html

Brain tutor 3D.



Para quem gosta de neurologia, neurocirurgia, neuroanatomia, neurofisiologia, neurorradiologia e áreas afins da neurociência, dou a dica de um fantástico programa para iPhone, mas também para outras plataformas, como Windows, Mac OS X e Linux, chamado Brain Tutor, desenvolvido pela empresa BrainVoyager.
É um programa em que você aprende neuroanatomia por interação com modelos tridimensionais criados a partir de imagens de ressonância nuclear magnética. No programa, o encéfalo pode ser explorado em cortes axiais, sagitais e coronais, em tempo real. Além disso, fornece informações sobre lobos, giros e áreas de Brodmann.
E o download do programa pode ser feito de graça, na App Store!

O site oficial do programa (versão para computadores) pode ser visitado neste link: http://www.brainvoyager.com/products/braintutor.html

Outro site que comenta sobre o assunto pode ser visto aqui:
http://www.apptism.com/apps/brain-tutor-3d

Fonte: http://pedrorpb.blogspot.com/2009/09/brain-tutor-3d.html

Facebook testa teoria dos seis graus de separação.



Rede social lança versão digital do clássico experimento do psicólogo Stanley Milgram e convida usuários a fazer uma mensagem chegar até um desconhecido.
Apenas seis laços de amizade separam você de qualquer outra pessoa no mundo. Pelo menos foi a polêmica conclusão de um experimento do psicólogo Stanley Milgram (1933-1984), da Universidade Yale, feito nos anos 60. Em uma época na qual trocar informações on-line e em tempo real mais parecia enredo de ficção científica do que um futuro próximo, o psicólogo decidiu colocar à prova o clichê “o mundo é pequeno”: enviou pacotes a 160 moradores da pequena cidade de Wichita, no Kansas, e de Omaha, no Nebraska, pedindo-lhes que os mandassem para algum amigo ou conhecido que acreditassem que faria a encomenda chegar o mais rápido possível ao destinatário final – um habitante de Boston, Massachusetts. Várias das entregas chegaram, após passar por, em média, 5,5 pessoas. A hipótese de que bastam uns poucos conhecidos para constituir uma rede social muito maior do que imaginamos se popularizou rapidamente. Foi testada por outros estudiosos, que depararam com a mesma média, e inspirou o filme Seis graus de separação, de 1993.


Hoje, navegando nos domínios do Facebook ou do Twitter, não é tão difícil descobrir que um amigo está conectado a uma pessoa que, por sua vez, está ligada a outra que tem no rol de amizades virtuais um ganhador de Prêmio Nobel ou um artista de cinema. Não por acaso, algumas notícias se disseminam nessas páginas em segundos, antes de serem divulgadas pela mídia. Seria apenas coincidência ou as redes sociais retomam e reforçam a teoria de Milgram? Os sites Yahoo e Facebook decidiram levar adiante uma versão digital da experiência, mas em proporções bem menos modestas que as poucas dezenas de voluntários recrutados pelo psicólogo americano – traduzida em 13 idiomas, a página Small world convida os quase 750 milhões de usuários do Facebook a fazer uma mensagem chegar até um desconhecido de um país qualquer, selecionado pelos administradores do projeto. Para se tornar um “remetente” e participar, é necessário ter uma conta na rede social. Por que não conferir se realmente alguns poucos laços separam você de um cidadão do Camboja ou da Rússia? Basta acessar: http://smallworld.sandbox.yahoo.com/.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/seis_graus_de_separacao.html

Beber demais pode danificar memória de meninas adolescentes .



Adolescentes, especialmente do sexo feminino, que bebem grandes quantidades de álcool de uma só vez podem danificar a parte do cérebro que controla a memória e a percepção espacial, de acordo com um estudo americano. Os cérebros de jovens mulheres são mais vulneráveis aos danos causados pelo álcool porque se desenvolvem mais cedo que os dos homens. Por isso, segundo a pesquisa publicada em Alcoholism: Clinical and Experimental Research, aquelas que bebem demais em um curto espaço de tempo podem acabar tendo problemas ao dirigir, jogar esportes com movimentos complexos, usar mapas e ao tentar lembrar o caminho para os lugares.
Os pesquisadores de diversas universidades dos Estados Unidos fizeram testes neuropsicológicos e de memória espacial com 95 adolescentes entre 16 e 19 anos de idade. Entre eles, 40 (27 do sexo masculino e 13 do sexo feminino) bebiam muito de uma só vez (mais de 1,5 l de cerveja ou quatro taças de vinho para mulheres ou mais de 2 l de cerveja ou uma garrafa de vinho para os homens). Os mesmos testes foram repetidos com 31 rapazes e 24 moças que não bebiam em grandes quantidades e os resultados foram então comparados.
Usando aparelhos de ressonância magnética, os pesquisadores descobriram que as adolescentes que bebiam muito tinham menos atividade em várias áreas do cérebro que as que não bebiam, durante o mesmo teste de percepção espacial. Segundo Susan Tapert, professora de psiquiatria na Universidade da Califórnia e autora do estudo, estas diferenças na atividade cerebral podem afetar negativamente outras funções, como concentração e o tipo de memória usado na hora de fazer cálculos, o que também seria fundamental para o pensamento lógico e capacidade de raciocínio. Já os jovens rapazes não teriam sido afetados da mesma forma, de acordo com Tapert. "Os adolescentes que bebiam demais mostraram alguma anormalidade, mas menos, na comparação com os rapazes que não bebiam. Isso indica que as jovens do sexo feminino são particularmente vulneráveis aos efeitos negativos do excesso de álcool".

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1257-beber-demais-pode-danificar-memoria-de-meninas-adolescentes.html

Personalidades da História da Medicina: Biografia de Bryan Jennett.



Você faz alguma idéia de quem é Bryan Jennett? Muito provavelmente, você não deve saber quem foi este médico que faleceu há apenas três anos, mas com certeza você deve estar habituado a utilizar uma de suas mais divulgadas tabelas de avaliação neurológica.
Bryan Jennett, juntamente com Graham Teasdale, organizaram a famosa Escala de Coma de Glasgow, utilizada diariamente por inúmeros médicos e estudantes na avaliação de seus pacientes. Além dessa contribuição imensurável desses dois médicos, suas pesquisas foram além, estando relacionadas com a criação de um centro de estudos aplicados em neurociências na cidade de Glasgow.

Abaixo, a biografia deste médico.



Bryan Jennett (1926 - 2008) foi um pioneiro Professor de Neurocirurgia, que estabeleceu Glasgow como um centro mundial na especialidade e fez grandes avanços no cuidado e tratamento de doentes. Sob sua liderança, a cidade se tornou um centro mundial de inovação em Neurociências e atraiu uma geração de colaboradores internacionais e estagiários, na medida em que a sua 'Glasgow School' deixou um legado extraordinariamente ampla. Ele influenciou não só melhorias fundamentais no tratamento de pacientes com lesões de cabeça, mas a abordagem da filosofia, metodologia e ética dos médicos e acadêmicos tanto no campo mais vasto médica.

Nascido em Twickenham aos pais escoceses e irlandeses, Jennett flertou com a agricultura antes de escolher medicina. Mais tarde, ele foi descobrir que a agricultura baseada Lanarkshire dinastia da qual ele era descendente tinha produzido nada menos que cinco Loudons Doctor incluindo um que foi o médico do David Livingstone o explorador. Suas realizações iniciais de Liverpool Medical School incluído se casar com sua colega Sheila Papa e se tornar presidente da Associação Nacional de Estudantes British Medical.

Jennett foi atraído para Neurocirurgia depois de assistir as palestras de Henry Cohen, Baron Cohen de Birkenhead e ele foi para ocupar cargos em Oxford, Manchester e Cardiff, bem como um feitiço no Royal Army Medical Corps. No entanto, os seus interesses acadêmicos não eram congruentes com os tempos e ele não estava indicado para promoção em Oxford, Manchester e Dundee. Essa era a época com uma maior ênfase no patrocínio e onde os interesses acadêmicos foram às vezes percebida como um obstáculo. De fato, ele quase foi perdida para a América depois de um ano de duração na Rockefeller Fellowship na Universidade da Califórnia, mas foi levado em 1963 para um novo posto na Universidade de Glasgow. Aqui juntou-se em uma unidade que operava incipiente de um complexo de guerra convertidos na aldeia de Killearn. A aposta em Glasgow foi baseada tanto nas atitudes e aspirações de seus novos colegas e mentores como no potencial de longo prazo. Na próxima década, com o apoio de figuras como Sir Charles Illingworth, foi iniciada construção da unidade no Hospital Geral do sul. Enquanto isso, programas de colaboração de pesquisa começaram a florescer.

Antes de chegar a Glasgow Jennett publicou um trabalho sobre Epilepsia e pouco depois a sua "Introdução à Neurocirurgia" seguido. Este manual definitivo seria executado em Inglês e numerosas edições em línguas estrangeiras durante o século. Na tentativa de enfrentar as incertezas, Jennett iniciou a criação de um banco de dados informatizado para coletar as características e os resultados das lesões. Os dados foram compilados a partir de Glasgow, nos Estados Unidos e na Holanda durante um longo período e levou a uma série de documentos na década de 1970, incluindo o próximo adotado universalmente : Glasgow Coma Scale (GCS), com Teasdale, ea Escala de Glasgow Outcome enganosamente simples com Bond. Em 1972, trabalhando com o Dr. Plum da América, Jennett publicou O Estado Vegetativo Persistente - a definição de uma condição e cunhou uma frase que permanece em uso difundido hoje. Seu trabalho com o Glasgow baseado nas Neuropathologists Adams e Graham reduziu significativamente a mortalidade e incapacidade. Muitos estudos internacionais colaborativos posteriores compararam os resultados depois de gravidade diferentes de lesão e com regimes terapêuticos alternativos. Durante o período de seu trabalho, foi distinguido pela sua abnegação e generoso estímulo de seu juniores - de uma só vez mais de metade das cadeiras Neurocirurgia no Reino Unido foram ocupadas por seus estagiários.

Todas essas qualidades eram sustentadas por habilidades cirúrgicas e diagnósticas e uma abordagem franca. Sempre simpático à beira do leito, vive na memória de centenas de pacientes e suas famílias.

Os mesmos conhecimentos convicção e clareza de pensamento e de expressão, muitas vezes o colocou no centro das atenções públicas. Em 1976, houve polêmica sobre um programa Panorama BBC que contestou os critérios utilizados para estabelecer "morte cerebral" em potenciais doadores de órgãos. Professor Jennett estava na demanda global como um alto-falante e no Reino Unido contribuiu para muitos influentes perfis médicos e foi chamado ao tribunal como testemunha especializada, principalmente para o caso de Tony Bland. No entanto, seu interesse não se limitava ao estabelecimento médico, ele foi presidente da Headway - um grupo nacional de pacientes - durante sete anos.

Muito à frente de seu tempo, ele abordou o uso adequado da tecnologia de alto custo na medicina. Esta forma de avaliação da tecnologia é agora central para iniciativas várias departamento de saúde. A Presidência da Sociedade Internacional para Avaliação de Tecnologias em seguida e em 1984 o seu livro de bolso "A medicina de alta tecnologia: Benefícios e Encargos", seguido de uma série de Médicos BBC palestras, pacientes e responsabilidades que foram amplamente elogiado. Sua abordagem é bem ilustrada pela sua resposta a uma experiência pessoal de trombose venosa profunda (TVP), que ele atribuiu a assentos da aeronave apertado. Dentro de um ano ele havia localizado os colegas que tiveram experiências semelhantes e, juntos, publicou um breve artigo no The Lancet e usado pela primeira vez o termo "síndrome da classe econômica", que agitou a opinião entre o público e as companhias aéreas. A pesquisa subseqüente e nossa posição atual para a condição devem muito a este trabalho original.

Depois de sua aposentadoria em 1991 ele recebeu o CBE e um DSc honorário da St Andrews University. Seu trabalho continuou com uma monografia de 2002 "O estado vegetativo" e sua publicação final apareceu no British Journal of Neurosurgery no mês antes de sua morte.

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Bryan_Jennett

Pessoas em estado vegetativo podem estar conscientes?



Estudo sugere que, em casos raros, o paciente percebe o que acontece ao seu redor.
O paciente abre os olhos, sem expressão alguma. Boceja e, por vezes, chega a gritar. Ele parece, ao mesmo tempo, consciente e indiferente ao que acontece ao seu redor. Há meses permanece assim. Será capaz de pensar? Talvez, segundo estudo publicado em 2006 na revista Science. A equipe conduzida pelo neurocientista Adrian Owen, da Universidade de Cambridge, pediu a uma paciente em estado vegetativo persistente (EVP) que se imaginasse fazendo diversas tarefas, como jogar tênis e caminhar pelos cômodos de sua casa. Enquanto isso seu cérebro era analisado por meio da técnica de ressonância magnética funcional (fRMI). Os resultados mostraram imagens comparáveis às de pessoas saudáveis, que compreendem os comandos e decidem obedecer ou não.


“Obviamente, alterações que podem indicar alguma atividade cerebral não são detectadas em todos os pacientes em EVP; em alguns deles simplesmente não há mais estrutura cerebral suficiente”, diz Owen, aludindo ao caso da americana Terry Schiavo, que permaneceu por 15 anos em estado vegetativo e virou notícia quando seus pais contestaram a decisão do marido de interromper a alimentação e deixá-la morrer. O imageamento cerebral já havia mostrado que parte considerável de seu cérebro estava atrofiada; os médicos foram unânimes em afirmar que o caso dela era irreversível, o que pesou na decisão judicial de desligar os aparelhos que a mantinham viva, em março de 2005.


Contudo, o prognóstico nem sempre é definitivo e inalterável. Para o especialista, a medicina sempre investiu pouco nesses pacientes, na crença de que nada podia ser feito além dos cuidados paliativos que os mantêm alimentados, limpos e confortáveis até a hora da morte. Vez por outra, porém, um deles desperta, sem que se conheçam os fatores que contribuíram para a recuperação. “O cérebro é um órgão frágil, mas pode reagir de forma inesperada. Não devemos descartar os casos em que os pacientes estão conscientes do seu entorno mas não conseguem mexer nenhuma parte do corpo. Outros, ainda, podem estar apenas inconscientes e desacordados. O desafio da medicina de reabilitação é identificar todas essas possibilidades”, afirma Owen.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/conceito_morte.html

Estudo identifica células que cicatrizam medula espinhal após lesões .



As células que cicatrizam a medula espinhal após cirurgias são os pericitos, e não as células da glia, como se acreditava antes, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista "Science". A pesquisa, realizada no Instituto Karolinska de Estocolmo (Suécia) e dirigido pelo cientista Jonas Frisén, permite novos tratamentos para pacientes que se encontram em recuperação após uma operação do sistema nervoso central. Até então, acreditava-se que as células que formavam as cicatrizes após as lesões da medula espinhal eram as células da glia. No entanto, a equipe de Frisén demonstrou que a maioria das células das cicatrizes na medula espinhal lesionada provém dos pericitos, pequenas células situadas nos vasos sanguíneos. "Os pericitos começam a se dividir justo após o ferimento e dão lugar a um conjunto de células de tecido conjuntivo que migram em direção à lesão para formar uma grande porção de cicatriz", diz o artigo da "Science". Na ausência dessas células, ocorrem buracos no tecido, em vez de cicatrizes. O estudo do Instituto Karolinska permitirá que os cientistas concentrem nos pericitos suas tentativas de aumentar a cicatrização na medula espinhal, o que pode favorecer a recuperação funcional dos pacientes com danos no sistema nervoso.

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1254-estudo-identifica-celulas-que-cicatrizam-medula-espinhal-apos-lesoes.html

Mais parecido, menos ameaçador.



Características estéticas semelhantes facilitam aproximação.
Ao sentar-se em uma sala com desconhecidos, observe a pessoa ao lado. Existe alguma semelhança entre vocês, ainda que sutil? Segundo estudo publicado no Personality and Social Psychology Bulletin, a resposta geralmente é sim. A psicóloga Anne Wilson, da Universidade Wilfrid Laurier, no Canadá, reuniu universitários que não se conheciam e solicitou que se acomodassem em cadeiras distribuídas em fila em uma sala. Logo depois, pediu que outros voluntários, também estudantes, ocupassem os sofás de uma sala de espera. A experiência foi repetida com um novo grupo, dessa vez em uma mesa redonda.


Anne observou que, nos três casos, os participantes tendiam a se sentar perto de alguém com quem partilhavam características, como estilo de roupas, corte de cabelo e uso de óculos. Para a psicóloga, a pesquisa ajuda a explicar por que os grupos costumam ser formados por pessoas esteticamente parecidas. “Tendemos, mesmo inconscientemente, a nos aproximar daqueles com quem nos identificamos. É como se a semelhança estética significasse maior chance de aceitação”, diz.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/caracteristicas_esteticas_parecidas_facilitam_aproximacao.html

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Do túnel do Tempo: Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1901.

Nestas postagens referentes aos ganhadores do Prêmio Nobel, nem sempre veremos neurologistas homenageados, e nem sempre as pesquisas serão diretamente relacionadas com descobertas do campo da neurologia.
Porém, o conhecimento médico ao longos desses 110 anos nos quais foram premiados diversos pesquisadores serão lembrados, não apenas pela relevância dos temas, mas também como uma forma de manter viva a memória desses cientistas que didacaram suas vidas ao estudos de Fisiologia e Medicina.



O Prêmio Nobel começou a ser entregue no ano de 1901, sendo criação de Alfred Nobel, o inventor ´da dinamite. Insatisfeito pelos rumos que sua invenção tinha tomado, já que estava sendo utilizada para fins bélicos, Alfred procurou deixar uma marca melhor na história. Deixou sua fortuna acumulada pela patente da dinamite para criação de uma fundação com seu nome que deveria, a cada ano premiar as pessoas no mundo que tivessem se destacado nas áreas de Física, Química, Fisiologia ou Medicina, Literatura e Paz. A premiação ocorre no dia 10 de dezembro (aniversário de morte de Nobel) na cidade de Estocolmo, enquanto que a premiação do Nobel da Paz ocorre na cidade de Oslo.

Segue abaixo a biografia e uma descrição detalhada do ganhador do primeiro nobel de Fisiologia e Medicina de 1901, o bacteriologista Emil Adolf von Behring por seus trabalhos na área da bacteriologia.
Semanalmente, sempre nas quintas-feiras, mais uma biografia de outro(a) ganhador(a) do prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina será comentada neste blog.


Emil Adolf von Behring (1854 - 1917)



Bacteriologista alemão nascido em Hansdorf, na Prússia, considerado o fundador da imunologia como ciência e o primeiro biólogo a usar a palavra toxina. Formado em medicina em Berlim, trabalhou inicialmente como cirurgião militar (1877-1888). Tornou-se assistente do médico e bacteriologista alemão Robert Koch, no Instituto de Higiene da Universidade de Berlim (1889-1893) e com o bacteriologista japonês Shibasaburo Kitasato, demonstrou a possibilidade de se imunizar um animal contra o tétano, injetando-lhe soro sangüíneo de outro animal já infectado (1890). Utilizou o mesmo método no tratamento dos casos de difteria, obtendo pleno êxito, descobrindo, assim, as antitoxinas. Colocada no mercado (1892) a antitoxina diftérica tornou-se conhecida como soro antidiftérico e tornou-se rotina no tratamento da doença. Como professor, inicialmente em Halle e depois da Universidade de Marburg (1895-1907), ganhou o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia (1901) por trabalhos sobre terapêutica por meio de soro dos "vírus atenuados", e no campo das toxinas e antitoxinas, o que permitiu induzir o grau de imunização, mesmo após o início da doença. Depois de deixar o ensino dedicou-se à produção de vacinas nas indústrias Höchst. Desenvolveu também um tipo de vacina contra a tuberculose bovina e morreu em Marburg, Alemanha.

Mais informações sobre o Dr. Emil Behring podem ser lidas no link abaixo:
http://www.salton.med.br/index.php?id_menu=premio&idioma=portugues&id_premio=2&title=1901:%20EMIL%20ADOLF%20VON%20BEHRING

Fontes: http://www.salton.med.br/index.php?id_menu=premio&idioma=portugues&id_premio=2&title=1901:%20EMIL%20ADOLF%20VON%20BEHRING
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%A9mio_Nobel

Tomar sol ajuda proteger os neurônios.



Pouca vitamina D no organismo pode comprometer a função cognitiva.
Dermatologistas costumam alertar: para expor a pele aos raios solares é preciso aplicar protetor, o que evita câncer e envelhecimento precoce. Mas fugir do sol também traz consequências graves para o cérebro. Pesquisadores descobriram que a ausência de vitamina D no organismo pode comprometer funções cognitivas. Embora seja mais conhecida por promover saúde dos ossos e regular os níveis de cálcio, a vitamina desativa enzimas cerebrais que participam da síntese de neurotransmissores e do crescimento neuronal. Com essas descobertas, pesquisadores esperam que no futuro a vitamina ajude no tratamento de pacientes com Alzheimer.


“Sabemos que há receptores de vitamina D espalhados por todo o sistema nervoso central e hipocampo. Além disso, ela ativa e desativa as enzimas no cérebro e no fluido cerebrospinal envolvidas na síntese de neurotransmissores e no crescimento dos nervos”, explicou o pesquisador Robert J. Przybelski, da Escola de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin. Os estudos em animais e em laboratório sugerem que a substância pode proteger os neurônios e reduzir a inflamação.


Dois novos experimentos revelam mais novidades sobre o assunto. O primeiro, conduzido pelo neurocientista David Llewellyn, da Universidade de Cambridge, avaliou o índice da presença da vitamina em mais de 1.700 ingleses com mais de 65 anos. Os voluntários foram divididos em quatro grupos de acordo com os índices da substância encontrados no sangue: profundamente deficiente, deficiente, insuficiente e excelente; em seguida, foram testados quanto à função cognitiva. Os cientistas descobriram que, quanto mais baixos os níveis, maior o impacto negativo no desempenho na bateria de testes mentais. Se comparados a pessoas do grupo excelente, os que apresentavam valores mais baixos corriam mais risco de ter alguma deficiência mental.


O segundo estudo, conduzido por cientistas da Universidade de Manchester, na Inglaterra, concentrou-se nos níveis de vitamina D e no desempenho cognitivo de mais de 3.100 voluntários entre 40 e 79 anos em oito países europeus. As informações mostram que os participantes com níveis mais baixos demoraram mais tempo para processar informações. Essa correlação foi particularmente expressiva entre os homens com mais de 60 anos.


“O fato de essa relação ter sido estabelecida em larga escala e em um estudo com seres humanos é muito importante, mas ainda há muito a ser estudado. Embora saibamos que o baixo grau da vitamina está associado ao comprometimento mental, não descobrimos se os altos reduziram a perda cognitiva”, salienta Przybelski.


Pelo fato de o comprometimento cognitivo ser, em geral, precursor da demência e do Alzheimer, a vitamina D é tema em constante discussão entre os cientistas que tentam responder a essas questões. Przybelski, por exemplo, planeja um estudo sobre isso para verificar se afetará a incidência de Alzheimer em longo prazo. Então, quanto de vitamina D é suficiente? Alguns especialistas dizem que de 15 a 30 minutos de exposição ao sol, de duas a três vezes por semana, seria o ideal para adultos saudáveis. É importante lembrar que fatores como a cor da pele, o local de residência e a área exposta ao sol afetarão o volume de vitamina D produzido por cada um.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/tomar_sol_ajuda_proteger_os_neuronios.html

Ambiente influencia autismo mais do que se pensava .



Um novo estudo realizado por pesquisadores de universidades da Califórnia, nos Estados Unidos, afirma que fatores ambientais influenciam na causa do autismo mais do que se imaginava até agora. Geralmente considerado uma doença genética, o autismo atinge pelo menos 1% da população nos países desenvolvidos, mas ainda é pouco compreendido pelos cientistas. As informações são do jornal The New York Times. O estudo não especifica quais seriam os fatores ambientais que mais favorecem o autismo, mas acredita-se que mesmo as condições de crescimento no útero podem influenciar. O estudo canadense analisou 192 pares de irmãos gêmeos em que pelo menos um deles tivesse a doença. Análises matemáticas mostraram que apenas 38% dos casos podiam ser atribuídos a fatores genéticos. Neil Risch, geneticista da Universidade da Califórnia, disse que ficou muito surpreso com os resultados. Ainda falta determinar que fatores aumentam a chance de autismo. Entre as possibilidades estão idade dos pais no nascimento, quantas vezes a mulher esteve grávida antes, peso da criança ao nascer e exposição a medicamentos ou infecções da mãe durante a
gravidez.

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1253-ambiente-influencia-autismo-mais-do-que-se-pensava.html

Síndrome de Weber.



A Síndrome de Weber, também chamada de hemiplegia superior alternante ou síndrome cruzada piramidal do III par, é atribuída ao infarto mesencefálico secundário a oclusão dos ramos paramedianos (peduncular e interpeduncular) da artéria cerebral posterior ou da bifurcação basal das artérias perfurantes. As porções do mesencéfalo mais afetadas, nessa síndrome, são os pedúnculos cerebrais, conforme mostrado na figura. Difere da síndrome de Benedikt principalmente pela não inclusão do núcleo rubro entre as estruturas lesadas.



Sua lesão caracteristicamente afeta os tratos corticoespinhal, corticobulbar e fibras do n. oculomotor III. Suas manifestações são, portanto:
- hemiplegia faciobraquiocrural contralateral
- paralisia do III par (oculomotor)
- presença ou não de hemiparkinsonismo (lesão da substância negra) ou de hemibalismo contralateral (lesão do núcleo subtalâmico).


Foi descrita em 1863, em Londres, pelo médico alemão Herman David Weber, no seguinte artigo:
Weber HD. "A contribution to the pathology of the crura cerebri" Medico-Chirurgical Transactions 1863;46:121-139.

Fonte: http://pedrorpb.blogspot.com/2009/04/sindrome-de-weber.html

Férias no presente.



Durante alguns dias de alienação as únicas preocupações do hipocampo são onde almoçar ou qual praia visitar.
Os livros da escola ainda teimam em dizer que o sistema nervoso é o conjunto de órgãos que nos permite detectar estímulos e responder a eles. Fosse apenas isso, não precisaríamos tirar férias: como bactérias, plantas e tantos outros seres desprovidos de cérebro, viveríamos eternamente no presente, docemente ignorantes do nosso futuro. No entanto, temos um cérebro tão capaz que consegue até encontrar problemas onde ainda não há nenhum, preocupando-se com o que provavelmente – mas só provavelmente – está por vir. Lembra do passado, revive agruras e infortúnios, faz o que pode agora para que eles não aconteçam novamente; desenvolve projeções para o futuro, tentando adivinhá-lo, e assim guia nossos passos.


Graças ao cérebro, somos seres dotados de passado e futuro – mas isso tem um preço: a ansiedade, essa capacidade de nos preocuparmos desde já com o que talvez nem chegue a acontecer. A ansiedade é um exemplo de quão cruel conseguimos ser com nós mesmos: nosso hipocampo é capaz de manter uma lista de problemas esperados rondando, ativos na memória, como uma agenda interna do que será preciso fazer eventualmente. Quanto mais ativo o hipocampo, mais alto fala em nossos ouvidos essa agenda interna, que ainda ativa um alarme próprio, implacável: o locus coeruleus, “lugar azul” do cérebro que, ao contrário do que o nome sugere, é responsável por nos deixar tensos, acordados, prontos para a ação – e preocupados com problemas por resolver.


Se por um lado pode ser útil antecipar problemas (porque assim nos preparamos de antemão e temos mais chances de resolvê-los), lidar todo dia com uma longa lista deles – trabalhos a entregar, prazos a cumprir, roupas a lavar, compras a fazer, contas a pagar – pode ser exaustivo. O que fazer nessas horas? Resolver os problemas ajuda, mas em geral fazemos isso só para então descobrir que outros apareceram em seu lugar. A opção, bem-vinda após períodos de grande ansiedade, é decretar, temporariamente, que problemas futuros não existem, ou no mínimo podem ser ignorados com segurança por alguns dias.


A esses preciosos dias de alienação mental damos o nome de... férias. Ah, a doce sensação de viver somente no presente, ainda que por poucos dias! Em férias de verdade, as únicas preocupações que o hipocampo representa para o resto do seu cérebro são imediatas e triviais: onde almoçar, qual praia ou museu visitar, qual das redes da varanda oferecer a melhor combinação de vento e sombra ou que livro ler primeiro. Reconhecer que tiramos férias da nossa capacidade de viver antecipando os problemas do futuro ajuda a planejá-las, ou pelo menos a evitar autossabotagens. Portanto, nada de levar computador para resolver de longe os problemas do escritório; celular deve ser só para ligar para fazer a reserva do restaurante. Avise no trabalho e em casa que você não vai poder atender o telefone. Emergência? SMS existe para isso. E nada de maratonas do tipo “Europa-inteira-em-uma-semana”, pois só serviria para arranjar mais ansiedade.


E se não der para tirar duas boas semanas de férias... Que tal aprender a transformar cada fim de semana em miniférias em casa, no presente, sem preocupações com o trabalho da semana seguinte ou com os prazos a cumprir? Não é tão difícil quanto parece; experimente começar desligando o computador e deixando os e-mails para a segunda-feira. Afinal, você merece – e ainda tem chances de começar a semana revigorado, e até se esmerando ainda mais naquilo que não pôde fazer nas suas miniférias: trabalhar!

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/ferias_no_presente.html

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O chá das visões.



A bebida ayahuasca, desenvolvida por indígenas amazônicos e incas, é usada até hoje em rituais religiosos e ativa áreas do cérebro relacionadas à memória e à vontade.
Ayahuasca, hoasca, iagé, mariri e caapi designam um chá ancestralmente usado por indígenas amazônicos e incas para fins rituais. Atualmente, a infusão constitui o pilar de religiões de matriz brasileira, como o Santo Daime, a União do Vegetal e a Barquinha. Um dos mais notáveis efeitos de sua ingestão é a “miração” – há relatos de imaginações visuais tão vívidas quanto a realidade, mesmo de olhos fechados. Para entender as bases neurais desse fenômeno, o neurocientista Dráulio de Araújo articulou e liderou uma equipe de físicos, biólogos e médicos da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, do Instituto do Cérebro e do Hospital Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e do Centro J.B. Watson, nos Estados Unidos. Investigamos registros de ressonância magnética funcional feitos em membros da Igreja do Santo Daime durante uma tarefa imagética de olhos fechados, antes e depois de beberem ayahuasca. Em artigo para a revista Human Brain Mapping, relatamos que o chá produz um grande aumento na ativação de diversas áreas do córtex cerebral. Os resultados sugerem que as mirações são causadas pela potenciação de uma extensa rede cortical que envolve visão, memória e vontade.


Na área visual primária o nível de ativação durante a imaginação é comparável aos níveis de quem observa de olhos abertos uma imagem bem iluminada. A ingestão da bebida ritual intensifica a ação de áreas corticais relacionadas à memória episódica e a associações contextuais e também potencia regiões envolvidas com a imaginação prospectiva intencional, com a memória de trabalho e com o processamento de informações internas.


Em termos neuroquímicos, a ayahuasca afeta neurônios que utilizam serotonina, mas também, em menor grau, noradrenalina e dopamina. De que forma a modificação desses sistemas neurotransmissores aumenta a ativação cerebral e a vividez da imaginação é uma ótima questão científica em aberto. Seja como for, é compreensível que os xamãs da floresta tenham selecionado a ayahuasca culturalmente ao longo dos séculos para facilitar revelações místicas de natureza visual. Ao elevar a intensidade das imagens mentais ao nível das imagens percebidas de olhos abertos, a infusão confere status de realidade às vivências interiores.


A interpretação do fenômeno depende do ponto de vista. Para os místicos em busca da transcendência, a ayahuasca abre as portas da percepção para espíritos e mundos extracorpóreos. Para os materialistas, ela permite acessar, animar e navegar o vasto oceano do inconsciente, essa coleção absolutamente individual de memórias adquiridas durante a vida e de todas as suas combinações possíveis. Psiconauta ácido e cético ou sacerdote divinamente conectado, o fato é que o bebedor do chá empreende uma travessia corajosa para dentro de si. Para ver além, fecha os olhos... e vê.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/cinema_de_indio.html

Por que gostamos de ganhar presentes?



O anseio de receber é construído graças à liberação de “hormônios da expectativa”.
Se doar é bom, receber é ótimo. Ao ganharmos um presente que corresponde às nossas expectativas, sentimos uma onda de bem-estar. Essa sensação é resultado da ação de um conjunto de neurônios especializados na percepção do prazer. Surgidos ao longo da evolução, eles cumprem uma função crucial: a manutenção da vida. Os sistemas cerebrais que mais influenciam o comportamento são os que nos levam a satisfazer as necessidades vitais (comer, beber, reproduzir-se e proteger-se). O prazer é o meio empregado pela evolução para que essas funções sejam asseguradas. Para favorecê-las, foi desenvolvido o sistema neuronal da recompensa.


Ao longo dos séculos, o cérebro humano diferenciou-se do de outros mamíferos, principalmente pelo desenvolvimento do córtex, o que propiciou um aumento na complexidade das conexões neurais. As estruturas mais antigas, onde estão as células do sistema de recompensa no animal, permaneceram inseridas no cérebro ancestral, chamado de reptiliano.


Na década de 50, os fisiologistas ingleses James Olds e Peter Milner fizeram uma experiência sobre o circuito da recompensa: eles implantaram, no núcleo accumbens do cérebro de ratos, eletrodos ligados a uma alavanca que o roedor podia acionar. Observaram que o animal apoiava-se sem cessar sobre o dispositivo, estimulando essa região de seu cérebro, esquecendo até mesmo de comer e beber. Essas experiências foram feitas também em seres humanos que passavam por operações cirúrgicas.
No sistema hedônico, especialmente na área tegmental ventral e no núcleo accumbens, o principal mensageiro químico endógeno é a dopamina. É esta a substância liberada no cérebro de ratos estimulados por um eletrodo. A maioria das drogas reforça a ação da dopamina.


Há outro fator no prazer experimentado: a tensão que precede a recompensa. O prazer que associado ao alimento, por exemplo, só é acompanhado por um liberação de dopamina se experimentamos o sabor esperado, que corresponde à noção de desejo.


Cientistas discutem hoje se seria possível falar em uma neurobiologia do prazer ligado aos presentes. Parece que sim. As modulações bioquímicas observadas durante certas situações, por exemplo, no período de festas que anuncia a chegada de presentes, certamente influenciam nosso estado de espírito. Extrapolando esses dados, digamos que a alegria experimentada quando ganhamos algo esteja ligada a uma ativação do sistema hedônico proporcionado por nossos neuromediadores de prazer (dopamina e encefalinas). Se, por infelicidade, o presente não chega, é possível que a atividade do circuito diminua, ocasionando uma baixa momentânea de encefalinas. Essa reação desencadeia sensação de frustração, como a criança que não ganha nada ou que recebe algo diferente do esperado.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/o_prazer_de_ganhar_presentes.html

Meningite em crianças - epidemiologia, quadro clínico e diagnóstico.



A meningite é uma doença inflamatória das leptomeninges, uma emergência médica, que requer diagnóstico imediato e antibioticoterapia precoce.

Sua epidemiologia vem mudando, desde a introdução das vacinas conjugadas anti-pneumocócica e anti-Haemophilus influenzae tipo B nos EUA. Verificou-se um padrão de aumento de prevalência em adultos e diminuição em crianças menores que 5 anos.
Uma revisão das crianças com meningites atendidas em unidades de emergência norte-americanas entre 2001 e 2004 mostrou também uma alteração na prevalência dos patógenos por idade:
* Entre 1 e 3 meses: Estreptococo do grupo B (agalactiae)
39%; bacilos gram negativos 32%; pneumococo 14%, Neisseria meningitidis 12%.
* Entre 3 meses e 3 anos: pneumococo 45%, Neisseria meningitidis 34%, estreptococo do grupo B 11%, bacilos gram negativos 9%.
* Entre 3 e 10 anos: Pneumococo 47%, N. meningitidis 32%.
* Entre 10 anos e 19 anos: N. meningitidis 55%.


Vê-se aí a grande efetividade da vacinação para H. influenzae na prevenção da meningite por esse germe.


Fatores de risco para meningite bacteriana: exposição recente a alguém com diagnóstico de meningite por meningococo ou Hib. Infecção recente - pneumonia ou otite. Viagem recente a local onde a meningite meningocócica é endêmica, como a África subsahariana. TCE penetrante. Otorréia ou rinorréia de líquido cerebroespinhal, como em defeitos congênitos (ex: displasia de Mondini). Implante coclear. Defeitos anatômicos ou neurocirurgia recente predispõe a meningite por S. aureus, Estafilococos coagulase negativos e gram negativos entéricos, como E.coli ou Klebsiella sp.


Quadro clínico


Duas principais formas de apresentação
1) Doença febril precedente, evolução progressiva de um ou mais dias;
2) Curso agudo e fulminante, com manifestações de meningite e sepse evoluindo em horas - muito associada com edema cerebral.


Sintomas


Síndrome meníngea: náusea, vômito, irritabilidade, anorexia, cefaléia, confusão, dor lombar, e, último mas não menos importante, rigidez de nuca. Não há sinal patognomômico. Doença respiratória pode preceder o quadro.


A tríade de febre, rigidez de nuca e alteração do estado mental pode estar presente em somente 44% dos casos.


Exame físico:


Sinais de rigidez de nuca estão presente na maioria, mas não em todos os pacientes. Uma revisão de 1064 casos mostrou que 1,5% dos pacientes não teve qualquer sinal meníngeo durante a internação. Além disso, a rigidez de nuca é difícil de ser verificada em pacientes comatosos ou naqueles com déficits neurológicos focais ou difusos.
Sinal de Kernig: paciente em posição supina, faz-se a flexão da coxa sobre o quadril (90 graus) e da perna sobre a coxa (90 graus). Se não for possível realizar a extensão da perna ou houver flexão da outra perna à manobra, o sinal estará presente.
Sinal de Brudzinski: durante a tentativa de flexão passiva do pescoço, o paciente flete as extremidades inferiores.
Estão presentes em 60-80% dos pacientes.


Achados neurológicos:
- Alteração da consciência: é sinal prognóstico. Pacientes comatosos, semi-comatosos, torporosos tê
m mais chance de desfechos negativos.
- Aumento da pressão intracraniana: cefaléia em crianças mais velhas, fontanela abaulada ou diástase das suturas em lactentes; Paralisias do III (oculomotor), IV (troclear) e VI (abducente) também podem ocorrer. Papiledema é incomum.
- Convulsões generalizadas em 20-30% dos paciente antes da admissão hospitalar ou no 1o dia de admissão.
- Achados focaiss (hemiparesia, quadriparesia, paralisia facial, déficits de campo visual): ocorrem em até 16% dos pacientes.


Achados cutâneos: petéquias e púrpuras nas extremidades são mais comuns na meningococcemia.


Lembre-se: a tríade de Cushing (hipertensão, bradicardia e depressão respiratória) é um sinal tardio de aumento da pressão intracraniana.


Avaliação inicial:
Antibioticoterapia não deve tardar. É autorizada a sua realização antes da punçao lombar.
Hemograma, hemoculturas de 2 sítios diferentes (positivas em 1/2 dos pacientes). Punção lombar deve ser realizada, ao menos que haja contra-indicações. Caso a primeira cultura do LCR seja negativa e a criança persista com sinais meníngeos, não demore em realizar nova punção.
LCR deve incluir pedidos de: citometria, citologia com diferencial, glicose, proteínas, Gram e cultura. A cultura pode ser positiva na ausência de pleocitose.
LCR típico de meningite: pleocitose marcante (maior que 1000 neutrófilos, com predomínio de neutrófilos), proteína elevada, glicose baixa (menor que 40 mg/dL em mais da metade dos pacientes), microoganismo isolado no Gram e na cultura.


O Gram, exame que tem análise mais rápida que a cultura, pode já dar boas dicas diagnósticas, conforme os seguintes achados:



Outras questão que muito inquieta os médicos são as indicações de neuroimagem antes da punção lombar, ou seja, quais são as situações devemos nos preocupar com o risco de herniação cerebral.
As principais indicações são, segundo revisão do UpToDate:

a) Coma;
b) Presença de Shunt Ventrículo-peritoneal;



c) História de hidrocefalia;
d) História de trauma recente do SNC ou neurocirurgia prévia;
e) Papiledema;



f) Déficit neurológico focal (com a exceção da paralisia do abducente VI e do facial VII)

Fonte: http://pedrorpb.blogspot.com/2009/04/meningite-em-criancas-epidemiologia.html

Baixa renda aumenta risco de desenvolver transtornos.



Distúrbios psíquicos são mais frequentes em pessoas com problemas financeiros.
Pessoas com menor poder aquisitivo têm maior predisposição a desenvolver depressão e a tentar suicídio, segundo pesquisa publicada na revista Archives of General Psychiatry. A equipe coordenada pelo psiquiatra Jitender Sareen, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Manitoba, no Canadá, fez um estudo prospectivo com 35 mil jovens americanos na faixa dos 20 anos, de diferentes classes sociais. Os pesquisadores entrevistaram os voluntários duas vezes em um intervalo de três anos. Eles foram questionados sobre sua situação financeira e seu estado emocional. Resultado: a incidência de distúrbios psíquicos foi maior entre aqueles com renda mais baixa.


Transtornos de ansiedade e abuso de álcool e drogas foram mais frequentes entre os que perceberam sua renda diminuir ao longo dos três anos em comparação com aqueles que mantiveram estabilidade em seus rendimentos. No entanto, não houve relação entre a presença de distúrbio psíquico no período da primeira entrevista e uma eventual redução de renda nos anos seguintes. Segundo Sareen, as explicações podem ser várias, mas há duas hipóteses principais: as defesas psicológicas podem se fragilizar diante das dificuldades econômicas ou pode haver uma “seleção social” com base na saúde mental das pessoas. “O distúrbio mental em si afetaria o status socioeconômico, levando a uma progressiva redução do poder aquisitivo”, observa.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/baixa_renda_esta_relacionada_a_risco_de_desenvolver_disturbios_psiquicos.html

Efeito "similar" à maconha explica gula por comidas gordurosas .



Um estudo revelou que a gordura contida em alimentos como batatas fritas desencadeia um mecanismo biológico de gula no organismo que atua de modo similar aos efeitos da maconha. A pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Califórnia, descobriu que quando provaram comidas gordurosas, ratos, utilizados como cobaias na pesquisa, começaram a produzir substâncias químicas conhecidas como endocanabinóides, uma espécie de lipídios biologicamente ativos, que exercem um efeito semelhante ao da maconha sobre o indivíduo. O processo, relata a pesquisa, tem início na língua, onde as gorduras contidas no alimento geram um sinal que viaja do cérebro, através de um feixe de nervos conhecido como nervo vago, para o intestino. Lá, ocorre o estímulo na produção de endocanabionóides, e a substância provoca uma onda de ativação celular, que induz à ingestão desenfreada de alimentos gordurosos. "Nós sabemos que comidas gordurosas podem ter um um bom sabor, mas os mecanismo moleculares e sinais por trás dessa resposta eram desconhecidos. Agora, sabemos que comidas gordurosas geram um sinal na língua que leva o intestino delgado a produzir as substâncias químicas conhecidas como a maconha natural do corpo humano, que induzem ao consumo de gordura", afirma Daniele Piomelli, que comandou a pesquisa. A pesquisa pode indicar novos caminhos na luta para conter a obesidade e outras doenças, segundo os cientistas envolvidos no estudo. A ampla disponibilidade de alimentos gordurosos em países industrializados é considerada um fator determinante para condições como a obesidade, diabetes, câncer e doenças cardiovasculares. O estudo sugere que pode ser possível conter a compulsão de se comer alimentos gordurosos ao se obstruir atividades endocanabinóide, por meio da utilização de medicamentos que bloqueiam a ação desses lipídios. Como tai drogas bloqueadoras não precisam penetrar no cérebro, elas não teriam porque causar efeitos colaterais, como ansiedade e depressão, que surgem quando a ação endocanabinóide é bloqueada no cérebro, conta Piomelli.

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1252-efeito-

Desejo de sentir e causar dor.



Ativistas buscam retirar rótulo de “transtorno sexual” do sadomasoquismo.
Sob coordenação do ativista sadomasoquista norueguês Svein Skeid, o projeto Revise F65, criado em 1998, busca mobilizar grupos fetichistas e SMs, bem como profissionais da saúde mental, por meio de um site e grupos de discussão na internet, para a retirada do fetichismo, sadomasoquismo e travestismo fetichista do grupo de distúrbios de preferência sexual (parafilias), como hoje consta na Classificação estatística internacional das doenças e problemas de saúde, 10ª revisão (CID-10), publicada pela Organização Mundial da Saúde.


Os adeptos desse movimento internacional alegam que essas orientações ou preferências sexuais permanecem sob o mesmo rótulo de “doenças” desde a 6ª revisão da CID, em 1948, favorecendo a discriminação de minorias e suscitando violência contra tais grupos. Para eles, a manutenção dessa classificação diagnóstica mostra estagnação no modo de encarar as múltiplas formas de expressão da sexualidade adulta, desde que consensuais. Nos Estados Unidos, depois da revisão do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV), em 1994, práticas fetichistas ou sadomasoquistas, caso não prejudiquem o funcionamento social ou ocupacional do indivíduo, são consideradas formas de expressão sexual adulta. No Brasil, boa parte dos psiquiatras segue essa orientação do DSM-IV, embora permaneça a discussão de até que ponto fetichismo e sadomasoquismo são perversões ou não, principalmente do ponto de vista da psicologia e da psicanálise.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/combate_ao_preconceito.html

Síndrome de Benedikt.



A síndrome de Benedikt, também chamada de síndrome do núcleo rubro, que tem seu correspondente anatomo-patológico no infarto do tegmento do mesencéfalo, é caracterizada clinicamente por:

- paralisia ipsilateral do oculomotor (III) - lesão de suas fibras adjacentes ao núcleo rubro;
- hemiataxia/tremor cerebelar ou hemicoréia contralateral (lesão do núcleo rubro);
- hemiparesia contralateral (lesão de trato cortico-espinhal, no pedúnculo cerebral).


A lesão do núcleo rubro causa também interrupção de fibras eferentes do hemisfério cerebelar contralateral (núcleo denteado -> pedúnculo cereberal superior -> cruza o núcleo rúbro rumo ao tálamo ventral anterior e ventro-lateral). Pode ter causas isquêmicas, hemorrágicas, neoplásicas ou infecciosas (tuberculose). A oclusão eventualmente pode ser demonstrada na artéria cerebral posterior.




A descrição é atribuída a Moritz Benedikt, professor de neurologia da Universidade de Viena, publicada no French Bulletin Médical em 1889. Charchot adicionou novas observações à síndrome ao estudar alguns pacientes no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, na década de 1890.

Fonte: http://pedrorpb.blogspot.com/2009/04/sindrome-de-benedikt.html

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Bebês de três meses identificam emoção na voz humana, diz estudo .



Estudo realizado na Universidade College London, em Londres, afirma que bebês podem identificar emoções na voz de outras pessoas a partir dos três meses de idade. Os cientistas escanearam o cérebro de 21 bebês adormecidos enquanto os estimulavam com diferentes tipos de sons.
Durante o exame da ressonância magnética, eles tocaram sons "emotivos" como choro e risadas, e sons de fundo como água correndo ou barulho de brinquedos. Quando escutavam vozes humanas, os bebês ativavam o córtex temporal, mesma parte do cérebro ativada por adultos na mesma situação.
Outra região do cérebro, o sistema límbico, que controla as emoções, reagiu fortemente a sons tristes ou negativos, mas não diferenciou sons neutros de felizes. A pesquisadora Evelyne Mercure, da Universidade de Londres, disse que o estudo prova a existência de áreas especializadas no cérebro desde o início do desenvolvimento do cérebro. A próxima fase do estudo pretende comparar cérebros de bebês autistas e não-autistas, na esperança de entender porque alguns desenvolvem a doença. A análise também incluirá bebês com riscos de desenvolver autismo, como aqueles que tem irmãos autistas.

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1251-bebes-de-tres-meses-identificam-emocao-na-voz-humana,-diz-estudo.html

Valorizar experiências pessoais dos alunos aumenta aprendizado.



Educadores devem considerar que o cérebro humano funciona de maneira única em cada estudante; aproximar pedagogia e neurociência pode significar melhoria da qualidade de ensino.
Não basta entender como se aprende, é preciso descobrir a melhor forma de ensinar. Há décadas, a psicologia, amparada pela neurocência, difunde que quando um aluno que se sente afetivamente protegido é desafiado a aprender, ocorrem mudanças físicas e químicas em seu cérebro, o que facilita o acolhimento e a reconstrução de informações.


A pedagogia neurocientífica, como denominam alguns pesquisadores, pode ser compreendida como o estudo da estrutura, do desenvolvimento, da evolução e do funcionamento do sistema nervoso com enfoque plural: biológico, neurológico, psicológico, matemático, físico e filosófico. Nessa equação complexa, processos químicos e interações ambientais se aproximam e se complementam, propiciando aquisição de informações, resolução de problemas e mudanças de comportamento. Na prática, a aproximação entre as neurociências e a pedagogia pode reverter em melhoria da qualidade de ensino para milhares de estudantes.


Os benefícios são bem-vindos – e necessários. Afinal, a realidade é preocupante. Levantamento do Ministério da Educação revela que 20% dos brasileiros entre 15 e 19 anos são analfabetos, o que representa 12% da população brasileira. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Brasil tem o sétimo maior contingente de analfabetos do planeta. Mais que mapear o cérebro, desvendar meandros de seu funcionamento, compreender fluxos e refluxos de neurotransmissores, acompanhar dinâmicas complexas e transformar passos da resolução de um problema em modelos matemáticos, observar e diagnosticar, pesquisadores de diferentes segmentos estão interessados nas implicações sociais da aquisição de conhecimentos que possibilitem a inclusão de milhares de crianças, adolescentes e adultos – e não apenas no que diz respeito à quantidade de pessoas com acesso à escola, mas também levando em conta a qualidade da educação
oferecida.


O cérebro humano, porém, não possui nenhum módulo automático que permita o domínio de práticas como a leitura, a escrita ou o cálculo. O aprendizado é sempre um processo único, que envolve afeto. Por isso, conhecer a história do aluno e tratá-lo como sujeito único pode mudar o rumo de sua vida. É fundamental valorizar suas experiências.
A professora de história da escrita do Museu Metropolitano de Nova York e ex-professora do Instituto de Psicologia da USP Elvira Souza Lima costuma contar aos profissionais que assessora uma experiência que viveu com índios na Amazônia. Como na maior parte das escolas que visita, os professores de lá se queixavam da “falta de memória” das crianças, até para fixar conceitos considerados simples, como cores. Ela, então, perguntou a um aluno de que cor era a árvore. “Depende”, respondeu ele. Depende da parte da árvore, do tipo, da hora do dia e de como a luz incide sobre ela. Parece banal, mas é fundamental que o professor compreenda como o cérebro da criança funciona para ajudá-la a aprender. Caso contrário, o professor vai teimar que a árvore é verde e o aluno apenas vai decorar a resposta, sem que isso faça sentido para ele.


É muito importante que o professor saiba que o cérebro humano se organiza em torno da formação de significados. Um campo de significação é uma rede de informações e experiências relacionadas entre si que constituem sentidos para o indivíduo e possibilitam a formação de outros significados. A aprendizagem formal ocorre se houver, no procedimento pedagógico, previsão de trazer o novo relacionado a um conhecimento prévio do indivíduo, o que facilita construções e desdobramentos de sentidos.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/valorizar_experiencias_pessoais_dos_alunos_aumenta_aprendizado.html