quinta-feira, 15 de julho de 2010

Estudo liga quadris a risco maior de perda de memória em mulheres


Mulheres com corpo em formato de 'pera' tiveram desempenho pior em testes de raciocínio.


Pesquisadores da faculdade de medicina da Northwestern University, em Chicago, sugeriram que o formato do corpo da mulher pode influenciar o desempenho de sua memória após a menopausa.

Eles notaram que mulheres com gordura acumulada na barriga tiveram um desempenho melhor em testes de raciocínio do que mulheres com formato em corpo de pera, ou seja, com cinturas menores e quadris largos - ou seja, com mais gordura acumulada nos quadris.

Os pesquisadores dizem acreditar que a gordura na barriga conserva uma quantidade maior do hormônio feminino estrogênio, cuja produção pelo corpo diminui após a menopausa.

Acredita-se que o hormônio ajude a proteger o cérebro da degeneração da atividade cognitiva.

Hormônio

O estudo analisou 8.745 mulheres que já passaram pela menopausa, com idades entre 65 e 79 anos de idade.

Elas completaram um teste de memória que os cientistas usaram para analisar a atividade cerebral. As mulheres com corpos em formato de pera tiveram um desempenho especialmente fraco.

Os cientistas afirmam no estudo, divulgado na publicação científica American Geriatrics Society, que isto se deve à diferença da gordura depositada nos quadris e coxas comparada com as mulheres com maior quantidade de gordura na barriga.

Já sabia-se que tipos diferentes de gordura armazenam hormônios diferentes e tem efeitos distintos nos níveis de lipídios e pressão arterial.

Os cientistas dizem que excesso de gordura em qualquer lugar pode afetar o cérebro de mulheres mais velhas, mas que um pouco de gordura na cintura, em particular, pode proteger a atividade do cérebro.

Por outro lado, eles ressaltam que excesso de gordura na cintura aumenta o risco de outras doenças como câncer, diabetes e problemas cardíacos.


Fonte: BBC/G1

sábado, 10 de julho de 2010

Estimulação cerebral profunda, realidade por trás da ficção



Implante de eletrodos tem sucesso no tratamento de depressão refratária



No filme Johnny Mnemonic, o diretor Robert Longo vai ao limite da ficção científica ao colocar um chip de prodigiosa memória no cérebro do personagem principal, representado por Keanu Reeves. O espectador fica com a nítida sensação de que num futuro próximo a informação estará disponível, transportada de um lugar a outro no cérebro de ciborgues mensageiros. O chip pode transportar uma quantidade quase infinita de dados plugando um pino no orifício de um implante eletrônico colocado bem na região occipital. Ficção, claro. Mas estaremos tão distantes assim desse tipo de ousadia ficcional?


Recentemente Helen Mayberg e Andrés Lozano, pesquisadores da University of Toronto, publicaram o resultado de uma neurocirurgia para tratar depressão refratária que nos faz pensar na realidade de mãos dadas com a ficção. Há pouco mais de uma década seria fantasioso imaginar que o desenvolvimento tecnológico pudesse trazer uma revolução na medicina da magnitude como já podemos testemunhar. É possível que, até o final da década, situações como a vivida pelo ciborgue Johnny Mnemonic pareçam infantis, tal a velocidade, freqüência e audácia com que a tecnologia é aplicada às neurociências.


Os dois pesquisadores e sua equipe conseguiram dramática remissão dos sintomas da depressão em pacientes refratários a todas as modalidades de tratamento disponíveis até aquela data. Eletrodos de estimulação cerebral profunda (deep brain stimulation, DBS, em inglês) foram inicialmente implantados no cérebro de seis pacientes, numa área tão minúscula quanto um grão de ervilha. As bases científicas para essa operação vieram da análise de imagens por tomografia por emissão de pósitrons (PET). Os registros revelaram hipermetabolismo numa pequena área da porção anterior do giro cíngulo e uma notável redução do metabolismo cerebral no córtex pré-frontal dorsolateral. O desenvolvimento dessa técnica foi também estimulado pelo fato de que nos pacientes com depressão grave que se beneficiam do tratamento medicamentoso as imagens de PET revelam uma homogeneização do metabolismo nas áreas referidas. É como se a ingestão de um antidepressivo com propriedades de repor determinados neurotransmissores como serotonina ou noradrenalina restabelecesse a função das áreas envolvidas resultando na melhora da depressão.


Por outro lado, alguns pacientes não conseguem o mesmo resultado; são portadores de depressão refratária. A maioria das pessoas que sofrem de depressão pode se beneficiar do tratamento medicamentoso associado ou não a outras opções terapêuticas como psicoterapia, eletroconvulsoterapia (ECT) ou estimulação magnética transcraniana (EMTC). Porém, cerca de 20% deles não conseguem resultados satisfatórios com nenhuma dessas alternativas isoladas ou associadas.

por Edson Amâncio

Scientific American Brasil

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Dada largada ao I Curso Cearense de Neurociências


Sob apoio da Universidade Estadual do Ceará e da Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia, a Liga de Neurociências da UECE promove seu primeiro curso de extensão.
Após consagrar experiência com apoio prestado a eventos como Simpósio de Doenças Desmielinizantes, Simpósio de Parkinson, Curso O Exame Neurológico e o IV Congresso Cearense de Neurologia e Neurocirurgia, a NEURUECE sente-se disposta a organizar o curso de extensão que promete mudar o conceito desse tipo de atividade. Contanto com o apoio dos maiores nomes da área, os temas foram cuidadosamente selecionados e terão abordagem totalmente voltada ao clínico e ao emergencista, visando à abordagem inicial em neurologia, neurocirurgia e neuropediatria essenciais a qualquer médico. As aulas serão totalmente interativas, havendo espaços para debates, casos clínicos e vídeos. Ao final de cada dia, todos os conteúdos ministrados estarão disponíveis on-line no site da NEURUECE. Ao final do Curso, haverá o NeuroQuiz, um inovador jogo de perguntas e respostas que coroará o I Curso de Neurociências do estado.

As inscrições poderão ser feitas com os ligantes NEURUECE ou pelo site www.liganeuruece.com a partir do mês de agosto.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

NEURUECE é também Neurocirurgia


Após sinal verde para realização de atividades de pesquisa e extensão nos serviços de Neurocirurgia do Hospital Geral de Fortaleza e no Hospital Batista Memorial, a NEURUECE recebe aval favorável dos ligantes para iniciar as negociações em torno de um campo de estágio em emergências neurocirúrgicas.

Contanto com um time de 3 neurocirurgiões como orientadores, a NEURUECE trabalha para consagrar o êxito que tem hoje em Neurologia na Neurocirurgia. "Trata-se de uma liga de Neurociências; o que nos abre a oportunidade de realizar ensino, pesquisa e extensão em todos os campos relacionados à atução médica nas neurociências. A NEURUECE tem hoje atividades de ensino e extensão em Neuroanatomia, de ensino em Neurofisiologia e todas áreas de atuação em Neurologia; precisamos, no entanto, consolidar a Neurocirurgia", informa o acadêmico João Brainer, presidente da NEURUECE.

Os próximos passos são: consolidar a relação com o Hospital Batista Memorial a partir de um convênio formal entre Hospital e UECE, iniciar as pesquisas já propostas e firmar convênio com serviço de emergências neurocirúrgicas.

NEURUECE e o Currículo Essencial da AAN


Após 2 meses de trabalhos, a Liga de Neurociências da UECE está em fase conclusiva da primeira tradução brasileira do Currículo Essencial em Neurologia proposto pela Academia Americana de Neurologia (AAN).

Sob orientação do Dr. João José Carvalho, os trabalhos representarão um guia para as atividades da NEURUECE. O propósito é ainda disponibilizar os conteúdos na íntegra no domínio www.liganeuruece.com, que hoje já conta com ampla adesão nacional e mais de 1.400 acessos em pouco mais de 5 meses de funcionamento.

NEURUECE retoma seminários





Após dedicação ampla a diversas atividades de pesquisa e extensão, a NEURUECE retoma a realização de seminários abertos aos alunos interessados na área.
As atividades foram retomadas com o tema "Neurofisiologia da Visão", sob a abordagem clínica e neuroanatômica, sendo responsabilidade dos ligantes Rodger Maia, Fábio Henrique e Edvan Camelo.

Nas semanas seguintes, novos temas serão apresentados. A novidade deste semestre consiste nas rodas de debate de artigos, casos clínicos e temas em Neurologia no Hospital Geral de Fortaleza.

Doença de Alzheimer: como prevenir a escuridão


Intervenções antes do aparecimento dos sintomas talvez sejam a chave para retardar ou deter a causa principal da demência

por Gary Stix

Em sua obra-prima do realismo mágico Cem anos de solidão, o escritor colombiano Gabriel García Márquez leva o leitor até uma mítica cidade na selva, Macondo, onde, em uma cena frequentemente recontada, os moradores sofrem de uma doença que os faz perder a memória. A moléstia apaga “o nome e a noção das coisas e finalmente a identidade das pessoas”. Os sintomas persistem até que um cigano que passa por lá aparece com uma bebida “de cor suave” que restabelece a saúde dos desmemoriados.

Em um paralelo do século 21 com os habitantes de Macondo, algumas centenas de residentes de Medellín, Colômbia, e de áreas cafeicultoras vizinhas terão a oportunidade de ajudar na busca de algo parecido com uma versão real do milagroso coquetel do cigano. Medellín e suas cercanias abrigam o maior contingente mundial de indivíduos com uma forma hereditária da doença de Alzheimer. Integrantes de 25 grandes famílias, que totalizam 5 mil pessoas, desenvolvem manifestações iniciais da doença, geralmente com 50 anos, se forem portadores de uma versão anômala de determinado gene.

A doença de Alzheimer precoce, transmitida como característica genética por apenas um dos genitores, é responsável por menos de 1% dos 27 milhões de casos documentados da doença em todo o mundo em 2006, mas as lesões cerebrais inconfundíveis que provoca parecem idênticas às encontradas na forma mais comum, de Alzheimer tardio, cujos sintomas não se manifestam até que a pessoa tenha mais de 65 anos.

A previsibilidade do aparecimento da moléstia nas famílias de Medellín atraiu a atenção de um grupo de cientistas e empresas farmacêuticas que estudam nova abordagem de pesquisa que testará drogas em pacientes antes de aparecerem os primeiros sinais de demência.

Desde o início do século 21, drogas “candidatas” a tratar acessos brandos ou moderados de Alzheimer falharam, persuadindo os pesquisadores de que boa parte da patologia da enfermidade – acréscimos de proteínas aberrantes e perdas de células ou circuitos cerebrais – se inicia bem antes de a perda da memória se tornar aparente. Essa percepção crescente, confirmada por novas tecnologias capazes de rastrear a doença anos antes do primeiro sintoma, sugere que para obter o máximo de êxito o tratamento precisa começar durante os muitos anos em que o insidioso processo já está em marcha, mesmo se a memória do paciente permanecer intacta.

Consequentemente, uma tendência muito importante da maior parte das pesquisas sobre Alzheimer está mudando de direção e se concentrando em conter a doença antes que os sintomas se manifestem – não só com drogas, mas também com medidas de estilo de vida mais seguras e menos dispendiosas que preencher sistematicamente uma receita de droga durante 10 ou 20 anos.