quinta-feira, 10 de junho de 2010

Fumar e beber podem atuar na mesma área do cérebro


Pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, investigaram por que era mais difícil para alcoólatras largarem o cigarro. Por meio de análises pós-morte da expressão de genes nos cérebros de fumantes, alcoólatras e fumantes-alcoólatras, os estudiosos chegaram à conclusão de que os dois vícios podem estar ligados geneticamente numa região específica do cérebro.

O grupo verificou que o núcleo accumbens (região do cérebro ligada à sensação de prazer) dos fumantes-alcoólatras tinha maior expressão de um conjunto de genes do que o dos fumantes ou o dos alcoólatras não-fumantes. Esses genes seriam responsáveis pelo rearranjo de neurônios nessa região – ou seja, as pessoas que fumam e bebem podem ter uma sensação de maior prazer, sendo mais difícil se livrar dos vícios.

Para ler mais sobre o estudo acesse http://www3.interscience.wiley.com/journal/123415877/abstract.

domingo, 6 de junho de 2010

Álcool mata células-tronco de cérebros de adolescentes




Um estudo em cérebros de macacos produziu a melhor evidência de que grandes bebedeiras podem causar danos duradouros a cérebros de jovens. O maior problema ocorre nas células-tronco destinadas a se tornarem neurônios no hipocampo, a área do órgão responsável pela memória e a noção espacial. As informações são do New Scientist.

Segundo a pesquisa, os cérebros de macacos se desenvolvem da mesma maneira que os de humanos, o que indica que os mesmos resultados seriam encontrados em adolescentes.

O estudo
Chitra Mandyam, do Instituto de Pesquisas Scripps, no Estado americano da Califórnia, e sua equipe deram drinks durante uma hora por dia durante 11 meses a macacos. Dois meses depois, os animais eram mortos e seus cérebros comparados com os de macacos que não consumiram álcool.




Os primeiros tinham 50% a 90% menos células-tronco nos seus hipocampos comparados com os que não beberam. "Nós vemos um profundo decréscimo em células vitais", diz Mandyam à reportagem.

Além dos possíveis problemas de memória e de habilidades espaciais, os pesquisadores acreditam que o consumo prematuro de álcool pode levar mais facilmente à dependência quando esses jovens chegarem à idade adulta. Estudos anteriores já indicaram que 41% dos adolescentes que começam a beber aos 12 anos desenvolvem dependência, enquanto que, entre aqueles que começam a beber aos 18 anos, a dependência chega a 11%.

Jovens de até 20 anos têm menor capacidade de concentração


Adolescentes possuem o cérebro mais confuso e suscetível a distrações do que adultos, indicou uma nova pesquisa publicada no Journal of Neuroscience, nesta quarta-feira (02).

Segundo os pesquisadores da University College London até 18,8 anos os jovens têm mais dificuldades de concentração, o que vai melhorando gradualmente com a idade até atingir nível estável perto dos 20 anos.

Ao contrário do que os cientistas imaginavam, o cérebro não está completamente desenvolvido até os vinte e tantos anos. Seu funcionamento ainda é caótico, com grande atividade no córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões e multitarefa, o que mostra que o cérebro opera com menos eficiência do que o de adultos.

Assim, os adolescentes precisavam usar mais o cérebro para se focar na atividade proposta na pesquisa que era indicar formas de letras que apareciam na tela em momentos com e sem distrações. Os jovens prestavam mais atenção nos objetos fora da atividade.

O estudo feito com 178 participantes de 7 a 27 anos constatou que a única melhora nas funções cognitivas de acordo com a idade foi na concentração. Ainda assim, o acerto médio foi maior que 90% em todas as condições.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2010/06/02/jovens-de-ate-20-anos-tem-menor-capacidade-de-concentracao.jhtm

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Afinal, quantas células tem o cérebro humano?

Dados recentes de contagem celular absoluta desmancham mitos da neurociência, mostra colunista.

Por: Roberto Lent
Publicado em 27/02/2009 | Atualizado em 15/12/2009


A foto de cima representa todos os núcleos das células cerebrais, com seu DNA marcado em azul, em uma amostra de contagem segundo o nosso método. A foto de baixo mostra apenas os núcleos daquelas que são neurônios, no mesmo campo, apontadas em cima pelas


O criacionismo, do qual tanto se fala hoje em dia, atribui a Deus a criação de todas as coisas, dos seres humanos em especial. Trata-se de uma tese baseada na fé, digna de respeito como qualquer crença, mas que se choca com a abordagem científica da natureza, especialmente com a teoria da evolução estabelecida tão firmemente por Charles Darwin (1809-1882), o naturalista inglês que percorreu o mundo – inclusive o Brasil.

Parafraseando o Marquês de Laplace (1749-1827), eminente físico francês: Deus não é uma hipótese necessária para a teoria da evolução. Conta-se que uma frase semelhante a essa foi dita por ele em resposta a Napoleão Bonaparte que, lendo seus trabalhos, indagou-lhe: – “Não vi a presença do Criador em suas obras, marquês”. Ao que Laplace respondeu: – “A hipótese divina, senhor, de fato explica tudo; no entanto, não permite prever nada. Como cientista, minha função é produzir trabalhos que permitam previsões.”

A precisa definição sobre a natureza da ciência que Laplace utilizou se aplica como uma luva aos resultados a que chegamos recentemente, Suzana Herculano-Houzel e eu, por meio da tese de mestrado do aluno Frederico Azevedo, no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Nossa intenção inicial era testar a exatidão do número de neurônios estimado para o cérebro humano em todos os livros de neurociência: cem bilhões. Esse número foi sempre considerado tão verdadeiro, que eu mesmo me senti seguro em dar esse título a um livro que publiquei há oito anos e a esta coluna da Ciência Hoje On-line.

No entanto, ao rever a literatura especializada, concluímos que não havia, na verdade, qualquer evidência científica sólida para esse número. E mais: os livros declaravam sempre que, para cada neurônio do cérebro, existiriam 10 células gliais, os elementos coadjuvantes dos neurônios nas funções cerebrais. E, também neste caso, nenhuma evidência científica.

Novo método de contagem
A motivação em encontrar evidências para esse número nos levou a inventar um método de contagem absoluta de células do cérebro de qualquer animal, com alto grau de confiabilidade. Testamos o método em ratos, depois o aplicamos a diferentes espécies de roedores. Suzana fez o mesmo para diferentes espécies de primatas, e aí a coisa começou a ficar interessante do ponto de vista da teoria da evolução.

É que, quando se correlaciona o tamanho do cérebro com o seu número de neurônios e de células não-neuronais, encontra-se uma regra matemática precisa, chamada “regra de escala”, característica de cada grande grupo de animais. Na ordem dos roedores, por exemplo, o número de neurônios cresce proporcionalmente ao tamanho do cérebro, e a função matemática que descreve essa correlação é uma função potência.


O cérebro dos roedores cresce mais para um menor acréscimo de neurônios do que o cérebro dos primatas, que atinge grandes números de neurônios em um tamanho menor de cérebro.


Na ordem dos primatas, diferentemente, o número de neurônios também cresce proporcionalmente ao tamanho do cérebro, mas a função matemática é uma função linear. Isso significa que, se existisse um roedor com 100 bilhões de neurônios, este teria um cérebro de 45 quilos e um corpo de 110 toneladas!

Foi mais vantajoso, então, durante a evolução, tirar vantagem de uma ordem de animais – os primatas – cuja regra de escala é linear, porque neste caso o aumento do número de células não exige aumento tão absurdo do tamanho do cérebro e do corpo.

Uma característica das regras de escala é que elas permitem prever o número de neurônios ou de células não-neuronais de qualquer roedor, ou de qualquer primata, mesmo sem contar diretamente essas células. É a beleza do raciocínio científico tão bem enfatizado por Laplace.

E o cérebro humano?
Muito bem. E o cérebro humano? Nossa primeira abordagem foi aplicar a ele a regra de escala dos primatas. Quantos neurônios, de acordo com a função linear determinada, deveria ter um primata com um cérebro de 1,5 quilo, o peso aproximado do cérebro humano? Bingo! O resultado estimado ficou perto dos cem bilhões.

Neste caso, porém, não poderíamos parar na estimativa, porque os evolucionistas acreditavam que o cérebro humano é especial: um cérebro enorme, muito maior do que o de qualquer outro primata, para um corpo relativamente pequeno, pelo menos em comparação com os orangotangos e gorilas. O cérebro humano devia ser um ponto fora da curva, um objeto especial na natureza!


Números absolutos de neurônios e células não-neuronais nas principais regiões do cérebro humano. Modificado de Azevedo e colaboradores (2009).


Nosso aluno Fred obteve cérebros masculinos fornecidos pelo Banco de Cérebros da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), pertencentes a homens de 50-70 anos de idade, falecidos de causas não-neurológicas e sem comprometimento mental de qualquer tipo.

Fred levou um ano para padronizar a técnica para o material humano e, no ano seguinte, conseguiu determinar o número médio de neurônios: 86 bilhões, abaixo do “número mágico” aceito até o momento.

E mais: não era verdade que o número de células não-neuronais seria 10 vezes maior do que o de neurônios. Encontramos, em vez disso, uma proporção de 1 para 1. Outro mito desfeito.

O mais importante de tudo é que os números obtidos experimentalmente puderam ser colocados na função matemática de escala dos primatas e casaram perfeitamente! A conclusão é que os seres humanos têm um número de neurônios previsível para o tamanho de cérebro que possuem. Não temos, assim, nada de excepcional: somos beneficiários da evolução das espécies, que selecionou uma ordem de animais cujo número de neurônios pode crescer de modo mais compacto que os demais, sem exagerar no tamanho do cérebro. E ainda temos a sorte de sermos, dentre os primatas, a espécie com o maior cérebro.

Agora, a ciência que pratico com tanto prazer me criou um problema: como faço com o título de meu livro e desta coluna, que se tornaram inexatos? Estou aberto às sugestões dos leitores. Que título poderei usar para a nova edição que sairá este ano, e para a continuidade da coluna? Mande suas ideias para rlent@anato.ufrj.br .

SUGESTÕES PARA LEITURA
F.A.C. Azevedo e colaboradores (2009) Equal numbers of neuronal and non-neuronal cells make the human brain an isometrically scaled-up primate brain. Journal of Comparative Neurology vol. 513: pp. 532-541.
S. Herculano-Houzel e colaboradores (2007) Cellular scaling rules for primate brains. Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA vol. 104: pp. 3562-3567.
S. Herculano-Houzel e R. Lent (2005) Isotropic fractionator: A simple, rapid method for the quantification of total cell and neuron numbers in the brain. Journal of Neuroscience vol. 25: pp. 2518-2521.
R. Lent (2002) Cem Bilhões de Neurônios. Editora Atheneu, Rio de Janeiro, 698 pp.

Roberto Lent
Professor de Neurociência
Instituto de Ciências Biomédicas
Universidade Federal do Rio de Janeiro
27/02/2009

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/bilhoes-de-neuronios/afinal-quantas-celulas-tem-o-cerebro-humano

sábado, 29 de maio de 2010

NEURUECE participa do IV Mutirão da Cefaléia


Em sua 4ª edição, comemorando o dia mundial de combate à cefaléia, o Serviço de Neurologia do Hospital Geral de Fortaleza e a Liga de Neurociências da UECE organizaram, na manhã do dia 29 de maio, o Mutirão da Dor de Cabeça.

Foram mais de 150 pacientes encaminhados pela rede de assitência básica em saúde do Ceará para consulta com 10 profissionais do setor. De acordo com o Dr. João José Carvalho, chefe do serviço e orientador da NEURUECE, 93% da população sofrem com, pelo menos, uma dor de cabeça ao ano. Só em Fortaleza, há cerca de 5.000 pessoas necessitando de atendimento especializado em cefaléia. Dados apontam ainda que os portadores de cefaléia frequente apresentam perda média de 8 a 10 de trabalho, configurando uma doença de forte impacto social.

Os ligantes da NEURUECE ficaram responsáveis pelo contato incial com os pacientes, identificando-os, descrevendo a medicação utilizada, aferindo alguns sinais vitais e pontuando a Escala Midas, que avalia o impacto social que a cefaléia tem na vida de cada paciente.

Dor de cabeça ou cefaléia afeta a vida de milhares de pessoas no mundo inteiro. O neurologista João José de Carvalho, orientador da NEURUECE, afirma que 90% da população sofre pelo menos uma dor de cabeça a cada ano. As enxaquecas afetam principalmente as mulheres. A estimativa é de que entre 6 a 9 por cento dos homens sofrem com enxaquecas. Entre as mulheres o percentual é maior. De 16 a 25 por cento das mulheres com mais de 18 anos têm a vida prejudicada com as crises de enxaqueca

Abaixo, há os links das reportagens feitas durante o evento.

http://tvverdesmares.com.br/cetv1aedicao/mutirao-no-hospital-geral/

http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=292007&modulo=178

Vídeos:





sexta-feira, 28 de maio de 2010

II Mutirão Nacional da Dor de Cabeça


Este ano, no dia 29 de maio, reeditaremos a campanha do Dia Nacional da Cefaléia, uma iniciativa de responsabilidade social da Sociedade Brasileira de Cefaléia em conjunto com a Academia Brasileira de Neurologia que visa difundir os conhecimentos sobre as dores de cabeça, alertar para os riscos do abuso de medicamentos e orientar a população para o reconhecimento de suas dores de cabeça e tratamento apropriado.

Desta vez, como já fizemos em 2009, além da campanha nos diversos meios de comunicação, faremos o II Mutirão Nacional da Dor de Cabeça. Existem hoje milhares de brasileiros sofrendo dores de cabeça recorrentes aguardando em filas uma consulta especializada com neurologista. Queremos contribuir para diminuir estas filas em todo o país. Planejamos um evento de alcance nacional.

Clique aqui e conheça os locais, datas e agendamento de consulta


Escrito por Marcelo Ciciarelli
Seg, 24 de Maio de 2010 18:45
Fonte: http://www.sbce.med.br/responsabilidade-social/responsabilidade-social/dia-nacional-da-cefaleia/ii-mutirao-nacional-da-dor-de-cabeca

Site da NEURUECE com mais de 1.000 acessos



Em apenas 5 meses de instalação, o neurosite da Liga de Neurociências da UECE já teve mais de 1.000 visitas.

Em um formato inovador que amplia a linha de comunicação entre estudantes, profissionais da área, orientadores e pesquisadores, o site da NEURUECE disponibiliza informações úteis para os que se interessam ou trabalham com neurociências, despertando interesses e provendo informações.

Para comemorar os 1.000 acessos, a equipe de webdesing da NEURUECE lançará em breve uma versão comemorativa do site. O objetivo é expandir os conteúdos já disponibilizados, aumentar a interatividade com o público, fornecer as primeiras produções técnicas da NEURUECE e disponibilizar uma ala com informações ao público leigo.