domingo, 29 de janeiro de 2012

Síndromes Neurológicas Surpreendentes: I. A Síndrome de Capgras.




A síndrome de Capgras é caracterizada por uma convicção, por parte do doente, de que a sua esposa, outras pessoas, animais, objetos ou até ele mesmo, foram substituídos por cópias exatas, ou "impostores".

Ramachandram cita, por exemplo, um paciente que acreditava que o seu cão havia sido substituído por um outro idêntico; outra paciente era incapaz de reconhecer a sua própria imagem no espelho; outro, ainda, acreditava, todas as manhãs, que os seus tênis de corrida haviam sido trocados por réplicas exatas...

De acordo com o Dr. Matcheri Keshavan, Diretor Clínico do Center for the Neuroscience of Mental Disorders, de Pittsburgh, a explicação para essa estranha síndrome é a seguinte:
todos nós temos representações internas do mundo exterior, que incluem as outras pessoas e nós mesmos. Associados a essas representações existem sentimentos particulares. Quando disfunções em certas áreas do cérebro rompem as respostas emocionais a essas pessoas, animais ou objetos, a mente tenta encontrar uma explicação para o fato; a melhor explicação acaba sendo a de que aquele ser ou objeto é na verdade um impostor (ou uma réplica do original).

Essa é uma síndrome muito rara, mas é semelhante ao que ocorre por vezes em pessoas normais, com a sensação de "deja vu" ou "jamais vu". Também em sonhos muitas vezes vemos pessoas que conhecemos, mas elas "não parecem elas mesmas".

A síndrome de Capgras costuma ocorrer quando há lesão do lobo temporal direito.

Leia mais sobre a síndrome de Capgras clicando aqui.

Fontes: http://sadato.hypermart.net/weblog/neurologia/
http://www.post-gazette.com/pg/03266/224822.stm

Museu de Nova York usa metrô para estimular crianças autistas.



Programa favorece o exercício da linguagem e comunicação

Sem grande importância para a maioria das pessoas, o funcionamento de ônibus e trens do metrô é fascinante para muitas crianças com autismo. O transtorno é caracterizado principalmente pelo comprometimento do desenvolvimento sociocognitivo e da capacidade de estabelecer vínculos. Autistas têm o pensamento marcado pela concretude e sentem-se confortáveis com atividades repetitivas. Por isso, motores, engrenagens e a previsibilidade do transporte público, com paradas e horários fixos, costumam atrair sua atenção.

Não por acaso, o público mais fiel do Museu do Trânsito de Nova York é formado por autistas com menos de 10 anos de idade, alvo do programa Subway Sleuths (detetives do metrô), criado pela direção da instituição. Os pais são estimulados a levar os pequenos ao museu depois da escola. Durante a visita, as crianças são incentivadas a falar sobre o sistema metroviário da cidade e assim exercitam a linguagem e a comunicação com outras pessoas. Segundo o jornal The New York Times, algumas delas sabem com precisão datas em que os trens, por algum motivo, deixaram de operar e várias combinações possíveis de linhas para chegar a determinado destino.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/museu_de_nova_york_usa_metro_para_estimular_criancas_autistas.html

Mais Uma Ilusão Interessante !

Dr. Bravo e Sra. Sorriso



Olhando de perto, você pode ver, na face da esquerda, um homem com raiva e, na face da direita, uma mulher com uma expressão facial neutra. Mas as faces podem mudar as expressões e até os gêneros! Se você semi-cerrar os olhos, desfocar a imagem ou piscar, um homem raivoso deverá sbstituir a face da mulher e a face da esquerda se "acalmará".

Esta ilusão impressionante, criada pelos Drs. Aude Oliva e Philippe G. Schyns, ilustra a capacidade do sistema visual de separar informações oriundas de diferentes canais de freqüências. Na imagem da direita, altas freqüências espaciais (AFE) representam uma mulher com uma expressão facial neutra, misturada com a informação, contida em baixas freqüências espaciais (BFE), relativa à face de um homem com raiva. Na esquerda, a face do homem com raiva é representada em detalhes finos enquanto a informação do rosto de mulher subjacente é feita apenas de traços desfocados ("blobs").

As face ambíguas acima, denominadas "faces híbridas", estão publicadas na revista Cognition, 69, 243-265, 1999, Editora Elsevier.

Olhe os diamantes da imagem, alguns são mais escuros que os demais? Parece que sim, que os de cima são especialmente mais escuros, mas isso não é verdade. Olhe bem para a imagem.




Isso se deve à maneira como estão colocados, todos os diamantes possuem a mesma cor, no entanto os de baixo parecem mais claros que os de cima. Isso é o interessante desta ilusão de ótica, te fazem ver algo que não é verdade

Fonte: http://sadato.hypermart.net/weblog/visao/

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Dossiê: De bem com a vida - Golpe de sorte.

Como foi mostrado aqui e aqui, estamos apresentando as três reportagens ublicadas pela revista Mente e Cérebro sobre o tema De bem com a Vida.Os caminhos que o cérebro toma para entender e processar os mecanismos que nos levam a ficar em equilíbrio com a vida são muitos. Podemos, no entanto, aprender a olhar os acontecimento de maneira menos danosa para a nossa compreensão da felicidade.


Atribuir sucessos e fracassos ao acaso é cômodo; mas compreender as emoções e http://www.blogger.com/img/blank.gifusá-las a nosso favor pode criar excelentes oportunidades.http://www.blogger.com/img/blank.gif




A sorte é realmente cega? Psicólogos que trataram do tema explicam que, por trás da convicção de que somos “sortudos” ou “azarados”, há o desejo de manter os acontecimentos sob controle, sobretudo os que nos inquietam. A explicação tem antecedente histórico: já na década de 20 o antropólogo Bronislaw Malinowski observou que os pescadores nativos da Melanésia recorriam a magias sempre que tinham de explorar águas desconhecidas. Quando permaneciam em regiões vizinhas, porém, confiavam apenas nas próprias habilidades. “As superstições oferecem uma sensação ilusória de controle dos eventos, que pode ajudar a aplacar nossas ansiedades”, diz o psicólogo americano Stuart Vyse. “Por isso elas são necessárias nos momentos em que nos sentimos vulneráveis.”

Os argumentos são válidos, mas insuficientes, segundo o psicólogo Richard Wiseman, professor da Universidade de Hertfordshire, Inglaterra. Ex-ilusionista e interessado em fenômenos paranormais, Wiseman conduziu um complexo estudo sobre os mecanismos possivelmente relacionados à sorte. O projeto, financiado por várias instituições, entre as quais a Associação Britânica para o Avanço da Ciência, gerou um manual chamado O fator sorte, traduzido em mais de 20 idiomas.

Não é a primeira vez que a ciência tenta revelar as leis da sorte e do azar. Há alguns anos, o físico Richard A. J. Matthews estudou as chamadas leis de Murphy, a irônica suma do pessimismo resumida na máxima “se alguma coisa pode dar errado, dará”. Matthews investigou, em particular, por que uma fatia de pão com manteiga cai geralmente com o lado da manteiga para baixo. O fato foi confirmado por um estudo experimental, patrocinado por um fabricante de manteiga: o aparente azar deve-se simplesmente à relação física entre as dimensões da fatia e a altura em que estava colocada. São também explicáveis outros tipos de infortúnio, como o fato de que quando retiramos duas meias da gaveta geralmente elas não são do mesmo par.

Além disso, só damos atenção a certos fatos quando eles ocorrem – como a chegada do ônibus assim que se acende um cigarro –, o que contribui para reforçar nossos preconceitos e nos fazer ignorar as leis da probabilidade. “A diferença entre eventos ordinários e extraordinários é subjetiva”, explica o psicólogo Lorenzo Montali, da Universidade de Milão-Bicocca. “Estar atrasado, por exemplo, é um fato comum, mas certamente será recordado como um golpe de sorte se graças a ele somos salvos de um desastre.”

Ao estudar o pensamento não racional, Michael Wohl, psicólogo da Universidade Carleton, em Ontário, verificou que muitos jogadores obstinados estão convencidos de que podem influenciar o andamento de um jogo de azar graças à própria sorte, ignorando as leis da probabilidade e superestimando as possibilidades de vitória. Muitas vezes não nos damos conta de que certos eventos, como acertar na loteria, são raros, mas não impossíveis. “Quando ganhamos em um cassino, não pensamos no fato de que alguém tinha, necessariamente, de ganhar”, diz Montali.

Superstição e habilidade

A mesma conclusão foi obtida pelo estudo realizado em 2002 por Paola Bressan, professora de psicologia da Universidade de Pádua, e publicado em 2002 na revista Applied Cognitive Psychology. Ao pesquisar pessoas que acreditam em eventos paranormais, ela mostrou que certos acontecimentos parecem extraordinários porque não se leva em conta a probabilidade de que ocorram. Pesquisadores interessados nesses temas, porém, tendem a analisar comportamentos específicos e não a nossa relação com a sorte enquanto tal. Segundo Wiseman, isso ocorre porque “o conceito de sorte é difícil de definir, ou porque muitos psicólogos não gostam de enfrentar temas ligados à superstição ou à magia”.

Para traduzir esse conceito tão evasivo em termos concretos, Wiseman publicou em 1994 um anúncio no jornal solicitando que pessoas particularmente sortudas ou azaradas entrassem em contato com ele para que seus comportamentos fossem analisados. Descobriu que cerca de 9% desses indivíduos podiam ser considerados azarados e 12% favorecidos pela sorte.


ÍCONES DE AZAR, como o gato preto: certos fatos parecem extraordinários porque não levamos em conta sua probabilidade


Todos os outros entravam na média. A análise experimental dos traços de personalidade que distinguiam as duas categorias permitiu concluir que os azarados são mais tensos e concentrados, ao passo que os sortudos tendem a considerar as coisas de forma mais relaxada, mas sem perder de vista o contexto geral. Wiseman deu aos participantes um jornal, solicitando que contassem as fotos impressas e prometendo um prêmio aos que o fizessem corretamente. Ora, o número solicitado estava gravado de forma evidente sobre uma das páginas, algo que muitos “azarados” não perceberam, pois estavam concentrados demais na tarefa.

Se levarmos em conta os dados coletados, ter sorte significa saber escolher ou criar as oportunidades e as ocasiões mais vantajosas. “Estamos fazendo uma pesquisa estatística sobre o mecanismo que poderíamos definir com a expressão 'como o mundo é pequeno!'; tal mecanismo nos leva a encontrar freqüentemente pessoas que 'por acaso' conhecem outras pessoas ligadas a nós”, explica o psicólogo. “Sabemos que os 'felizardos' são também hábeis para estabelecer ligações entre diversos grupos de indivíduos, aumentando assim a possibilidade de encontros úteis.”

Os outros “fatores” da sorte consistem, segundo Wiseman, em seguir a própria intuição, ser otimista quanto ao futuro, não capitular diante das dificuldades e tentar, até onde possível, enfatizar aspectos positivos, inclusive dos eventos negativos. Em suma, trata-se de aprender a considerar as coisas de outra forma. Wiseman observa que dependendo do ponto de vista, mais que a situação em si, a pessoa pode se considerar bem ou mal sucedida. Em minha pesquisa, vários entrevistados acreditavam ter sorte na vida, mesmo que tivessem experimentado fatos dramáticos, doenças ou lutos. O que pensa uma pessoa que foi envolvida, involuntariamente, em incidente grave e “infeliz”, que saiu dele seriamente ferida mas, “felizmente”, viva? “Em geral, os pessimistas se julgam simplesmente realistas, mas os otimistas, ainda que vivam numa espécie de ilusão, desfrutam dos efeitos positivos dessa atitude”, assinala o psicólogo. O mesmo ocorre com pessoas que têm fé – tema de outra pesquisa de Wiseman –, algo que lhes permite dar sentido aos eventos que marcam a vida.


PERSEGUIDORES DE SIGNIFICADOS: atribuir valor sobrenatural a eventos cotidianos pode tornar o mundo menos ameaçador para alguns


Confiar na sorte é algo que, embora banal, está na base de nossa visão de mundo. Paola Bressan recorda que “a tendência a dar ordem e significado ao que acontece a nossa volta, criando rapidamente relações entre eventos simultâneos ou sucessivos – como o trovão e a tempestade ou a ingestão de comida estragada e mal-estar – é indispensável para a sobrevivência”. As pessoas mais inclinadas a essa atitude, os “perseguidores de significado”, conforme a expressão de Paola, tendem a subestimar as leis da probabilidade e a encontrar um maior número de “coincidências”, que atribuem à sorte ou a experiências paranormais. “Trata-se de ilusões cognitivas, que, porém, nos ajudam a viver melhor”, explica a psicóloga.

Atribuir os acontecimentos à sorte permite que a pessoa seja mais indulgente consigo mesma. “Segundo a teoria da atribuição, proposta em 1958 pelo psicólogo Fritz Heider, quando analisamos a causa de um fato, podemos nos basear em uma dimensão interna ou externa em relação a nós mesmos e estável ou instável quanto ao tempo”, explica Montali. Em suma, podemos atribuir o mau desempenho em um exame ao nosso despreparo, à má vontade do professor ou à constante antipatia deste em relação a nós.

Nessa perspectiva, sorte e azar são causas externas instáveis, que conferem sentido a um evento que até então não tinha sentido algum e reduzem a ansiedade causada pela incerteza. Ao mesmo tempo, isso nos absolve de qualquer culpa: “É um erro que protege o eu”, explica Montali, “tanto mais tendemos a atribuir os êxitos aos nossos talentos e os fracassos ao azar”. Esse erro pode alimentar preconceitos. “Um estudo feito em 1974 mostrou que indivíduos de ambos os sexos, interrogados sobre as causas do êxito profissional de pessoas famosas, tendem a atribuir o sucesso dos homens à capacidade destes e o das mulheres à sorte.”

“A superstição e o pensamento mágico são instrumentos para enfrentarmos a incerteza: quando nos consideramos azarados estamos dizendo que não somos responsáveis por nossos fracassos”, resume Wiseman, que hoje oferece verdadeiras “lições de sorte” a gerentes e outros interessados: “Alguns dos meus alunos 'azarados' conseguem mudar radicalmente a vida quando assimilam as regras que sugiro. Ser sortudo quer dizer enfrentar os problemas de forma criativa”.

Bruxos do bem


CARTAS DO DESTINO: recorrer a videntes é um modo de afastar incertezas


Recorrer a videntes também é uma forma de afastar incertezas, confiando a outros o nosso destino. Wiseman explica: “Essas pessoas, muitas vezes, levantam problemas que nem sequer existem, oferecendo-nos então uma solução custosa. E são bastante astutas para nos convencer de que sua intervenção afastou uma ameaça na verdade inexistente. Já aqueles que procuram videntes tendem a ignorar as predições negativas, concentrando-se nas positivas. É uma atitude típica de quem não gosta da incerteza. Minha experiência sugere que são justamente as situações indeterminadas que nos permitem assumir o controle sobre nossa vida”.

Muitos confiam ainda em amuletos, como, por exemplo, um objeto que carregavam consigo em um momento particularmente favorável da vida. “Os talismãs nos dão a sensação de que retomamos o controle da situação e têm a vantagem de não servir como desculpa para não enfrentarmos as situações; aliás, algumas pessoas 'sortudas' que estudamos carregavam um”, conclui o psicólogo. Wiseman está preparando um “amuleto científico”, isto é, um medalhão no qual serão inscritos os princípios que inspiram a “escola da sorte”. Sua proposta é testar experimentalmente a eficácia desse objeto com seus alunos.

Ficção e fortuna

Quem é mais simpático: Gastão ou o Pato Donald? Intérpretes do imaginário coletivo, os personagens de Walt Disney resumem também nossa atitude diante da sorte. Gastão é a tal ponto sortudo que às vezes é obrigado a se defender da sorte que o brinda constantemente com honrarias e prêmios. Pode nos fazer rir, mas a simpatia do leitor – e de Margarida, que Gastão tenta, em vão, conquistar – vai para o azarado Donald. Gastão é irritante porque não faz esforço para ganhar dinheiro e prestígio, enquanto o Pato Donald tenta, inutilmente, lutar contra o azar que o persegue. Tio Patinhas, por sua vez, obteve êxito financeiro com muito trabalho.

Em suma, a sorte nos agrada, mas os sortudos, nem tanto. “Em parte porque”, comenta Wiseman, “é sempre mais consolador encontrar alguém mais tolo ou azarado que nós.” E talvez também porque as cômicas desventuras dos personagens dos quadrinhos – catastróficas, mas sem conseqüências permanentes – nos ajudam a tornar mais leve acontecimentos graves. Torcemos pelo Coiote em suas tentativas, sempre fracassadas, de capturar Beep Beep. E gostamos da ironia com que Charlie Brown comenta os pequenos desastres cotidianos que marcam sua vida. A simpatia desses personagens nasce da energia com que enfrentam as dificuldades cotidianas. Assim, no mundo dos quadrinhos e do cinema, são poucos os personagens afortunados, como Lucky Luke, o imbatível pistoleiro criado pelo belga Morris.

Além disso, muitas vezes um super-herói deve suas características a um evento dramático que o tornou diferente das pessoas normais e tem, assim, um “calcanhar-de-aquiles” que nos faz temer por seu destino. O próprio mecanismo da narrativa, que precisa ser alimentado por infortúnios e contrastes, torna a sorte algo pouco atraente. Parafraseando Tolstoi, poderíamos dizer que todos os personagens sortudos são afortunados do mesmo modo e, portanto, um pouco tediosos. Isso foi explorado magistralmente por Pirandello ao retratar, no conto “O diploma”, o maléfico antiherói Rosário Chiàrchiaro, que solicita e obtém um reconhecimento oficial de seus poderes funestos. Assim, ele consegue ao menos extrair alguma vantagem da superstição de seus compatriotas, que condenaram sua família e ele próprio à marginalidade.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/dossie/dossie_de_bem_com_a_vida_-_golpe_de_sorte.html

Imagens mostram efeito neural do tédio.

Ausência de estímulos provoca diminuição de conexões neurais.




Que ocorre no cérebro quando estamos entediados? Pesquisadores da Universidade de Michigan convidaram alunos a realizar uma longa e repetitiva tarefa de identificar letras em uma parede enquanto tinham sua atividade neural monitorada por ressonância magnética. Sem mudança de cor, tamanho ou forma do alfabeto, o neurocientista Daniel Weissman, autor do experimento, pretendia simular uma situação monótona para analisar possíveis alterações neurais nos voluntários.



O pesquisador verificou que nos momentos em que as respostas dos participantes se tornavam mais lentas – o que indica queda na atenção, algo normal diante da ausência de estímulos – havia uma drástica diminuição da conexão entre as regiões neurais, principalmente as responsáveis pelo autocontrole, visão e linguagem. “A atenção funciona como uma espécie de 'lubrificante' para a troca de informações entre as áreas cerebrais. Nosso objetivo agora é verificar por que, apesar da falta de coordenação entre as regiões, algumas delas, como o córtex cingulado anterior, se tornam isoladamente mais ativas que outras”, diz o neurocientista.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/imagens_mostram_efeito_neural_do_tedio.html

O feminino e o masoquismo.

As transformações do lugar e do papel da mulher.




No ensaio Moral sexual “civilizada” e doença nervosa moderna, de 1908, Sigmund Freud afirma que as mulheres pagaram um preço bem mais alto do que os homens na constituição da civilização moderna, em razão dos sacrifícios eróticos e existenciais a que foram submetidas. Por essa razão, a histeria e a depressão (ou melancolia) tornaram-se as duas formas psicopatológicas que melhor representaram as perturbações psíquicas das mulheres recenseadas por Freud nos textos sobre a sexualidade feminina. Se, na histeria, a figura da mulher se contrapunha ativamente a sua redução à maternidade, na melancolia, a hemorragia libidinal ganhava destaque. Seja pela melancolia, seja pela histeria, o que estava sempre em pauta era o masoquismo como marca inconfundível do psiquismo feminino.

Em contrapartida, aos homens a liberdade sexual foi outorgada por meio da constituição de uma rede disseminada de bordéis, onde a luxúria podia ser cultivada com a garantia do controle sanitário das doenças sexualmente transmissíveis, a cargo da nova gestão médica do espaço social. A obrigatoriedade dos exames médicos das prostitutas era condição essencial para o exercício da profissão. Assim, enquanto a figura da mulher era caracterizada pela passividade e pelo masoquismo, a do homem distinguia-se pela atividade e pelo sadismo. De qualquer maneira, o poder feminino se realizaria de duas formas, na gestão do espaço doméstico e nas relações da família com as instituições médica e escolar. Cabia à mãe, então, relacionar-se com tais instituições, tendo em vista a promoção da saúde e da educação das crianças, na medida em que esses indicadores seriam os signos insofismáveis da qualidade de vida da população.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/o_feminino_e_o_masoquismo.html

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A chance de acertar.

A hesitação dos mais velhos rouba alguns segundos, mas permite que erros caiam pela metade comparados aos dos jovens.



Muitos ainda acreditam que atividades de precisão, como informática, e idosos não combinam, pois os mais velhos seriam confusos e propensos a se enganar. Resultados de pesquisas, porém, mostram que essa impressão pode ser preconceituosa: na prática, eles tendem a errar menos. É nisso que acredita o neurocientista Michael Falkenstein, do Instituto de Fisiologia do Trabalho da Universidade de Dortmund, na Alemanha. O pesquisador – que coordena estudos sobre as capacidades cognitivas de idosos e, em especial, de que maneira eles lidam com ambientes modernos de trabalho, em geral informatizados – percebeu que quando os voluntários de suas investigações cometem algum equívoco ao realizar tarefas simples no computador, seu cérebro emite uma “onda de erro” mais plana que a verificada em jovens.

Segundo Falkenstein, isso não significaria que a reação ao engano cometido é menor e sim que essas pessoas “ganham” alguns segundos antes de passar à próxima tarefa. Parece pouco, mas essa hesitação é o suficiente para detectar eventuais enganos e corrigi-los. O que, em princípio, parece uma desvantagem é bom, no final das contas: “Por essa razão, os mais velhos cometem apenas a metade dos erros dos mais jovens”, ressalta o pesquisador.

Essa lentidão produtiva revelou-se bastante nítida no cumprimento de uma tarefa proposta com o intuito deliberado de irritar os participantes. Eles deveriam clicar numa seta que apontava para determinada direção, tão logo ela aparecesse numa tela de computador. Pouco antes de sua aparição, porém, o programa esparramava diversas outras setas pelo monitor, apontando para todas as direções. Por causa dessa confusão, o tempo de reação dos jovens e dos idosos alongou-se consideravelmente e os mais novos cometeram maior número de erros.

No que diz respeito à compreensão e ao processamento da linguagem verbal, os mais velhos tampouco se saem pior. Nessa área, contudo, seu cérebro faz uso diverso dos próprios recursos. Foi o que descobriram neurologistas do Centro de Neurologia Cognitiva e da Doença de Alzheimer da Universidade Northwestern de Chicago, que testaram 50 pessoas com idade entre 23 e 78 anos. Deitados num tomógrafo de ressonância nuclear magnética, os voluntários foram solicitados a, partindo de duas listas, extrair pares de palavras aparentadas, semelhantes no significado ou na ortografia. Desta vez, os mais velhos se mostraram tão capazes quanto os jovens. E isso a despeito de regiões cerebrais tais como os lobos frontal e temporal esquerdo, e da menor atividade de determinados centros visuais responsáveis pelo reconhecimento e interpretação da linguagem. Em compensação, seu cérebro revelou atividade mais intensa em regiões responsáveis pela atenção, como o córtex cingulado posterior. “O cérebro não é, portanto, um órgão estático; de acordo com a idade ele desempenha as mesmas tarefas de forma diferente”, enfatiza o pesquisador Darten Gitelman, responsável pelo estudo.

Experimentos com animais comprovam a espantosa flexibilidade do cérebro. Células neurais em perfeito estado são capazes de assumir as funções de neurônios vizinhos, inutilizados em consequência de acidente ou derrame. Ademais, novas sinapses podem se formar. O cérebro, portanto, se mantém e se conserta sozinho, logrando assim preservar o próprio desempenho – ou mesmo incrementá-lo: quem aprende algo novo estimula sua rede neuronal a formar novas conexões e, ao fazê-lo, retarda o processo de envelhecimento.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/a_chance_de_acertar.html

Álcool na gravidez e as consequências para o bebê.

Além de dificultar a percepção de dor, prejudica o desempenho cognitivo da criança.



Um estudo da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, mostra que bebês cujas mães ingeriram álcool quando estavam grávidas demoram mais para reagir à dor. O autor do experimento, o neuropediatra Tim Oberlander, furou levemente com uma agulha o calcanhar dos 28 recém-nascidos antes de medir sua frequência cardíaca.

Em seguida, perguntou às mães se haviam ingerido álcool ao longo da gestação. “A frequência cardíaca aumentou mais entre os filhos de mulheres abstinentes. Isso quer dizer que perceberam e reagiram ao estímulo mais rapidamente”, explica Oberlander. Segundo o neuropediatra, experimentos anteriores comprovaram que crianças de mães que beberam durante a gravidez são menos atentas e têm pior desempenho em testes cognitivos. Mas as conseqüências no longo prazo, principalmente sobre o desenvolvimento psicológico, ainda precisam ser esclarecidas.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/alcool_na_gravidez_e_as_consequencias_para_o_bebe.html

sábado, 21 de janeiro de 2012

Do Túnel do Tempo: Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1910.

Ludwig Karl Martin Leonhard Albrecht Kossel (1853 - 1927) .



Bioquímico alemão nascido em Rostock, pesquisador da Universidade de Heidelberg cujos estudos foram fundamentais para conhecimento da composição química da célula, ganhador do Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina (1910) pela descoberta das bases adenina e timina do ácido nucleico. Ele era o filho primogênito do comerciante e cônsul prussiano Albrecht Kossel e de sua esposa Clara, née Jeppe. Foi educado na escola secundária em Rostock e depois (1872) foi estudar medicina na recém fundada Universidade de Estrasburgo, onde fo aluno de professores como Bary, Waldeyer, Kundt, Baeyer e foi influenciado especialmente por Hoppe-Seyler. Doutor em Medicina (1878) quando já era assistente no Instituto de Hoppe-Seyler de Físico-Química de Estrasburgo, qualificou-se (1881) como Lecturer de Química Fisiológica e Higiene. Convidado (1883) por E. du Bois-Reymond, assumiu a direção da Divisão Química do Instituto de Fisiologia em Berlim substituindo E. Baumann que tinha ido para Freiburg. No I.F. tornou-se (1887) professor extraordinário na Faculdade de Medicina. Mudou-se (1895) para Marburg, Hessen, como Professor Ordinário de Fisiologia e para dirigir o Instituto de Fisiologia de lá. Depois de seis anos (1901) voltou à Heidelberg, indicado por Kühne para assumir a vaga de Helmholtz, e ali permaneceria como professor até sua morte. Foi designado (1907) Geheimer Hofrat e neste mesm ano também presidiu o Sétimo Congresso Internacional de Fisiologia, em Heidelberg. Foi Pro-Reitor da Universidade de Heidelberg (1908-1909), cidade onde morreu, e doutor honorário em muitas outras instituições. Entre suas publicações mais importantes podem ser mencionadas Untersuchungen über die Nukleine und ihre Spaltungsprodubte (1881), Die Gewebe des menschlichen Körpers und ihre mikroskopische Untersuchung, dois volumes (1889-1891), Leitfaden für medizinisch-chemische Kurse (1888), Die Probleme der Biochemie (1908) e Die Beziehungen der Chemie zur Physiologie (1913).

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/AlbrecKo.html

"Pessoas em estado de tranquilidade gastam mais".



Um estudo realizado por americanos e asiáticos, comprovou o que empiricamente os cassinos já haviam descoberto. Pessoas que estão relaxadas gastam muito mais livremente do que aquelas que não estão muito à vontade.


Os pesquisadores induziram as mais de 670 pessoas avaliadas a determinados estados emocionais utilizando uma variedade de estímulos visuais e sonoros cuidadosamente escolhidos. Depois de serem induzidas a uma condição "relaxada" ou a uma "menos relaxada, mas igualmente agradável", as pessoas foram solicitadas a avaliar o valor monetário de diversos produtos.


Em todos os 6 experimentos conduzidos, as pessoas que se sentiam mais relaxadas atribuíam valores monetários mais elevados, ou seja, gastavam mais dinheiro.


Por que o relaxamento nos torna mais propensos à gastar? É que quando nos sentimos seguros, somos mais capazes de concentrar nossa atenção em todas as potenciais recompensas em jogo. Ao invés de nos preocuparmos com o preço, contemplamos as vantagens de termos determinados objetos.


O mesmo conceito adotado pelos novos cassinos, enfatizando a importância do relaxamento, já vem sendo adotado por diversos outros tipos de estabelecimentos, desde hotéis a shopping centers.

Fonte: http://cerebro-online.blogspot.com/2011/11/pessoas-em-estado-de-tranquilidade.html

Dossiê: De bem com a vida - O poder do riso.

A Revista Mente e Cérebro publicou uma trilogia de reportagens que falam acerca do dom de viver bem. Como pode ser conferido aqui, já mostramos a primeira dessas três reportagens e, agora, mostraremos a segunda parte. Em breve, a terceira delas.

A capacidade de achar graça tem sido estudada seriamente nos últimos anos. A gelotologia mostra o que está por trás de uma boa gargalhada.



Quando ouvimos uma boa piada, daquelas que nos fazem desatar a rir, nossa boca produz uma série de sons vocálicos, cada um com duração de 1/16 de segundo, repetindo-se a cada 1/5 de segundo. O diafragma sacode, o coração bate mais rápido, a pressão arterial sobe e as pupilas se dilatam. Enquanto emitimos esses sons, o ar sai de nossos pulmões a mais de 100 km/h, antes que, passados cerca de dois segundos, a operação se repita. E quem quer que esteja ouvindo essa barulheira, muito provavelmente vai ficar curioso e querer saber o que está perdendo.

Adultos riem 20 vezes por dia, em média. Crianças, até dez vezes mais. Rir é componente tão sólido da existência humana que esquecemos como são curiosos esses acessos de alegria. Por que rimos quando alguém conta uma piada ou nos toca de leve a sola dos pés? O sr. Spock, por exemplo, tripulante da nave Enterprise na série Jornada nas estrelas, não entendia as risadinhas dos terráqueos: “Humor? É um conceito estranho. Não tem lógica”, dizia. O escritor húngaro Arthur Köstler (1905-1983) caracterizava o riso como um reflexo de luxo, sem nenhuma utilidade biológica.

De modo geral, porém, a Natureza não faz investimentos insensatos e costuma livrar-se de características inúteis. Portanto, o ímpeto de rir deve ter contribuído para a sobrevivência no decorrer da evolução, ou nossas gargalhadas teriam tido o mesmo destino dos dinossauros. Filósofos da Antigüidade formularam teorias sobre a natureza do humor, mas, na ciência, o fenômeno permaneceu obscuro por muito tempo.

Atualmente há muitos estudos sobre características humanas elementares, tais como a capacidade de sentir medo, mas a pesquisa sobre o riso – a gelotologia – pouco a pouco ganha espaço. As tecnologias de imageamento cerebral permitem que neurologistas observem como diferentes regiões do cérebro reagem às piadas. Os resultados mostram que humor é coisa séria, demanda certas capacidades mentais e desempenha papel central na vida em sociedade. Muitos gelotologistas chegam a considerar o riso a mais antiga forma de comunicação.


PARA O SR. SPOCK, personagem de Jornada nas estrelas, humor é “conceito sem lógica”


É provável que nossos antepassados tenham começado a rir muito antes do advento da fala. Nossos centros da linguagem situam-se no córtex mais recente, ao passo que o riso provém de uma parte mais antiga do cérebro, responsável também por emoções tão primordiais quanto o medo e a alegria. É por isso, aliás, que o riso escapa ao controle consciente. Não se pode rir de verdade atendendo a um comando e tampouco é possível reprimir voluntariamente uma boa gargalhada. “Estamos falando de algo bastante arraigado na natureza humana”, afirma Robert Provine, psicólogo da Universidade de Maryland, em Baltimore, um dos pioneiros na pesquisa do humor.

Rir é uma faculdade inata ou adquirida? A questão divide os pesquisadores. Um recém-nascido já sorri dormindo, embora se trate apenas de um reflexo involuntário. Só aos 3 meses surge o primeiro sorriso “deliberado” do bebê, provocado pela visão de pessoas conhecidas, como pais ou irmãos. Por isso se diz que a criança começa a rir porque as pessoas próximas riem para ela com freqüência.

Dom humano

Na década de 40, o psicólogo americano James Leuba demonstrou que não era bem assim. Sempre que fazia cócegas em seus dois filhos, ele usava uma máscara para ocultar qualquer expressão facial que sugerisse diversão. Tão logo o dedo paterno roçava-lhes a barriga, as crianças explodiam em gargalhadas. O riso, portanto, não é mimético. Mesmo crianças nascidas surdas ou cegas começam a rir por volta dos 3 meses. Embora o padrão de som emitido por elas seja diferente, o desenvolvimento do humor segue vias mais ou menos parecidas. Isso sugere que o humor está firmemente instalado no cérebro.

É natural que um dom humano tão fundamental tenha despertado o interesse da neurologia. Armados de equipamentos de eletroencefalografia (EEG) e de tomografia por ressonância magnética funcional (fMRI), os neurocientistas decidiram investigar o centro do humor.

Nessa busca, Itzhak Fried, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, teve ajuda do acaso. Procurando a origem dos ataques epilépticos de uma de suas pacientes, o neurocirurgião implantou eletrodos na superfície do cérebro da adolescente de 16 anos para observar a atividade neuronal. Além disso, esse método permitia estimular, com fracas correntes elétricas, determinadas regiões cerebrais. Com isso, Fried conseguiu influenciar a competência lingüística da paciente, bem como a capacidade de movimento de sua mão. Então algo espantoso aconteceu. Quando os pesquisadores estimularam a área motora suplementar (AMS), no lobo frontal esquerdo, a garota de repente começou a rir. Fried elevou a corrente elétrica, e ouviu uma gargalhada retumbante. Quis saber onde estava a graça. “Vocês, médicos!”, explicou a paciente, divertindo-se a valer. “Vocês são uns sujeitos engraçados, andando em volta da gente.”


SÓ AOS 3 MESES surge o primeiro sorriso “deliberado” do bebê, provocado pela visão de pessoas conhecidas


A AMS, com seus poucos centímetros quadrados, desempenha papel central no planejamento das ações. Sempre que desejamos nos mover ou dizer alguma coisa, essa região é ativada. Os sinais avançam, então, rumo ao córtex motor, que controla os músculos necessários à execução da ação.

Ao que tudo indica, também o acionamento dos músculos do riso tem seu ponto de partida na AMS. A descoberta causou furor. A imprensa se apressou em anunciar que o centro do humor no cérebro havia sido encontrado. Mas logo na publicação de seus resultados Fried freou qualquer euforia precoce. O riso certamente teria um componente físico, mas também um aspecto cognitivo e outro emocional. Esse fato não autorizaria restringir o senso de humor a uma única região do cérebro.

Viagem criativa

Ouvir uma piada, achar engraçado, rir. Por trás dessa cadeia causal aparentemente tão cotidiana e natural oculta-se um processo trabalhoso. De acordo com a teoria da incongruência, o humor se baseia na percepção de uma incoerência, de um paradoxo. Entender uma piada verbal – lida ou contada – demanda vários passos do pensamento. Primeiro, especulamos sobre o desfecho lógico da história, substituído por um final inesperado. De início, a comicidade do arremate parece sem sentido, pois não se encaixa no contexto. Por isso ficamos perplexos por um breve instante. Depois o cérebro se lança à solução do problema. Abandonamos, então, o ponto de vista inicial e procuramos uma perspectiva a partir da qual a comicidade da conclusão seja compatível com o restante da história. Por fim ocorre-nos que o sentido da piada, adquirido com a mudança de perspectiva, talvez não seja óbvio, mas é divertido – e atestamos esse novo e surpreendente conhecimento no mínimo com um sorriso. Todo esse processo se passa em alguns segundos.

O humor é uma espécie de viagem exploratória e criativa, na qual importa que nos distanciemos rapidamente de expectativas e previsões aventadas no início. Saltamos para uma nova perspectiva e, como recompensa, vivemos uma divertida e surpreendente descoberta. O psicólogo Peter Derks, da Faculdade William & Mary, na Virgínia, tornou visível esse salto mental com o auxílio da eletroencefalografia. Enquanto dez participantes de uma experiência liam ou ouviam uma série de piadas, Derks registrava o padrão da atividade elétrica no cérebro. Para determinar com exatidão o momento da risada, um eletrodo adicional foi fixado ao músculo zigomático dos voluntários – responsável por elevar os cantos da boca quando rimos. O psicólogo constatou que a atividade cerebral não se restringe a determinada área, ao contrário, estende-se por boa parte do córtex. Em seguida, ele analisou mais profundamente a seqüência temporal das ondas e vales no traçado da atividade elétrica cerebral e teve uma surpresa. Cerca de 1/5 de segundo depois do desfecho cômico de cada piada os potenciais elétricos disparavam de repente rumo a valores positivos. Outros 140 milissegundos e as linhas oscilavam de forma igualmente abrupta, mas na direção contrária e apenas nas pessoas que compreendiam a piada e riam. Dispondo dessas informações, Derks era capaz de prever se os participantes achariam engraçada ou não uma piada antes mesmo de a menor sugestão de sorriso esboçar-se. O humor teria de fato sua fonte no cérebro e repousaria sobre mecanismos cognitivos.


NEUROBIOLOGIA DA PIADA: observar expressão de riso no outro pode deflagrar a mesma atitude em nós


Derks não conseguiu descobrir exatamente em que regiões cerebrais reside o senso de humor. O hemisfério direito, no entanto, deve ter algo a ver com isso, particularmente o lobo frontal direito. Pessoas com alguma lesão nessa área não apenas sofrem de alterações da personalidade, como tendem também a achar tudo engraçado – riem demais, e nos momentos errados.

A neuropsicóloga Prathiba Shammi, da Universidade de Toronto, seguiu essa pista e testou o papel do lobo frontal direito. Numa espécie de teste de múltipla escolha apresentou piadas com diferentes finais aos participantes de sua experiência: final lógico mas não engraçado, final com arremate cômico e final burlesco.

Arremate cômico

Exemplo: um estudante se candidata a um emprego de férias. “No começo, você vai ganhar 150 euros por semana”, diz o patrão. “Mas, no próximo mês, o salário sobe para 200 euros.” As possíveis respostas do estudante: “Aceito. Quando começo?”. Ou: “Puxa, que legal. Volto no mês que vem!”. Ele ainda poderia dizer: “Ei, chefe, esse seu nariz é grande demais para sua cara”. A tarefa dos participantes consistia em escolher a versão mais engraçada. Tanto as pessoas saudáveis quanto as com lesão cerebral fora do córtex frontal sempre compreendiam a piada, completando-a com o arremate cômico apropriado (a segunda opção). Os portadores de alguma lesão no lobo frontal direito em geral optaram pelo final grotesco (o último).

A comicidade depende do elemento surpresa – isso também os pacientes parecem perceber, mas não que o final burlesco não tenha sentido no contexto geral proposto. Como supõe Shammi, as piadas mais elaboradas lhes escapam porque eles não são capazes de dar o salto mental em direção à outra perspectiva, imprescindível à compreensão. Ainda assim, os participantes com lesões cerebrais foram perfeitamente capazes de tirar conclusões sensatas.


GÁS DO RISO: até ser usado como anestésico por volta de 1840, o óxido nitroso foi conhecido por suas propriedades hilariantes e usado para fins recrecionais


Até recentemente ignorava-se o papel desempenhado pelo lobo frontal direito em humanos. O córtex frontal é a área cerebral que mais cresceu na história evolutiva. A ele o ser humano deve suas singulares capacidades cognitivas. Ali são tiradas conclusões e resolvidos problemas complexos. De acordo com os estudos de Vinod Goel, da Universidade de Toronto, o lobo frontal direito confere a flexibilidade mental, e os pacientes com lesões nessa região têm dificuldade em abandonar idéias e noções já concebidas.

Os psicólogos gostam de testar essa flexibilidade com ajuda de exercícios que consistem em completar palavras. Eles propõem as sílabas iniciais e os pacientes devem completar com um final óbvio e outro mais original. Por exemplo, “cata...logo” seria uma solução simples, ao passo que “cata...crese”, uma solução mais elaborada.

A “mudança de perspectiva” é crucial quando se passa de uma solução logicamente antecipada para um cenário desconcertante. Mas nós freqüentemente mudamos de perspectiva sem rir a cada vez. Para entender esse mistério, e principalmente a diferença entre compreender uma piada e considerá-la engraçada, Goel decidiu estudar a vertente emocional do riso. Reuniu 14 pessoas saudáveis e as fez ouvir uma fita com piadas que seguiam sempre o mesmo padrão de pergunta e resposta: “Por que os tubarões não devoram advogados? Porque até os tubarões têm lá seu orgulho”. Usando a fMRI, os pesquisadores mediram a atividade cerebral dos participantes.

Que a porção posterior do lobo temporal esquerdo fosse se iluminar, isso eles já esperavam. Afinal, aí se situa uma área importante para o processamento da linguagem. Mas também a região correspondente do lado oposto revelou-se ativa, e isso foi algo incomum: em geral, o lobo temporal direito permanece quieto quando a linguagem está em ação. A fim de processar os jogos de palavras, porém, o cérebro dos participantes parecia se valer dos dois hemisférios.

Mas, como Goel suspeitava, essas atividades neuronais refletem apenas o processo meramente cognitivo. Faltava analisar o “aspecto afetivo”, o componente emocional. Entender uma piada é uma coisa; divertir-se com ela é outra bem diferente. Essa diferença se manifesta também no plano neurobiológico. Tão logo os participantes da experiência achavam graça numa piada, ativava-se ainda outra região de seu cérebro: o chamado córtex pré-frontal ventromedial. E quanto maior a diversão, tanto mais intensa a atividade. Sabemos, por outros experimentos, que essa área está ligada de alguma forma a nosso sistema de recompensa, que entra em ação, por exemplo, quando saboreamos um delicioso almoço, temos relações sexuais ou nos alegramos com algum sucesso intelectual. Portanto, o prazer de uma boa gargalhada compartilha as características de outros prazeres.

Fora dos trilhos

Quando se trata de comer ou se reproduzir, o prazer é uma recompensa que garante a perenidade dessas atividades e a sobrevivência da espécie. O fato de que exista um “prêmio pelo riso” sob forma de recompensa hedônica pelos mesmos circuitos neuronais sugere que o riso desempenhou um importante papel na evolução da espécie humana.

A neurologista Barbara Wild, da Universidade de Tübingen, Alemanha, estuda de que maneira o cérebro reage aos desenhos animados do cartunista americano Gary Larson. O observador precisa se pôr mentalmente no lugar das personagens da ação e, depois, abandonar esse posto, para então rir da situação infeliz em que se encontram.

Ao investigar a neurologia da piada, pesquisadores do humor fazem descobertas acerca de funções ainda mais enigmáticas do cérebro. Os primeiros resultados dessas pesquisas mostram que o desenho é processado em conjunto por diversas regiões cerebrais. Além do córtex frontal, ativam-se importantes centros da emoção em áreas que, do ponto de vista evolutivo, são mais antigas, tais como a amígdala e o hipocampo. Isso evidencia como são profundas as raízes do senso de humor no sistema nervoso.

Pouco a pouco, portanto, desfaz-se a névoa em torno dessa qualidade tão humana. Mas por que, afinal, a possuímos? A esse respeito, mesmo munidos da fMRI e da eletroencefalografia, os pesquisadores podem apenas especular. Segundo o especialista em inteligência artificial Marvin Minsky, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, é provável que o humor tenha se desenvolvido para chamar nossa atenção para os erros do pensamento lógico e das conclusões que tiramos. Supondo que o pensamento fosse um trem, a risada o deteria quando ele avançasse por trilhos errados. Wild concorda: “O cérebro se ocupa constantemente de formular regras. Mas são as exceções, as guinadas surpreendentes, que mais nos chamam a atenção”, explica. Essas mudanças abruptas podem gerar sentimentos negativos, mas despertam os positivos também. “Quando descobrimos que o novo não é ruim nem uma ameaça, rimos aliviados.”

Para o neurocientista Vilayanur Ramachandran, da Universidade da Califórnia em San Diego, um dos pioneiros no estudo das bases da consciência, “a principal utilidade do ato de rir consistia originalmente em dar ao indivíduo uma possibilidade de comunicar a seu grupo social que a anomalia por ele descoberta era trivial e não oferecia motivo para preocupação”. Assim, “há! há! há!” significa desmobilização: não há perigo, relaxem. De resto, o riso desarma não apenas no âmbito proverbial, mas também no sentido biológico: ele rompe a reação de “lutar ou fugir” que situações ameaçadoras deflagram, faz cair o nível de adrenalina e contribui para reduzir a tensão.

Wild gostaria de fazer uso terapêutico desses efeitos positivos no tratamento de distúrbios como a depressão. “Em psicoterapia, o humor parece ser tabu”, diz. “E, no entanto, rir liberta. Mais importante ainda, talvez: rir nos mostra que, a qualquer momento, podemos mudar nosso modo de encarar as coisas.” É precisamente a essência de toda piada que Wild gostaria de comunicar a seus pacientes – se necessário, com uma pitada de ironia. “Devemos compreender que nossos problemas podem ser encarados de uma perspectiva totalmente diferente, capaz de revelar seu lado cômico.”

SAIBA MAIS
História do riso e do escárnio. George Minois. Editora Unesp,
2004.

Laughter, a scientific investigation. R. Provine. Viking Books, 2000.

Neural correlates of laughter and humour. B. Wild et al., em Brain, vol. 126, 2003.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/dossie/dossie_de_bem_com_a_vida_-__o_poder_do_riso.html

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O tempo a favor do seu cérebro.

Pessoas maduras usam de forma mais freqüente os dois hemisférios cerebrais.



A expectativa de vida aumentou significativamente. Há apenas um século a média nos países desenvolvidos era de 47 anos e agora está em 78; dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados no mês passado mostram que em três décadas o tempo médio de vida no país aumentou 11 anos. Por conta dessa mudança, a meia-idade tem sido reconhecida como um período extremamente produtivo. E, ao contrário do que por muito tempo os cientistas (e as pessoas em geral) acreditaram, o envelhecimento não é, necessariamente, sinônimo de decadência.

De fato algumas funções, como a área da memória responsável por recordar nomes, entram em declínio. Mas, ao mesmo tempo, a habilidade de formar juízos mais exatos sobre as pessoas e situações relacionadas a finanças, por exemplo, fica mais aguçada. Com o passar do tempo, as redes neurais constroem padrões de ligação que podem ser pensados como camadas entrelaçadas de conhecimentos que nos permitem reconhecer instantaneamente as semelhanças entre situações e discernir-las provavelmente com mais precisão do que teríamos na juventude.

Descobertas recentes mostram que o cérebro da meia-idade, em vez de desistir e ceder, adapta-se. À medida que envelhecemos, ele se torna mais ativo e áreas maiores são alocadas para solucionar problemas. Nesse momento, as pessoas que mais exercitam as aptidões cognitivas levam vantagem: são elas que melhor conseguem “reaprender” a usar suas habilidades. Em alguns casos, como constataram pesquisadores da Universidade Duke, as pessoas maduras começam a usar de forma mais frequente os dois hemisférios cerebrais, em vez de “privilegiar” um deles – um recurso chamado bilateralização. Especialmente aqueles que recrutam a força do poderoso córtex cerebral frontal desenvolvem o que os cientistas chamam de “reserva cognitiva”, uma proteção contra os efeitos do envelhecimento.

Esse recurso fornece os mais velhos, por exemplo, a chegar mais depressa ao ponto central de uma discussão do que os jovens, ou seja: captar a essência, avaliar a situação, sem agir de maneira precipitada. Essa reserva cerebral também pode afastar os primeiros sintomas externos de doenças como Alzheimer. E há fortes indícios de que algo simples como a educação – ou o trabalho – seria a chave para construir essa proteção cerebral para a vida inteira

Embora certamente tenha seus riscos aumentados com a velhice, a demência é uma doença específica. Se mantivermos um caminho normal de envelhecimento, sem grandes enfermidades, nosso cérebro poderá permanecer em condições relativamente boas. Agora que a ciência sabe que não perdemos milhões dessas células ao envelhecer, de repente parece plausível que, se olharmos com bastante atenção, descubramos maneiras mais fáceis de manter nossos neurônios em boa forma.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/o_tempo_a_favor_do_seu_cerebro.html

Capacidade intelectual ajuda a viver mais.

Pessoas mais inteligentes estão menos sujeitas à exposição de riscos.



Recentemente, pesquisadores fizeram uma descoberta surpreendente e polêmica: quanto mais baixo o nível intelectual de uma pessoa, maior o risco de ela ter vida mais curta, desenvolver doenças físicas e mentais e morrer de problemas cardiovasculares ou de causas violentas. Na edição de fevereiro a série sobre longevidade traz artigo dos psicólogos Ian J. Deary e Alexander Weiss e do epidemiologista G. David Batty, pesquisadores da Universidade de Edimburgo.

Os autores apresentam pesquisas com resultados curiosos: baixos níveis de inteligência parecem ampliar o perigo de uma pessoa sofrer danos físicos. Em estudos longitudinais, quanto menor a pontuação nos testes de capacidade intelectual, maior era a probabilidade de os voluntários cometerem suicídio, morrerem por homicídio ou desenvolverem doenças letais que poderiam ter sido evitadas. A descoberta permitiu explorar a relação entre capacidade intelectual e hospitalização por agressão, e foi constatado que homens mais inteligentes estavam menos sujeitos a sofrer violência física. Da mesma forma, o risco de se envolver em luta ou briga era, pelo menos, oito vezes maior para os que obtiveram menores pontuações nos testes. Dados de ferimentos não intencionais – como os provocados por acidentes de trânsito – também seguiram essa tendência, dobrando o risco para pessoas na extremidade da curva de distribuição de inteligência em comparação com os que estavam no topo da curva.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/capacidade_intelectual_ajuda_a_viver_mais.html

Como a aparência dos alimentos influencia o sabor.

Estimular o cérebro com imagens de comida saudável nos ajuda a percebê-la como mais saborosa.



O que o cérebro percebe como sabor é uma fusão dos efeitos de três sentidos: paladar, tato e olfato. A visão, no entanto, também
tem papel importante nessa experiência sensorial, como mostra um experimento feito por pesquisadores franceses. Eles coloriram
um vinho branco para que parecesse tinto. O corante não tinha cheiro e a aparência ficou idêntica. Em seguida, pediram a vários especialistas que descrevessem o sabor da bebida. A maioria deles usou expressões que geralmente se referem ao vinho tinto, como “encorpado” e “quente”, o que sugere que o aspecto foi decisivo na percepção do gosto.

A percepção do sabor depende de células sensoriais, localizadas junto às papilas gustativas, que nos permitem distinguir qualidades como temperatura e intensidade do tempero. Por exemplo, quando o colocamos o alimentos na boca, há ativação de células localizadas no final da passagem nasal. Elas coletam informações que interagem com as células sensórias da língua por meio de um processo chamado orientação olfativa. A interação é tal que o simples cheiro de baunilha evoca a percepção de que ela tem gosto doce. Experimente mastigar uma bala com aroma artificial de baunilha. Você provavelmente irá detectar a doçura e um pouco de acidez, junto com a sensação dura – e depois suave – da bala, mas não irá detectar exatamente um sabor de baunilha. No entanto, o cheiro do doce ativa as células relacionadas à detecção de odor e o gosto da bala se revela.

Embora a visão aparentemente represente um papel menos direto que o cheiro na percepção do sabor, ela é o sentido mais usado para identificar os alimentos e, portanto, afeta as expectativas em relação à comida. A visão de uma taça de sorvete ou uma pizza saindo do forno ativa centros neurais superiores, como o sistema de gratificação e recompensa da dopamina. Ao longo da evolução, nosso cérebro aprendeu a identificar alimentos com maior valor energético, pois eram garantia de mais tempo sem ter que procurar comida, atribuindo-lhes mais sabor. Não é de hoje que os cientistas pesquisam a participação do sentido da visão na percepção do que é ou não saboroso. Um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology sugere, por exemplo, que estimular o cérebro com imagens de alimentos saudáveis nos ajuda a percebê-los como mais saborosos. Pesquisadores da Universidade Utrecht, na Holanda, mostraram a voluntários fotos de pratos considerados mais leves e menos gordurosos, como saladas e frutas frescas. Em seguida, convidaram os participantes e um grupo de controle, que não viu as fotografias, a provarem esses alimentos. Os que olharam para as imagens antes de comer usaram mais adjetivos como “tentadora” e “deliciosa” para avaliar a comida. Estudar a influência da visão sobre a percepção de sabor pode ajudar a criar medidas preventivas para problemas relacionados à alimentação, como a obesidade, desvendando mecanismos envolvidos na necessidade e no desejo de consumir alimentos mais calóricos.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/como_a_aparencia_dos_alimentos_influencia_o_sabor.html

Paixão, um diagnóstico.

O encantamento de uma pessoa por outra pode ser acompanhado por exames de neuroimagem.



Já faz algum tempo que amor e paixão deixaram de ser domínio dos poetas e filósofos e passaram a figurar no leque de temas de interesse da neurociência. Afinal, que propriedade do cérebro pode ser mais intrigante do que sua capacidade de se apaixonar por outro cérebro – e, claro, o corpo que o acompanha?

Com a tecnologia moderna, nada mais fácil do que colocar voluntários devidamente apaixonados dentro de um aparelho de ressonância magnética funcional e investigar que partes do cérebro se “acendem” quando o objeto do seu desejo é avistado – em comparação, por exemplo, à visão de outras pessoas igualmente bonitas, ou do mesmo sexo e idade, mas não tão especiais quanto aquela por quem o cérebro se apaixonou. O único problema é determinar, primeiro, quem de fato está devidamente apaixonado. Não é bem uma questão trivial, mesmo porque envolve um alto grau de honestidade para consigo mesmo que nem todos têm, e que não adianta querer ter. Para quem está em dúvida, eis uma pequena lista de critérios diagnósticos (de nenhum valor médico, por favor!):

- Pensamentos obsessivos e intrusivos a respeito de uma única pessoa, como se seu cérebro não conseguisse afastar sua ideia da mente;
- Motivação aumentada quanto a tudo o que puder colocá-lo na presença desta pessoa, seja atravessar a cidade para encontrá- la em um bar, reorganizar toda sua agenda da semana ou fazer mágicas para conseguir uma passagem de avião;
- Necessidade diminuída de sono, pois qualquer oportunidade de ficar acordado na presença daquela pessoa (ou de sua voz, ou avatar e texto em programas de mensagens instantâneas ou SMS) é agarrada com unhas e dentes;
- Sensação de euforia em sua presença, acompanhada de otimismo incorrigível e um sorriso bobo no rosto;
- Olhar fixado no outro, que rouba o foco da sua atenção e torna tudo ao redor irrelevante;
- Necessidade de tocar no outro, acompanhada de manifestações fisiológicas variadas (coração disparado, pele eletrizada, rosto ruborizado) e desejo sexual irresistível;
- Ideação constante sobre futuros possíveis com essa pessoa especial; e
- Angústia da separação, uma ansiedade terrível em resposta a meros pensamentos sobre distanciamento e eventualmente morte da pessoa em questão.

Quem já esteve profundamente apaixonado saberá se reconhecer aqui; quem está em dúvida pode tentar se “diagnosticar”. Pessoalmente, acho que a angústia da separação é um excelente critério de desambiguação. Faça uma lista mental de pessoas do seu conhecimento e – em segredo, e de maneira totalmente hipotética! – “mate-as” uma a uma. A morte do síndico do seu prédio ou de seu chefe não deve incomodá-lo muito; a morte de um tio talvez seja lamentável, mas suportável. Já a morte de um filho, ou daquela pessoa em especial... bingo!

Foi por causa dessa lista de características tão particulares que a antropóloga Helen Fisher, especialista em amor e paixão, propôs que esta fosse considerada não um sentimento ou emoção, mas um estado particular de hipermotivação e atenção focado na pessoa querida. Anos depois, a ressonância magnética confirmou: o cérebro apaixonado tem seu sistema de recompensa e motivação, centrado no estriado ventral, hiperativado por tudo o que é direta ou vagamente relacionado ao objeto do desejo. Tudo a seu respeito é maravilhoso, desejável e certamente digno dos maiores esforços.

Conhecer suas origens no estriado ventral torna a paixão menos maravilhosa? Nem um pouco, eu diria. Se esse pedacinho de nada do meu cérebro pode me fazer sentir assim... uau!

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/paixao_um_diagnostico.html

Fazendo o cérebro crescer.

Pessoas com grande capacidade de concentração têm maior volume cerebral.



Pesquisas já comprovaram que a meditação ajuda a diminuir a ansiedade e o limiar da dor – e, em alguns casos, é crucial para atingir esse resultado. E traz ainda duas enormes vantagens: a pessoa ganha autonomia para buscar o próprio bem-estar e não precisa fazer grande investimento financeiro para isso.

Agora, estudiosos da Universidade da Califórnia em Los Angeles descobriram os benefícios da prática para a anatomia cerebral. Eles observaram que áreas como hipocampo, córtex orbitofrontal, tálamo e giro temporal inferior (todas associadas à regulação das emoções) de pessoas que tinham o hábito de meditar entre 10 e 90 minutos por dia há pelo menos quatro anos eram maiores em comparação às mesmas regiões de participantes do grupo-controle que não meditavam.

Imagens obtidas por ressonância magnética funcional (FRM) indicaram que esse volume maior se deve à maior quantidade de substância cinzenta, onde se concentram os corpos celulares dos neurônios (origem dos impulsos nervosos), diferentemente da substância branca, na qual predominam os axônios (os prolongamentos por onde viajam as informações até encontrar outro neurônio). Segundo os autores do estudo, publicado no periódico NeuroImag, esses resultados parecem oferecer uma pista importante sobre a extraordinária capacidade dos adeptos da meditação de controlar as emoções e responder melhor aos estímulos estressores do cotidiano.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/fazendo_o_cerebro_crescer.html

sábado, 14 de janeiro de 2012

Estímulos urbanos e estresse.

Moradores de metrópoles têm maior dificuldade para controlar emoções.



Milhares de rostos desconhecidos, congestionamentos diários, criminalidade. Viver nas grandes cidades implica uma série de desafios neurais. O psiquiatra Andreas Meyer-Linderberg, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, reuniu estudantes da zona rural, de pequenos centros urbanos e de metrópoles, e pediu que resolvessem uma prova simples de matemática, com um detalhe: enquanto faziam a tarefa, eram pressionados por um pesquisador da equipe do psiquiatra, que enfatizava a importância do teste e criticava o desempenho de todos os voluntários.

Os resultados, obtidos por meio de imagens do cérebro dos participantes, mostram que, nos habitantes das capitais, houve maior atividade na amígdala e no córtex cingulado anterior, regiões envolvidas no controle das emoções e na resposta a estímulos estressores. Em artigo publicado na revista Nature, Meyer-Linderberg sugere que os moradores de centrosurbanos desenvolvem uma espécie de “hipersensibilidade” em áreas associadas ao estresse. O pesquisador pretende estudar se há alguma relação entre essa reação acentuada e o surgimento de transtornos psíquicos – cuja incidência é proporcionalmente maior em metrópoles – e de doenças mentais em pessoas com predisposição genética.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/estimulos_urbanos_e_estresse.html

De bom humor.

Prática de meditação auxilia na prevenção da depressão.



Resultados de um experimento publicado em maio no periódico científico International Journal of Psychophysiology, por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Toho, no Japão, comprovam como a respiração consciente pode ajudar as pessoas a se sentir mais tranquilas e bem-dispostas. Para chegarem a essa conclusão, os cientistas ensinaram os participantes do estudo, todos eles saudáveis, a respirar profundamente com o abdômen. Depois de terem focado a atenção nesse movimento por 20 minutos, as pessoas foram entrevistadas e relataram diminuição de sensações negativas e melhora do humor. Exames de neuroimagem realizados antes e depois da prática mostraram por que sentiam isso: havia maior evidência de neurotransmissores serotoninérgicos no sangue e mais hemoglobinas oxigenadas no córtex pré-frontal, área associada à atenção e ao processamento de alta elaboração.

Outro estudo sobre os efeitos do controle da respiração, publicado na edição de abril da Cognitive Therapy and Research, se deteve nos sintomas da depressão. Pesquisadores da Universidade Ruhr- Bochum, na Alemanha, solicitaram aos voluntários do estudo, todos eles também saudáveis, que durante 18 minutos permanecessem atentos à entrada e saída do ar dos pulmões, procurando não deixar a mente se perder em divagações. Ao fim dos testes, os que foram capazes de manter contato consciente com sua respiração relataram diminuição de pensamentos negativos e de desvalorização de si mesmos, bem como maior controle das idéias insistentes e dos sintomas depressivos.

“Essas conclusões nos levam a considerar que o exercício de manter a consciência plena no aqui e agora por meio da respiração e da prática da meditação tem papel importante na prevenção da depressão”, diz o autor do estudo, o psicólogo Jan M. Burg. “Isso pode ajudar as pessoas a se distanciar de idéias insistentes, um importante fator de risco para depressão.”

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/de_bom_humor.html

Preços altos aguçam o sistema de recompensa.

Sistema visual favorece estímulos vantajosos para a sobrevivência.



“Quanto mais caro, mais bonito”, prega o senso comum. A novidade é que a ideia pode mesmo fazer sentido – pelo menos para nosso sistema visual. Em um estudo publicado na revista Neuron, pesquisadores da Universidade da Califórnia monitoraram a atividade cerebral de voluntários enquanto estes observavam fotografias de um mesmo modelo de carro, mas de cores diferentes, associadas aleatoriamente a preços, exibidos discretamente ao lado do veículo.

As imagens neurais mostraram maior ativação de áreas relacionadas à percepção de formas e cores quando os participantes fixavam o olhar nos automóveis com valor fictício maior. “Objetos percebidos como valiosos ou acessíveis para poucos parecem ativar o sistema de recompensa”, diz o psicólogo John Serences, autor do estudo. Segundo ele, a associação inconsciente entre dinheiro e recompensa influi na elaboração das informações visuais. “É como se, ao olharmos para várias mercadorias, as mais caras fossem percebidas com maior nitidez, como se estivessem iluminadas por um feixe de luz”, exemplifica Serences.

Além disso, a maioria dos voluntários disse preferir esteticamente as cores “mais caras”. “Aparentemente o sistema visual privilegia estímulos vantajosos para a sobrevivência, como o respeito do grupo ou o acúmulo de bens, o que influencia as tomadas de decisão”, observa o psicólogo, que pretende estudar mecanismos cerebrais envolvidos na associação entre beleza e preço em pessoas com compulsão por comprar.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/precos_altos_agucam_o_sistema_de_recompensa.html

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ratos com parceiras são menos vulneráveis às drogas.

Laços afetivos diminuem o prazer sentido com substâncias químicas.



Vários estudos têm mostrado relação entre ausência de vínculos afetivos e maior vulnerabilidade à dependência química. Agora, uma pesquisa com ratos silvestres expostos à anfetamina mostra que os animais com parceiras sexuais fixas procuram repetir as doses da substância com menor freqüência que os roedores “solteiros”.

A droga ativa a produção de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer. Segundo a autora do estudo, a neurocientista Kimberly Young, da Universidade do Estado da Flórida, o cérebro dos ratos em relações estáveis tinha menos receptores ao composto químico. O experimento mostra que os laços afetivos nos deixam menos suscetíveis ao prazer obtido com as drogas.

A anfetamina é uma droga sintética de efeito estimulante da atividade mental. A denominação “anfetaminas” é atribuída a todo um grupo de substâncias como: fenproporex, metilfenidato, manzidol, metanfetamina e dietilpropiona. Todas essas são comercializadas sob a forma de medicamento. Um outro tipo de anfetamina, bem conhecido, porém de uso ilícito, logo, não encontrado em farmácias, é a metilenodioximetanfetamina (MDMA), conhecida por “êxtase”.
O uso clínico mais comum dessa categoria de substâncias é como moderador de apetite. Esse uso é aconselhado apenas em casos de obesidade mórbida, por se tratar de uma substância que provoca dependência, dado este, pouco conhecido pelos pacientes. Outro uso clínico comum é em pacientes diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.



As anfetaminas também são conhecidas como “Rebite” pelos motoristas que precisam dirigir várias horas seguidas sem descansar, sendo ingeridas, neste caso pelo seu efeito de inibição do sono. Já entre os estudantes, é conhecida por “bola”, e é também utilizada para inibição de sono com objetivo de passar a noite inteira estudando.

As anfetaminas possuem diferentes formas de uso – via oral, por comprimido ou solução, fumada e por via injetável.

Mecanismo de Ação

A ação da anfetamina é estimulante, provocando aceleração do funcionamento mental, por meio do aumento da liberação e tempo de atuação de dopamina e noradrenalina no cérebro.

A dopamina é o nerotransmissor que se relaciona à dependência, proporcionando sensação de prazer. Além disso, está relacionada ao comportamento motor fino, cognição/percepção, controle hormonal e sistema neurovegetativo, este último relacionado a comportamentos motivacionais, de desejo, como fome, sede e sexo. Já a noradrenalina é relacionada ao controle de humor, motivação, cognição/percepção, comportamento motor fino e manutenção da pressão arterial.

O efeito do aumento desses neurotransmissores no cérebro é uma alteração nas funções de raciocínio, emoções, visão e audição, provocando sensação de satisfação e euforia. Essa alteração provoca prejuízo cognitivo relacionado à atenção, planejamento e tomada de decisões. Quando administrada pela via injetável, tem início de ação bem rápido. Já pela via oral, tem um início de ação lento, porém dura de oito a dez horas.

Efeitos no Organismo

A pessoa sob o efeito de anfetamina tem insônia, perde o apetite, fica eufórica (cheia de energia) e com uma fala acelerada. Além disso, apresenta sensação de poder, irritabilidade, prejuízo do julgamento, suor e calafrios. A pupila dilata-se, efeito chamado midríase, sendo prejudicial e perigoso para os motoristas que a consomem, pois ficam com o olho mais sensível aos faróis dos carros.

A circulação sanguínea é prejudicada pela contração das artérias, outro efeito da substância, reduzindo oxigenação e transporte de nutrientes importantes. A pressão arterial é elevada e há aumento da freqüência de batimentos cardíacos (taquicardia), podendo gerar infarto agudo do miocárdio ou arritmias cardíacas, sendo ambos potencialmente letais.

No cérebro podem ocorrer acidentes vasculares (derrames) e isquemias (prejuízo na circulação sanguínea em pequenas áreas), acarretando como conseqüência, neste último caso, diminuição da atenção, concentração e memória. Convulsões é outro efeito do uso de anfetamina pela elevação da temperatura do corpo.

A redução da sensação de fadiga ocasionada pela anfetamina pode ser prejudicial, já que ao disfarçar o cansaço provoca um esforço excessivo para o corpo. Porém, quando o efeito da droga passa, o usuário sente uma grande falta de energia e depressão, não conseguindo realizar nem as tarefas que fazia anteriormente ao uso.

Conseqüências Negativas

Por ser uma droga que provoca dependência, o usuário tem que consumir maiores quantidades de comprimidos para obter os mesmos efeitos (tolerância). Quando o uso de anfetamina é crônico, a dose tem que ser aumentada, não só pela tolerância, mas para evitar sintomas de abstinência como aumento de apetite, cansaço e sonolência.

É comum que pessoas que utilizam anfetamina com o objetivo de perder peso, voltem a engordar quando interrompem o seu uso. Assim, sua indicação é mais adequada a pacientes com obesidade mórbida (pessoas muito obesas). Apesar disso, grande parte dos usuários de anfetaminas são mulheres e muitas delas sofrem de dismorfia corporal, ou seja, têm uma visão distorcida do seu corpo. O uso indevido e prolongado pode provocar alterações psíquicas, lesões cerebrais e aumenta do risco de convulsões e overdose.

Quando é consumida em quantidade excessiva, todos os efeitos no organismo são agravados e surgem outros como agressividade e temperamento irritadiço. Além disso, o usuário passa a suspeitar de que outros estão tramando contra ele, ficando num estado de alerta exagerado conhecido como delírio persecutório.

Dependendo da sensibilidade do indivíduo ele pode entrar num verdadeiro estado de paranóia, conhecida como psicose anfetamínica. A sensibilização do indivíduo pode ocorrer por um uso crônico, fazendo com que esses efeitos negativos já apareçam em baixas doses da droga. Há pesquisas em animais de laboratório que comprovam a degeneração celular no cérebro, provocando lesões irreversíveis pelo uso abusivo do psicotrópico.


Fontes: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/ratos_com_parceiras_sao_menos_vulneraveis_as_drogas.html
http://www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/conteudo/index.php?id_conteudo=11285&rastro=INFORMA%C3%87%C3%95ES+SOBRE+DROGAS%2FTipos+de+drogas/Anfetaminas#definicao

A tecnologia avançada revela a atividade de neurônios individuais durante as crises epilépticas .



O primeiro estudo a examinar a atividade de centenas de células individuais do cérebro humano durante as crises concluiu que as crises começam com extremamente diversificada atividade neuronal, ao contrário da visão clássica de que são caracterizados por atividade maciçamente sincronizado. O estudo feito por pesquisadores da Massachusetts General Hospital (MGH) e da Universidade Brown os fez observar mudanças de apreensão pré-atividade neuronal, tanto em células onde as crises originam e nas células vizinhas.

A reportagem será exibida na revista Nature Neuroscience e está recebendo a publicação em linha avançada. "Nossos resultados sugerem que diferentes grupos de neurônios desempenham papéis distintos em diferentes fases das crises", diz Sydney Cash, MD, PhD, do Departamento de Neurologia MGH, autor sênior do papel. "Eles também indicam que ele pode ser possível prever crises iminentes, e que a intervenção clínica para prevenir ou detê-los, provavelmente, deve orientar os grupos específicos de neurônios." As crises epilépticas têm sido relatados desde os tempos antigos, e hoje 50 milhões de pessoas no mundo são afetadas, mas muito permanece desconhecido sobre como começar apreensões, difundir e fim.

O conhecimento atual sobre o que acontece no cérebro durante as crises em grande parte vem de leituras EEG, que refletem a atividade média de milhões de neurônios ao mesmo tempo. Este estudo utilizou uma neurotecnologia que registra a atividade de células individuais do cérebro através de um sensor implantado o tamanho de uma aspirina infantil. Os investigadores analisaram dados recolhidos a partir de quatro pacientes com epilepsia focal - crises que se originam em tecidos cerebrais anormais - que não pôde ser controlada por medicação. Os participantes tiveram a sensores implantados na camada externa do tecido cerebral para localizar as áreas anormais antes da remoção cirúrgica.

Os sensores registravam a atividade de entre dezenas a mais de uma centena de neurônios individuais em períodos de cinco a dez dias, durante o qual cada paciente experimentou várias crises. Em alguns participantes, as gravações detectaram mudanças na atividade neuronal, tanto quanto três minutos antes de uma crise começa e revelou altamente diversificada atividade neuronal, como começa a apreensão e se espalha. A atividade torna-se mais sincronizados para o fim da crise e quase completamente interrompida quando uma crise termina. "Mesmo que cada indivíduo tinha diferentes padrões de atividade neural que conduzem a uma apreensão, na maioria deles, foi possível detectar mudanças na atividade de apreensão antes da próxima", diz o co-ligação e correspondente autor Wilson Truccolo, PhD, universidade de Brown Departamento de Neurociências e um bolseiro de investigação de MGH. "Ainda estamos muito longe de ser capaz de prever uma crise - que poderia ser um avanço importante no tratamento da epilepsia - mas este trabalho aponta para a frente Para a maioria dos pacientes, é a natureza imprevisível de epilepsia que é assim. debilitante, tão só saber quando um ataque vai acontecer iria melhorar a sua qualidade de vida e poderá um dia permitir aos médicos a parar antes que comece. " Caixa acrescenta, "Estamos usando métodos cada vez mais sofisticados para lidar com grandes quantidades de dados que estamos coletando dos pacientes. Agora estamos a avaliar o quão bem nós realmente podemos prever crises usando conjuntos de neurônios isolados e continuam a usar estas técnicas avançadas de gravação para desvendar os mecanismos que causam crises humanas e alavancar esse conhecimento para aproveitar ao máximo a modelos animais. "

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1170-a-tecnologia-avancada-revela-a-atividade-de-neuronios-individuais-durante-as-crises.html

Capturados pela cleptomania.

Distúrbio estimula furto de objetos dos quais a pessoa não tem necessidade.



A cleptomania não é um distúrbio comum. Estimativas como a da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que apenas 5% daqueles que cometem furtos apresentam o problema, enquanto na população em geral o distúrbio atinge cerca de seis pessoas em cada mil. O termo vem do grego – kléptein, roubar, subtrair – e foi usado pela primeira vez em 1836 pelo psiquiatra francês Jean-Etienne Dominique Esquirol para indicar uma irresistível propensão ao furto causada, não por uma falta de senso moral, mas por um distúrbio da mente.

Nas últimas duas décadas foi possível observar o aumento de interesse de médicos e pesquisadores em aspectos psiquiátricos e neurobiológicos do transtorno. Do ponto de vista médico e legal o distúrbio pode ser considerado uma conduta compulsiva que compromete gravemente a possibilidade da pessoa de determinar o próprio comportamento. Os cleptomaníacos roubam sem a ajuda de cúmplices e agem de maneira impulsiva – embora geralmente se sintam culpados, percebam o risco de consequências legais e procurem evitá-lo. Além disso, não tiram proveito dos objetos roubados: na maioria das vezes, os jogam fora ou os oferecem de presente, mas podem também colecioná-los e até devolvê-los às escondidas, o que aumenta o perigo de serem pegos. Em casos em que é realizado de improviso, de maneira quase automática, como em transe, o furto pode ter a função de servir aos pacientes para regular os próprios estados de ânimo e combater sentimentos depressivos: nessas ocasiões pode ser recomendado o uso de medicamentos que reduzam a impulsividade e estabilizem o humor, como os antiepiléticos ou os sais de lítio.

O pesquisador Eric Hollander, da Mount Sinai School of Medicine de Nova York, foi pioneiro no agrupamento de patologias bastante heterogêneas no espectro obsessivocompulsivo. Nos dois extremos estão, de um lado, os sintomas mais claramente ditados pela compulsão, como os rituais e a anorexia nervosa, e, do outro, os dominados pelo impulso, como os jogos de azar patológicos, a dependência de substâncias químicas, a bulimia e a cleptomania. As primeiras são mais frequentemente associadas à depressão, enquanto as segundas ao transtorno bipolar. A semelhança do comportamento dos cleptomaníacos com o dos toxicodependentes, que buscam de modo repetitivo uma recompensa específica apesar dos riscos e das desvantagens para sua vida, levou alguns pesquisadores a usar na cleptomania alguns medicamentos que combatem o efeito dos opioides endógenos, com resultados aparentemente encorajantes. O pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Minnesota John Grant, um dos maiores especialistas mundiais em cleptomania, ressalta que existem vários subtipos do distúrbio que podem fazê-lo se parecer mais com uma patologia obsessivo-compulsiva, um transtorno do humor ou uma dependência: por isso a escolha do tratamento deve ser precedida, para não se tornar ineficaz, por uma avaliação cuidadosa e individualizada do paciente. Mas em qualquer situação, com ou sem o uso de medicamentos, o acompanhamento psicoterápico é fundamental.

Onde procurar ajuda

Várias instituições – em geral universidades onde há cursos de psicologia e centros de formação nessa área – oferecem atendimento gratuito ou a preços reduzidos para quem deseja ajuda profissional. Em São Paulo, o Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (Amiti), que funciona no Hospital das Clínicas (HC), acompanha pessoas com cleptomania (informações pelo e-mail contato@amiti.com.br ou site http://www.amiti.com.br). A Clínica Psicológica da Universidade Presbiteriana Mackenzie atende gratuitamente (as consultas são marcadas das 8h às 20h, pelo tel. 11 3256-6827). Já Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP), também em São Paulo, encaminha os interessados em atendimento para profissional credenciado (contatos pelo telefone 11 3865-0017). A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebe as inscrições para psicoterapia a partir de fevereiro (tels. 21 2295-8113/3873-5326 ou pelo site www.psicologia.efrj.br). Em Recife, a Universidade Católica de Pernambuco mantém plantão psicológico às segundas e quartas durante todo o dia; as duas primeiras sessões são gratuitas e pelas demais é cobrado valor simbólico (mais informações pelo telefone (81) 2119-4115 ou pelo site www.unicap.br).

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/capturados_pela_cleptomania.html

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Peça de teatro baseada em caso clínico.

Texto remete aos primeiros relatos do criador da psicanálise.



Uma professora de francês de pouco mais de 40 anos chega ao consultório do psicanalista Dr. Goldstein queixando-se de dores nas articulações. Decidiu procurá-lo depois de consultar vários médicos e não ter encontrado uma solução para o problema, que parecia não ter nenhuma causa orgânica. Ao longo das sessões, revela-se uma mulher solitária, que se divide entre as aulas e a companhia da irmã, com quem vive em uma casa confortável desde a morte da mãe. Os sintomas da protagonista, interpretada pela atriz Helena Ranaldi, incluem mal-estar, apatia e dores que por vezes impedem o caminhar, descritos por Sigmund Freud como sinais físicos que refletem repressões e desejos inconscientes. Baseada em um caso clínico acompanhado pelo médico Ronaldo Levigard nos anos 80, a peça O caso Valkiria R., em cartaz no Rio de Janeiro, remete aos primeiros relatos do criador da psicanálise, como “o caso Dora” e “Anna O.”.

As cenas de sessões com o analista alternam-se com representações dos registros mentais de Valkiria. Em suas narrativas, a figura da irmã confunde-se com a imagem da própria mãe, que sofria de esquizofrenia e com quem Valkiria teve uma relação distante. Refém de padrões adquiridos na infância, ela sente necessidade de prestar contas à irmã e de parecer perfeita a seus olhos, ao mesmo tempo que nutre vários ressentimentos por ela. “Dr. Goldstein (Marcos Breda) a conduz no processo de aprender a enxergar essa relação de codependência com 'olhos de adulta'”, diz a atriz Yásmin Gazal, que vive a irmã da protagonista.

“Li casos clínicos e roteiros que envolviam conceitos da psicanálise. Inspirei-me na psicanalista Melanie Klein para compor a terapeuta que Valkiria teve na infância e em Freud para criar o psicanalista que ela encontrou quando adulta”, diz a roteirista Cláudia Süssekind, autora do texto, revisado pelo psicanalista Waldemar Zusman. O caso Valkiria R. retrata, em pouco mais de uma hora, várias facetas do processo analítico. Ao reviver e elaborar simbolicamente suas lembranças e afetos, a protagonista estabelece com seu analista o fenômeno clínico que Freud chamou de transferência. “O tratamento mostra que somos responsáveis por nossa vida. Como escreveu Freud, 'chega uma hora em que se deve renunciar a todos os pais e ficar de pé sozinho'”, diz Cláudia.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/peca_de_teatro_baseada_em_caso_clinico.html

A resistência herdada.

Aptidão para superar desafios tem contribuição genética.



Especialistas ressaltam que ser resiliente não é negar o sofrimento e a decepção, emendando um relacionamento amoroso em outro, por exemplo, sem viver o luto da separação –, pois isso pode trazer outros problemas como repetição de padrões destrutivos e aparecimento de sintomas físicos. Pessoas resilientes entram em contato com a frustração, mas não permanecem na bipolaridade do “tudo ou nada”, buscam reparações sem perder a essência da experiência vivida. Ou seja: aceitam o aprendizado e a frustração mas não se prendem à limitação, procuram possibilidades.

Grandes vencedores – como o ciclista Lance Armstrong, que se recuperou de um câncer de testículo e venceu o circuito da França sete vezes – são psiquicamente mais capazes de suportar dificuldades. A novidade é que essa habilidade necessária para lutar contra doenças graves, recuperar-se de desilusão amorosa, vencer nos esportes, ser aprovado no vestibular ou em uma entrevista de emprego pode, em grande parte, ser herdada. É o que sugere um estudo desenvolvido pelo pesquisador Tony Vernon, da Universidade de Western Ontário, no Canadá, que trabalhou com 219 pares de gêmeos. Os voluntários preencheram questionários para que o pesquisador investigasse as contribuições genéticas e ambientais de quatro fatores associados à resistência mental: controle sobre a própria vida; comprometimento com projetos pessoais; confiança; disposição para encarar desafios. Vernon concluiu que 52% da variável “resistência mental” é hereditária.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/a_resistencia_herdada.html

Menor preocupação na ida ao dentista.

Conversa com profissional antes da extração de “dentes do siso” pode atenuar ansiedade e percepção de dor.



As ciências médicas evoluíram. Anestésicos, instrumentos esterilizados e vários recursos tecnológicos eram luxos impensáveis para quem precisava tratar problemas dentários há algumas décadas. Apesar dos avanços, a ida ao dentista ainda provoca arrepios em muita gente – metade dos adultos não enfrenta com tranquilidade o tratamento dentário e 10% da população sofre de medo descontrolado, denominado odontofobia.

Uma das situações que muitos consideram desconfortável e até mesmo traumática é a extração dos terceiros molares, popularmente conhecidos como “dentes do siso”, que não têm utilidade na mastigação e costumam causar dores de cabeça quando começam a se desenvolver, por volta dos 18 anos de idade. Não raro a operação é postergada até que surjam infecções na boca ou o crescimento dos molares comprometa a conformação da arcada dental. No entanto, a ansiedade e a percepção de dor podem ser atenuadas com uma única consulta psicológica antes da extração. É o que mostra uma pesquisa conduzida pela psicóloga Juliana Zanatta, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), com 123 pessoas atendidas na instituição.

Parte dos pacientes assistiu a vídeos que informavam sobre o procedimento e o pós-operatório e pôde tirar dúvidas e falar de seus receios. Todos os voluntários tiveram sua pressão e freqüência cardíaca medidas antes e depois da operação e responderam a questionários que avaliavam seu estado emocional e suas expectativas sobre a cirurgia. Como resultado, o grupo que recebeu a consulta mostrou menos dor e ansiedade. Juliana sugere que uma simples conversa entre cirurgião e paciente antes da intervenção pode reduzir em muito o desconforto. “É uma forma de tornar o procedimento mais seguro para os dois lados. Os níveis de ansiedade costumam ser altos e, em alguns casos, chegam a comprometer o atendimento odontológico”, diz a pesquisadora.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/psicologia.html