sexta-feira, 16 de abril de 2010

Crianças com dor de cabeça têm mais problemas de comportamento




Crianças com queixas de dor de cabeça apresentam mais problemas de comportamento, como retraimento, reação emocional e agressividade, quando comparadas a um grupo de crianças sem essas queixas. De acordo com a pesquisa Dor, temperamento e problemas de comportamento em crianças com queixa de dor de cabeça, da psicóloga Luciana Leonetti Correia, estas crianças também apresentam reação de desconforto em relação à intensidade de som, luz e movimento, que podem aparecer nos primeiros meses de vida, sendo um importante potencial indicador de dor de cabeça em fases posteriores do desenvolvimento.

Luciana apresentou os resultados em sua tese de doutorado, defendida em março na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, sob a orientação da professora Maria Beatriz Martins Linhares. “A chance de a criança apresentar queixas de dor de cabeça é cerca de cinco vezes maior nas famílias cujas mães também apresentam essa dor”, revela a psicóloga que também participa como trainee internacional do grupo canadense “Dor na Saúde da Criança” (Pain in Child Health – PICH).

Foram avaliadas 75 crianças, cadastradas em Núcleos do Programa de Saúde da Família vinculados a FMRP na fase pré-escolar, com idade entre três e cinco anos. A queixa de dor de cabeça prevaleceu em 29% delas, de acordo com o relato materno. O objetivo foi investigar a relação entre dor de cabeça, temperamento e problemas de comportamento em crianças com idade pré-escolar, que eram procedentes da população geral, sem diagnóstico prévio de dor de cabeça. A amostra de crianças foi dividida em dois grupos: um que apresentou queixas de dor de cabeça e outro que não apresentou.

Comportamento

As crianças foram avaliadas com base em questionários validados, respondidos pelas mães biológicas, sobre indicadores de temperamento e comportamento da criança e queixas de dor de cabeça por parte delas e dos membros da família. Os dados foram submetidos à análise estatística, sendo realizada a comparação entre os dois grupos e a análise dos indicadores de risco que melhor explicavam a queixa da criança.

Quanto ao temperamento da criança, o grupo com queixa apresentou mais desconforto, que está relacionado a qualidades sensoriais de estimulação tais como intensidade de som, luz e movimento. “Esse desconforto aparece no início do desenvolvimento, podendo ser observado nos primeiros meses de idade. Como esse grupo apresentou média mais alta na dimensão ‘desconforto’, esse pode ser um importante indicador potencial de dor de cabeça em fases posteriores do desenvolvimento”, revela a pesquisadora.

Os resultados para problemas de comportamento forneceram indicadores potenciais de risco para psicopatologia da criança. As crianças comqueixas estão mais expostas para manifestarem problemas de comportamento, do tipo queixas somáticas, como retraimento e reação emocional, chamada de eixo internalizante pela literatura científica, e agressivo, chamado eixo externalizante, quando comparadas ao outro grupo, além de queixas de outras dores, como por exemplo, abdominal. Do total de crianças pesquisadas, a prevalência para queixas de dor abdominal foi de 15%. O estudo também encontrou associação entrequeixas de dor abdominal e de cabeça. “Isso indica a importância de se atentar para um conjunto de indicadores de dor. Além disso, outros estudos na literatura que investigam esta questão têm proposto que ambasqueixas podem fazer parte de uma única condição sintomatológica, que seria a ‘migrânea-abdominal’”, explica Luciana.

De mãe pra filho
A pesquisa descobriu também que na presença de dor de cabeça materna, do tipo enxaqueca,crianças apresentavam uma chance de quase cinco vezes mais a ter queixa de dor de cabeça, com relação à identificação e sintomas de dor de cabeça entre criança, mãe e outros membros da família. Segundo a autora, a prevalência de queixa pode estar associada comqueixas dessa dor na família, que pode ocorrer devido a fatores genéticos, como mostra a literatura, ou pela perspectiva da aprendizagem social, ou seja, por meio de modelos de dor que estão presentes no ambiente da família.

Segundo a orientadora do estudo, professora Maria Beatriz, esses resultados podem ter desdobramentos para programas na prevenção de risco em mães e crianças com queixa de dor de cabeça, no sentido de identificar outras dores associadas e reconhecer indicadores ou precursores de problemas ao longo do desenvolvimento de crianças. Por outro lado, torna-se também relevante rastrear preventivamente indicadores de dor de cabeça em filhos de mães que apresentam cefaléia.

Mais informações: (16) 3235-0377 com a pesquisadora ou (16) 3602.4610, com a professora Maria Beatriz.

domingo, 11 de abril de 2010

NEURUECE retoma período letivo


Atendendo ao calendário de atividades da Universidade Estadual do Ceará, a Liga de Neurociências da UECE retoma as atividades de 2010 com as energias redobradas. No dia 19 de abril, serão restabelecidas as atividades previstas de acordo com o planejamento do "Intensivão" realizado no último mês de março.

Certamente 2010 será um ano marcante para NEURUECE, que hoje conta com o maior número de atividades e orientadores entre as ligas UECEanas.

São atividades previstas para 2010:

* Seminários e palestras;
* Estágio Neurologia Clínica no HGF;
* Estágio em Neurocirurgia no Hospital Batista;
* Congresso Cearense de Neurologia e Neurocirurgia
* Pesquisas em AVC, Educação Médica, Dor, Tumores Cerebrais, Doppler Intra-operatório, Cirurgia Buco-Maxilo-Facial e Pressão Intracraniana;
* Congressos Brasileiros de Neurologia (Rio de Janeiro) e de Neurocirurgia;
* Publicação do Atlas de Neuroanatomia;
* Curso de Exame Neurológico;
* I Curso Cearense de Neurociências;e
* Monitorias de Neuroanatomia e Neurofisiologia.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Novo site da NEURUECE



Ainda mais interativo, o site da Liga de Neurociências da UECE desponta como um dos mais completos sites de ligas de neurociências do Brasil. Com uma proposta inovadora de se tornar ferramenta indispensável ao estudo e compreensão das neurociências, o NeuroSite da NEURUECE tem uma abordagem simples, prática e muito interativa. Novos recursos como o Twitter e a "Neurologia da Leigos" tornam o site mais dinâmico e pronto para sanar as principais dúvidas em neurociências.

O objetivo é ter, em um mês, o triplo de informações que o site apresentou na época da sua inauguração, incorporando conteúdos como provas de residências médicas, monitorias acadêmicas, livros, apostilas, currículo essencial em neurociências, atlas de neuroanatomia e um conteúdo dedicado ao público leigo.

NEURUECE oficializa estágio em Neurologia Clinica


A Liga de Neurociências da UECE e o Serviço de Neurologia do Hospital Geral de Fortaleza, via coordenação de estágios médicos do Hospital Geral de Fortaleza, oficializaram a realização do estágio em Neurologia Clínica. Um dos poucos estágios do gênero no Brasil, o estágio em Neurologia Clínica nasce com uma atuação ampliada em todos os setores do melhor serviço de Neurologia do estado, tendo atuação nos ambulatórios de Neurologia, enfermaria e emergências neurológicas e Unidade de Tratamento do AVC. O estágio terá duração de 12 meses, sendo um mês de férias, e carga-horária semanal máxima de 12h. O propósito do limite de carga-horária máxima é permitir que todos os estagiários possam rodar em todos os setores do Serviço e que ainda tenham disponibilidade ao estágio em Neurocirurgia do Hospital Batista, o mais novo grande parceiro da NEURUECE.

Iniciado o I Atlas Cearense de Neuroanatomia


Com o propósito de se tornar referência para estudantes da área da saúde do Brasil inteiro, a Liga de Neurociências da UECE dá a largada para a construção do I Atlas Cearense Virtual de Neuroanatomia.

A partir da sinalização positiva do Secretário de Saúde do Estado, do Serviço de Verificação de Óbitos de Fortaleza e do Centro de Ciências da Saúde, dia 27 de março, serão iniciados os trabalhos do Atlas. O propósito é criar uma ferramenta de consulta complementar aos atlas atualmente disponíveis no mercado e de forma gratuita e amplamente acessível. O roteiro estabelecido foi criado por ex-monitores em Anatomia Humana e retrata as principais dúvidas do alunato. Assim, com a proposta inovadora de se tornar um instrumento de ensino interativo em Neuroanatomia, o Atlas da NEURUECE promete tornar-se um amigo inseparável no estudo da Neuroanatomia.

O Atlas contará ainda com correlatos orientados para a clínica, aproximando ainda mais a realidade da Neuroanatomia à prática médica.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Pais superprotetores travam cérebro dos filhos, mostra pesquisa

WENDY ZUKERMAN
da New Scientist


Pais superprotetores inibem mais que a liberdade de seus filhos: eles também arriscam reduzir a velocidade de crescimento do cérebro em uma área vinculada a doenças mentais.

Um novo estudo mostrou que as crianças cujos pais são superprotetores ou negligentes sejam mais suscetíveis a desordens psiquiátricas --que, por sua vez, são associadas a problemas em parte do córtex pré-frontal.

Para pesquisar o vínculo entre o comportamento dos pais e o problema mental dos filhos, Kosuke Narita, da Universidade de Gunma, no Japão, analisou os cérebros de 50 pessoas na faixa dos 20 anos e pediu a eles que respondessem a um questionário sobre sua relação com os pais durante os primeiros 16 anos de suas vidas.

Os pesquisadores utilizaram um modelo de questionário chamado "Instrumento de Vínculo Paterno e Materno", uma maneira internacionalmente reconhecida de avaliar o relacionamento dos filhos com seus pais.

O método pede aos participantes que deem notas aos seus pais de acordo com declarações como "Não queria que eu crescesse", "Tentou controlar tudo o que eu fazia" e "Tentou me deixar dependente dele/dela".

Pais negligentes

A equipe de Narita descobriu que os jovens com pais superprotetores tinham menos massa cinzenta em uma área particular do córtex pré-frontal, em relação àqueles que tiveram relações saudáveis com seus pais.

Esta parte do córtex pré-frontal se desenvolve durante a infância, e anomalias lá são comuns em pessoas com esquizofrenia e outras doenças mentais.

Narita e seu grupo propuseram que a liberação excessiva do hormônio do estresse cortisol --devido tanto à negligência, ou à atenção exagerada-- e a reduzida produção de dopamina (neurotransmissor estimulante) como resultado do relacionamento inadequado dos pais com os filhos bloqueia o crescimento da massa cinzenta.

Anthony Harris, diretor da Unidade de Desordens Clínicas, no Hospital Westmead, em Sydney, Austrália, diz que o estudo é importante por destacar para a comunidade ampla que a maneira como os pais se relacionam com os filhos tem efeitos de longo prazo sobre os jovens.

Acusando os pais

No entanto, Harris acrescenta que as diferenças observadas no cérebro não são sempre permanentes. "Muitos indivíduos demonstram grande resiliência [capacidade de superar problemas]", diz ele.

Stephen Wood, que estuda o desenvolvimento dos adolescentes no Centro Neuropsiquiátrico de Melbourne, na Austrália, diz que o relacionamento dos pais com os filhos não pode ser necessariamente acusado pelas anomalias cerebrais.

Ele ressalta que os indivíduos estudadoos podem ter nascido com as anomalias e, como resultado, não se deram bem com seus pais, ao invés de ser o processo contrário ter acontecido.

Wood também discorda da decisão dos pesquisadores de excluir indivíduos de classe socioeconômica inferior e pais sem instrução escolar --dois fatores conhecidos por contribuir para má performance em testes cognitivos.

"O efeito que eles encontraram pode ser real, mas por que se preocupar com a educação dada pelos pais se há outros fatores que podem ter impacto mais forte?", questiona ele.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u705438.shtml

terça-feira, 9 de março de 2010

NEURUECE e Hospital Batista


Sob orientação do Dr. Stélio Araújo, a neurocirurgia da Liga de Neurociências da UECE dá um importante passo: sob apoio do Centro de Estudos do Hospital Batista, a NEURUECE sinaliza parceria com o Instituto de Pesquisas em Neurocirurgia e Cirurgia Buco-Maxilo-Facial. A parceria permitirá o intercâmbio científico entre Universidade e Hospital, realização de pesquisas científicas, seminários, simpósios, palestras, estágio e outros eventos. A parceria começou a ser sinalizada com a participação da NEURUECE na palestra "Introdução ao estudo de tumores cerebrais" proferida pelo Dr. Haley Brito, neurocirurgião do Hospital Batista, no dia 09 de março.

A parceria poderá ainda promover intercâmbio científico entre o Hospital Geral de Fortaleza e a Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia, grandes parceiros da NEURUECE.