quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Já para a cama!



Cientistas da Universidade Columbia descobrem que dormir pouco pode aumentar os riscos de depressão na adolescência.
Ir para a cama cedo ajuda a evitar a depressão. Essa é a descoberta de cientistas da Universidade Columbia, nos Estados Unidos. O grupo de pesquisadores descobriu que a depressão é 24% mais comum em adolescentes que têm permissão para ir para a cama tarde que em jovens cujos pais exigem que se recolham mais cedo. O estudo mostra que os voluntários que se deitavam muito tarde dormiam, em média, sete horas e meia por noite; os que se recolhiam mais cedo, oito horas e dez minutos, em média. Os pesquisadores interpretavam “horário de dormir imposto pelos pais” como o oposto de “contar horas de sono”, para descartar a possibilidade de que a depressão estava fazendo alguns jovens dormir menos, e não o contrário.


Um trabalho anterior sustenta a ideia de que poucas horas de sono podem levar à depressão. Uma pesquisa da Universidade de Londres mostrou que crianças que sofrem de insônia estão mais sujeitas a desenvolver o transtorno na adolescência. E outro estudo, sobre o risco do transtorno hereditário em jovens, agora na Universidade de Pittsburgh, mostrou que o indicador biológico de recuperação, isto é, não sofrer de depressão, era o sono adequado. Embora seja improvável que dormir pouco seja o único responsável pela falta de ânimo dos adolescentes, aqueles com predisposição genética ou ambiental para a falta de sono podem apresentar risco maior.

Experimentos realizados no Centro Médico Walter Reed do Exército e na Universidade da Califórnia em Berkeley, ambos nos Estados Unidos estão começando a esclarecer essa relação. Durante ressonâncias magnéticas, pessoas saudáveis mas com privação de sono apresentam aumento de atividade na amígdala, órgão cerebral envolvido no processamento das emoções, e redução de atividade no córtex pré-frontal – as mesmas alterações observadas em pessoas deprimidas. Em um dos estudos do Centro Médico Walter Reed do Exército, ao se defrontar com imagens perturbadoras os participantes começaram a apresentar sintomas de depressão e os voluntários de Berkeley se mostraram mais estressados que os participantes descansados.

O psicólogo William D. Scott Killgore, da Escola de Medicina de Harvard, do Hospital McLean e coautor da pesquisa do Exército, observa que todos esses efeitos neurobiológicos podem atingir os jovens de forma intensa. “Como os adolescentes sofrem muitas pressões na vida cotidiana ─ cada vez mais complicada ─, eles precisam de mais horas de sono que crianças ou adultos; assim, não dormir direito pode se transformar em um problema.”

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/ja_para_a_cama_.html

Quedas podem ser indício de começo de Alzheimer, diz estudo .



As quedas são cada vez mais frequentes entre as pessoas que apresentam os primeiros sinais biológicos do Mal de Alzheimer, de acordo com um estudo apresentado neste domingo em Paris em ocasião da Conferência Internacional da Associação Alzheimer (AAIC). "Pelo que sabemos, este é o primeiro estudo a identificar um risco maior de quedas ligado ao diagnóstico pré-clinico do Mal de Alzheimer", afirmou a responsável pela pesquisa, a doutora Susan Stark, especialista em Ergoterapia e Neurologia da Washington University em Saint Louis (Estados Unidos). Este estudo de 8 meses acompanhou 125 idosos sem problemas cognitivos, recrutados nos estudos longitudinais da memória e do envelhecimento do Alzheimer's Disease Research Center (ADRC) da Washington University. Todos os participantes foram submetidos principalmente a um exame de imagens cerebrais, o TEP ou Pet Scan (Tomografia por Emissão de Pósitrons) com o marcador PiB, uma molécula fluorescente que permite visualizar a presença de placas amilóides associadas ao Alzheimer. Os pesquisadores descobriram que uma imagem com PiB positivo representava um risco de queda 2,7 vezes superior para cada unidade de aumento da placa. "Os resultados deste estudo ilustram o fato de que, entre algumas pessoas, as alterações que afetam o andar e o equilíbrio podem ocorrer antes da deterioração das funções cognitivas", declarou a doutora Maria Carrillo, diretora de Relações Médicas e Científicas da Associação Alzheimer. "Segundo este estudo, a queda de um idoso que não tem predisposição a cair, poderia ser um fator para levar a uma avaliação de diagnóstico do Mal de Alzheimer", acrescentou a Dra Carrillo, citada em um comunicado da AAIC. Segundo os pesquisadores, o resultado "concorda com os estudos anteriores sobre os problemas de mobilidade entre as pessoas que apresentam os sintomas precoces do Mal de Alzheimer ou pequenos problemas de cognição". "É urgente dar prosseguimento às pesquisas, principalmente para aprofundar o estudo da relação entre os déficits motores e as quedas como sinais precoces do Mal de Alzheimer", considerou a Dra Carrillo.

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1262-quedas-podem-ser-indicio-de-comeco-de-alzheimer,-diz-estudo.html

Dossiê: Tramas de amor e desejo - As fontes do prazer.

A Revista Mente e Cérebro trouxe uma matéria muito interessantes acerca dos caminhos que nosso cérebro toma quando se apaixona, principalmente enfocando o ponto de vista psicanalítico que delimita o que entendemos como amor, como prazer ou esses dois sentimentos misturados.
A matéria, bem loga, mas muito bem escrita e envolvente, faz com que o leitor entenda melhor o funcionamento cerebral. Segue abaixo na íntegra.


Pesquisas recentes lançam nova luz sobre os mecanismos do prazer e do amor e mostram semelhanças entre desejo sexual e vontade de comer chocolate. Romeu e Julieta só estariam viciados um no outro?



Inesgotável fonte de inspiração para a arte e a literatura, o amor é um sentimento capaz de nos levar ao desespero ou ao êxtase. E talvez até à guerra, a se dar crédito à história do rapto de Helena e à campanha contra Tróia. Examinados do ponto de vista biológico, porém, muitos dos véus românticos que recobrem o fenômeno do amor desprendem-se facilmente. No entanto, um permanece: o do desejo sexual. Quando buscam sua origem, os cientistas logo esbarram numa série de enigmas. Por que desejamos uma pessoa específica? A que se deve o fato de sentirmos desejo ou prazer sexual? E ainda: será que o tête-à-tête com o parceiro ou parceira pode ser substituído por uma sinfonia de Brahms ou por uma caixa de bombons?

Em primeiro lugar, há que se dizer que o prazer não é pura e simplesmente prazer, e ponto final. Existe uma diferença fundamental entre o prazer por alguma coisa e o prazer em alguma coisa – ou seja, entre as sensações que temos quando almejamos algo e o que sentimos ao obtê-lo. Especialistas diferenciam aqui o prazer ou desejo apetitivo (por algo) do consumado (em algo). Além disso, desejo, prazer e amor não constituem um fim em si mesmos, mas têm por alvo metas biológicas palpáveis e concretas.

Ao contrário do que se pensa, o prazer sexual não se desenvolveu visando a satisfação pessoal, mas para encorajar a reprodução. Tampouco as sensações profundas comumente etiquetadas como “amor” podem negar seu pano de fundo biológico: elas auxiliam no estabelecimento e na manutenção de um vínculo entre parceiros. Esses mecanismos são comandados por estruturas cerebrais particulares e por neurotransmissores. Prazer e amor são, portanto, essencialmente produzidos no cérebro e determinam nosso comportamento em função de um objetivo estabelecido.

Quando se trata de considerar quem nos desperta a libido, uma pergunta fundamental se impõe: o objeto desse desejo pertence ao sexo oposto? A orientação sexual depende em primeiro lugar do nosso próprio sexo. E isso não se define apenas pelas características físicas do corpo, mas também no cérebro. Fundamental importância têm aí os hormônios, e sobretudo os sexuais. Muito antes da puberdade, eles encaminham o desenvolvimento não apenas de nossos órgãos sexuais, mas também de partes do cérebro rumo ao masculino ou feminino.



Antes mesmo do nascimento, eles começam a atuar. Num feto geneticamente masculino, pequenas quantidades do hormônio sexual testosterona chegam ao cérebro no último terço da gravidez, influenciando seu desenvolvimento. Receptores sensíveis a esses hormônios sexuais encontram-se em numerosas regiões cerebrais. Pela determinação do sexo respondem sobretudo receptores hormonais situados no hipotálamo. Quando a testosterona exerce sua influência durante a fase pré-natal crítica, o cérebro será masculino. Na ausência desse hormônio, feminino. Curiosamente, não é a testosterona em si que surte seu efeito nesse processo: antes, ela é transformada em estrogênio, em geral conhecido pelos leigos como o hormônio sexual feminino. Fetos geneticamente femininos se protegem dessa ação específica do estrogênio auxiliados pela alfa-fetoproteína. Durante o desenvolvimento do cérebro, a testosterona interfere num processo natural mediante o qual células nervosas supérfluas são descartadas. Graças a essa interferência, morrem menos neurônios, razão pela qual a região frontal do hipotálamo dos mamíferos de sexo masculino é bem maior e mais rica em neurônios. Nos humanos, porém, essa diferença é menor do que, por exemplo, nas ratazanas.

O hipotálamo é de especial importância na orientação e no comportamento sexual. Isso se evidencia no fato de as células nervosas do hipotálamo anterior exibirem intensa atividade quando um animal macho se aproxima de um parceiro sexual ou quando copula. Se essa região estiver lesada, o comportamento sexual dos machos no tocante à cópula será prejudicado, ainda que mantenham o interesse em fêmeas.

STRESS E TESTOSTERONA

Certas experiências durante a gravidez também podem influenciar a orientação sexual dos descendentes. Dentre elas, sobretudo o stress parece desempenhar papel importante. Se uma ratazana em gestação for exposta a stress, o cérebro de seus rebentos machos terá em média menos características masculinas. Além disso, eles apresentarão com freqüência orientação homossexual e exibirão comportamento mais maternal. O motivo é que, por causa do stress, a necessária testosterona se apresentou cedo demais no cérebro. Os descendentes “feminilizados” nem sempre são homossexuais: se criados com fêmeas sexualmente ativas, em geral desenvolvem orientação heterossexual. Isso mostra de forma clara que o comportamento sexual não pode ser explicado apenas pelos hormônios. Ao contrário: fatores hereditários, influências hormonais e experiências individuais atuam aí em estreita vinculação.

Como pode, porém, o stress atuar sobre cérebros masculinos, preferência sexual e conservação da espécie? Para a sociobiologia, sob condições de vida difíceis, a feminilização dos cérebros reduziria a taxa de natalidade em uma comunidade, o que possibilitaria oferecer cuidado maior aos raros descendentes.
Essa explicação bem poderia se aplicar aos seres humanos, que têm comportamento sexual em parte desvinculado da meta da reprodução e voltado à obtenção do prazer. Pesquisas realizadas até agora com humanos confirmam as descobertas oriundas dos modelos animais. Também no nosso caso o hipotálamo anterior desempenha papel decisivo no tocante à preferência sexual. Os homossexuais do sexo masculino possuem menos neurônios nessa região do cérebro que os heterossexuais, exibindo, sob esse aspecto, uma estrutura cerebral mais aparentada à feminina. Além disso, também nos seres humanos o stress pré-natal parece conduzir com mais freqüência à orientação homossexual em descendentes do sexo masculino. Até o momento, no entanto, os conhecimentos adquiridos em relação ao ser humano são escassos e, em boa parte, indiretos. Não admira que suscitem controvérsia – ou mes mo completa rejeição, baseada no argumento de que, nesse âmbito, os resultados advindos de experiências com animais não seriam transferíveis à esfera humana.

Entretanto, admite-se cada vez mais que existem bases biológicas na preferência por um parceiro de mesmo sexo ou do sexo oposto. Está claro que a formação individual do cérebro desempenha papel tão importante quanto a educação ou sociedade, e a definição do caminho a trilhar parece ocorrer nos primeiros estágios do desenvolvimento.

Sexo e desejo decerto não são tudo na vida. Para a maioria dos seres humanos, a qualidade do relacionamento com o parceiro possui, no mínimo, importância equivalente. De resto, a atração sexual e o vínculo com o parceiro atendem ao mesmo propósito biológico: assegurar a reprodução da espécie. Um rápido exame de nossos parentes mais próximos nos mostra a multiplicidade de relacionamentos possíveis. Os orangotangos, por exemplo, só se unem para a fecundação e vivem o resto do tempo como eremitas; os gibões são monogâmicos enquanto os gorilas formam haréns e os chimpanzés vivem trocando de parceiro. Entre humanos, encontramos todas essas variações, embora a tendência à monogamia seja predominante. A variedade dos tipos de relacionamento aponta para o fato de que o vínculo com o parceiro está sujeito a fortes influências culturais e sociais.

Bases biológicas da monogamia foram encontradas em pequenos roedores americanos que vivem nas pradarias dos Estados Unidos. Estritamente monogâmicos, preocupam-se bastante com seus descendentes. Mas seus vizinhos que habitam as Montanhas Rochosas, ao contrário, trocam de parceiro com freqüência e logo abandonam a prole à própria sorte. A semelhança física e genética entre essas duas espécies é muito grande. Mas dois hormônios presentes no hipotálamo revelam diferenças notáveis entre elas: a vasopressina e a oxitocina. O roedor monogâmico exibe no cérebro um número bem maior de receptores para a vaso pressina e a oxitocina que seu parente promíscuo.
Em geral, a concentração sangüínea desses hormônios aumenta claramente durante a cópula, de acordo com o sexo do animal: nos machos, sobe o nível de vasopressina; nas fêmeas, o de oxitocina. Também nos humanos esses dois hormônios parecem importantes na estimulação sexual, na ereção e na capacidade de orgasmo. Nos homens, o nível de vasopressina no sangue aumenta durante a expectativa sexual, e o de oxitocina, durante o orgasmo. Na mulher, acreditam alguns pesquisadores, a vasopressina reduziria o desejo sexual, e a oxitocina desempenharia seu papel tanto durante a fase do flerte quanto na da cópula. Contudo, essas são apenas transposições de resultados experimentais obtidos com animais. As normas sociais, a educação, as expectativas podem prevalecer sobre a influência exercida por um hormônio específico.

Mas e quanto ao vínculo entre os parceiros? De fato, no caso dos roedores, os dois hormônios desempenham papéis importantes também nesse âmbito. O macho das pradarias, de cérebro rico em vasopressina, apresenta vínculo mais forte com sua parceira e se preocupa mais com a prole, ao passo que, nas fêmeas, é antes a oxitocina que estimula o cuidado com a cria. É de supor que o nível hormonal elevado durante o acasalamento ajude a fortalecer o vínculo entre parceiros. Também entre humanos a vasopressina e a oxitocina parecem ter, ao menos em parte, as mesmas funções. Considerando-se o amor como vínculo entre parceiros, teríamos dado aí um primeiro passo para a compreensão biológica desse fenômeno.

Como se articulam, então, o amor e as funções cerebrais? Existem centros de prazer ou neurotransmissores da felicidade? Nesse contexto, o ano de 1954 representa um marco para a pesquisa. Nesse ano, os neurocientistas americanos James Olds e Peter Milner implantaram no cérebro de ratos pequenos eletrodos que transmitiam estímulos elétricos. Os animais gostaram tanto que se detinham constantemente nos lugares em que os cientistas realizavam a estimulação.

Além disso, aprenderam por conta própria a pressionar uma alavanca que lhes proporcionava tais estímulos. O resultado foi que passaram a se estimular milhares de vezes por hora, negligenciando até mesmo suas necessidades naturais – um comportamento que lembra a forte dependência de drogas ou, em certo sentido, o de um ser humano muito apaixonado. A suposição óbvia a que isso conduziu foi que o estímulo elétrico ativava no cérebro um centro de recompensa ou mesmo de prazer.
Muitas regiões do cérebro são sensíveis à auto-estimulação elétrica, mas apenas em algumas poucas áreas o estímulo conduziu os animais ao excesso, o que se verificou sobretudo na lateral do hipotálamo. Não se encontrou aí o suposto centro do prazer: na verdade, a estimulação instigava também feixes de nervos que percorriam toda a região estimulada. Logo um sistema de células nervosas ocupou o centro das atenções – um sistema que se origina no mesencéfalo, percorre a lateral do hipotálamo e abastece com o neurotransmissor dopamina grande parte do prosencéfalo.

Com isso, aumentou o interesse nas funções desempenhadas pela dopamina, que os pesquisadores viam, em parte, como uma espécie de sinal de prazer. Basearam essa conclusão na observação de que sua atividade aumenta quando da prática de todo tipo de ação vinculada a sensações agradáveis – seja quando os animais se auto-estimulam com a eletricidade, quando ingerem comida saborosa, quando da copulação ou estão sob a influência de drogas, como a cocaína, a anfetamina, a heroína ou a nicotina.

Assim como aprendem a se autoestimular, os animais descobrem como administrar por conta própria essas substâncias, sobretudo quando são injetadas diretamente no sistema de células dopaminérgicas do cérebro. Se esse sistema é experimentalmente desativado, recompensas elétricas, químicas ou naturais deixam de surtir efeito – como se, então, inexistissem sensações de prazer em virtude das quais os animais seguem repetindo determinada tarefa. Não está claro, porém, se os ratos são de fato capazes de experimentar o prazer, na forma como nós o concebemos.

Ainda que sejam, isso significaria dizer que os pesquisadores encontraram um centro do prazer, bem como neurotransmissores do prazer? Não é bem assim. Na verdade, a estimulação elétrica do hipotálamo lateral conduz a uma continuada atividade das vias nervosas e simula, assim, antes o prazer – apetitivo – por alguma coisa do que o prazer – consumado – na obtenção do que se queria. Além disso, a dopamina faz com que, já durante as fases de expectativa e de preparação, o organismo oriente seu comportamento para as metas almejadas e possa aprender a utilizar novas informações que prenunciam a viabilidade de alcançá-las.

ORGASMO POR ELETRODOS?

A implantação de eletrodos no cérebro de humanos só é admitida quando da necessidade de intervenção médica, razão pela qual são poucas as pesquisas existentes nessa área. Pacientes que sofreram estimulação elétrica do hipotálamo lateral relatam “sensações difíceis de descrever, como se algo de interessante e excitante fosse acontecer”. Sensações agradáveis e positivas verificaram-se, por outro lado, na estimulação de outras regiões do cérebro, como, por exemplo, do septo lateral. As experiências vividas nesses casos foram descritas como um prazer semelhante ao orgasmo. Se um paciente podia se auto-estimular nessa região, ele o fazia em grande medida, sem, contudo, atingir o orgasmo de fato.



Nos últimos anos, com o auxílio dos métodos de diagnóstico por imagens, como a tomografia nuclear ou a tomografia por emissão de pósitrons, cientistas puderam verificar em seres humanos e expandir muitos dos conhecimentos adquiridos em experiências com animais. O estudo dessas imagens identificou uma série de regiões cerebrais que, diante de emoções diversas, revelam intensa atividade. Uma mesma estrutura cerebral pode, no entanto, ser estimulada tanto por sensações de prazer como por sentimentos indesejados, como, por exemplo, o do medo. A existência de centros específicos de prazer não pôde até o momento ser comprovada de modo inequívoco.

Experiências com pessoas conduzidas à excitação sexual mediante a contemplação de imagens ou cenas eróticas ou pornográficas revelam fortes mudanças de atividade em diversos pontos do cérebro, especialmente em sua extremidade anterior. O padrão dessas mudanças de atividade é bastante semelhante em mulheres e homens. É de supor que os cérebros masculino e feminino processem sensações de prazer de forma parecida.
Os estímulos e situações capazes de provocar em nós sensações de prazer são bastante diversos e variados: um pôr-do-sol, a presença da pessoa amada, o prêmio da loteria, uma boa refeição, sexo ou drogas. Isso propõe tarefas difíceis a nosso cérebro: devemos reconhecer e avaliar as diversas situações, talvez associá-las a alguma lembrança e, então, reagir – com ações, por exemplo. As demandas ao cérebro podem ser, portanto, bastante diferenciadas. Seria de esperar, pois, que também as mudanças de atividade nas diversas áreas do cérebro apresentassem forte diferenciação de um caso a outro. Mas certas regiões cerebrais permanecem ativas durante as situações emocionais mais variadas, o que significa que respondem pelo processamento de sensações de todo tipo.

Uma fonte de prazer muito importante para grande número de pessoas não foi mencionada até agora: a música. Não há pelo menos uma peça musical que, dependendo do seu estado de espírito, provoca um arrepio na espinha? Medições recentes da atividade metabólica no cérebro indicam que, durante tais fases de prazer provocadas pela música clássica, as regiões cerebrais que apresentam mudança de atividade são as mesmas em que isso ocorre quando do prazer sexual. A dor, ao contrário, pode ativar algumas das mesmas regiões ativadas pela euforia. Seria essa uma “prova” neurobiológica da proximidade de amor, prazer e dor? No nosso cérebro, ao menos, dor e prazer parecem próximos.

Não é fácil localizar com segurança o prazer e o amor no cérebro. O que, aliás, não há de nos surpreender, uma vez que, do ponto de vista científico, a compreensão desses sentimentos nos escapa. Só os conhecemos de verdade a partir de nossa experiência pessoal ao longo dos anos. Portanto, talvez estejamos fadados a continuar expostos ao furacão emocional do amor, com todos os seus efeitos colaterais – da autodestrutiva dor amorosa à inspiração para elevados vôos artísticos. - Tradução de Sergio Tellaroli.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/dossie/dossie_tramas_de_amor_e_desejo_-_as_fontes_do_prazer.html

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Entre loucura e genialidade.



Monólogo retrata fase mais criativa de Van Gogh, que corresponde ao período das fortes crises psicóticas do pintor.
O pintor holandês Vincent van Gogh (1853-1890) dizia que laranja era a cor da insanidade. Abusava da tonalidade e de suas cores irmãs nas pinturas de cômodos, rostos e campos luminosos de girassóis. O ator Gero Camilo, coincidentemente, gostava de plantar sementes dessa flor nos canteiros da Universidade de São Paulo (USP) quando estudava artes cênicas. Aficionado pelo trabalho do artista europeu desde os 15 anos, quando leu Cartas a Théo (L&PM Pocket, 1997), obra na qual Van Gogh descreve a evolução de sua própria “loucura”, Camilo se reveza no papel de seu ídolo e de outro ícone modernista, Paul Gauguin (1848-1903), no espetáculo A casa amarela, em cartaz em São Paulo.



O monólogo, dirigido por Márcia Abujamra, retrata uma fase extremamente criativa de Van Gogh – seus últimos anos, vividos em um sobrado pintado de amarelo em Arles, no sul da França, em companhia de Gauguin, com quem mantinha discussões estéticas intempestivas e produtivas. Nesse período, tiveram início as violentas crises psicóticas que o levariam a se mutilar, cortando a própria orelha – cena que é revivida com intensidade por Camilo –, e a ser internado em um asilo para doentes mentais, onde morreu aos 37 anos.



Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/entre_loucura_e_genialidade.html

Cientistas alertam para o uso de psicotrópicos para demência .



Dois estudos diferentes, publicados em duas revistas médicas britânicas, questionam o uso de psicotrópicos e antidepressivos para tratar pacientes com demência, no momento em que se realiza, em Paris, uma conferência internacional sobre o mal de Alzheimer. O Professor Sube Banerjee, do King''s College de Londres, autor, em 2009, de um relatório sobre a prescrição abusiva de antipsicóticos (neurolépticos) no mal de Alzheimer, mostra, hoje, que dois antidepressivos mais recomendados aos pacientes com demência não trazem os benefícios esperados, causando efeitos secundários. Para este estudo publicado on-line por The Lancet, o Professor Banerjee reuniu pacientes britânicos sofrendo de depressão e um provável Alzheimer. Foram divididos em três grupos de cem pacientes cada - dois desses recebiam um antidepressivo (sertralina ou mirtazapina) e o terceiro, um placebo (sem princípio ativo). Ao final de três meses, os cientistas não descobriram diferenças na redução da depressão. Em troca, os pacientes que receberam um antidepressivo apresentavam muitos efeitos indesejáveis, em comparação aos que foram tratados com o placebo. "As duas classes de medicamentos mais prescritos para a depressão no mal de Alzheimer não são mais eficazes que um placebo", concluem eles. Dessa foram, "os médicos devem repensar o tratamento desses pacientes com depressivos e reconsiderar seus hábitos de recomendar esses remédios", consideram eles. Um outro estudo, publicado on-line pelo British Medical Journal, mostra, por sua vez, que medicamentos contra as dores, como o paracetamol podem fazer melhor que os psicotrópicos para acalmar a agitação dos pacientes com demência. A agitação e a agressividade são sintomas mais frequentes das formas avançadas de demência, tais como o mal de Alzheimer. Comportamentos perturbadores para os que estão em torno são, com frequência, tratados com neurolépticos. Essa outra pesquisa ficou a cargo de cientistas britânicos (do King's College) e noruegueses, que observaram 352 pacientes noruegueses portadores de demência moderada a severa. A metade deles prosseguiu recebendo o tratamento habitual, incluindo neurolépticos ou antidepressivos. Setenta por cento dos demais foram tratados com paracetamol; 20% com buprenorfina (medicamento de substituição com heroína) e os 10% restantes com remédios mais potentes contra a dor (morfina). Uma redução significativa da agitação foi mostrada após oito semanas de tratamento no segundo grupo em relação ao primeiro, informaram os cientistas. Destacaram que o alívio da dor, dificilmente exprimível pelos pacientes com demência, pode desempenhar papel importante no tratamento da agitação, permitindo reduzir as prescrições inúteis de neurolépticos. No relatório entregue ao governo britânico, em 2009, o Professor Banerjee informava que os médicos britânicos prescrevem anualmente psicotrópicos a 180.000 pacientes com demência, o que está na origem de 1.620 AVCs, Acidentes Vasculares Cerebrais, e 1.800 mortes. Neste mesmo ano, na França a Alta Autoridade de Saúde alerta contra uma prescrição excessiva e inadaptada de medicamentos no mal de Alzheimer.

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1261-cientistas-alertam-para-o-uso-de-psicotropicos-para-demencia.html

Por que crianças fazem birra?



Rede neural responsável pela inibição é menos ativa nos pequenos.
Cena corriqueira em lojas e supermercados: diante da negativa dos pais de comprar um doce ou um brinquedo, a criança chora, grita e, não raro, se atira ao chão, indiferente ao desespero dos pais e aos olhares de desaprovação. Também não é difícil ela entrar, volta e meia, em uma acalorada disputa por um brinquedo. Comuns na infância, os comportamentos impulsivos estão relacionados a um menor amadurecimento da conexão entre áreas do cérebro. Essa é a conclusão de um estudo da Universidade Georgetown, em Washington, que monitorou a atividade neural de crianças e adultos – nelas, há menor coordenação entre regiões relacionadas à inibição e à empatia, que é a capacidade de perceber e entender as emoções do outro.


O neurocientista Stuart Washington, do Centro Médico da Universidade Georgetown, solicitou a 42 voluntários entre 6 e 27 anos que tentassem distinguir a orientação de setas que apontavam para direções diferentes em uma tela de computador enquanto o cérebro era monitorado por ressonância magnética funcional (fMRI). O pesquisador, no entanto, não estava interessado na atividade neural durante a tarefa, mas nos períodos de repouso, após o exercício – o objetivo era registrar as informações da rede neural em estado padrão (DMN, default model network), isto é, regiões que “desligam” quando o cérebro se concentra em realizar uma tarefa e se tornam mais ativas em períodos de descanso. Estudos anteriores relacionaram essa rede à inibição de comportamentos e à habilidade de distinguir emoções alheias e de se importar com o que as outras pessoas pensam.


Ao comparar os registros da ressonância magnética, Washington observou uma ativação sincronizada de vários pontos da DMN em voluntários mais velhos, enquanto ela era mais difusa nos participantes com menos de 13 anos, principalmente naqueles com até 9 anos. “Os resultados indicam que crianças são menos capazes que adolescentes e adultos de entender as consequências de suas ações, pensar em eventos futuros ou avaliar realisticamente como outras pessoas veem suas ações”, diz o neurocientista. Segundo ele, essa descoberta ajuda a explicar por que as crianças são mais impulsivas: a conexão entre as áreas cerebrais responsáveis pelo controle de comportamentos e aquelas associadas à percepção de como as outras pessoas nos enxergam ainda não está completamente estabelecida.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/birra.html

Memória prejudicada.



Lesões no lobo temporal de ratos afetam habilidade de diferenciar objetos.
Pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, descobriram que o córtex perirrinal, situado no lobo temporal médio, pode desempenhar papel importante na formação de lembranças visuais. A neurobióloga Lisa Saksida colocou uma bola em uma gaiola com ratos que tiveram essa parte do cérebro danificada em laboratório e com roedores com o órgão íntegro. Expostos novamente ao objeto após algum tempo, os animais saudáveis aparentemente se lembraram dele, cheirando-o e inspecionando-o menos.


Já aqueles com córtex perirrinal prejudicado examinaram a bola mais vezes, como se estivessem em contato com ela pela primeira vez. No entanto, quando apresentados a alguns objetos novos, agiram como se o conhecessem, vasculhando-o por menos tempo. Segundo Lisa, isso ocorre porque o processamento da visão geral do objeto se dá no córtex visual primário, responsável por aspectos individuais do que foi visto. O lobo temporal, porém, combina os contornos e as cores, realizando uma espécie de construção da imagem mais detalhada, mais definida, que é armazenada no córtex perirrinal.


Os ratos, portanto, apreendem apenas linhas gerais da informação visual. “Se essa região estiver danificada, a representação de objetos complexos não acontece. Assim, a memória recorre aos dados visuais processados pelo córtex visual primário, menos definidos. Por isso os animais não conseguiram diferenciar objetos com cores ou formas semelhantes. Eles reconheceram somente as linhas gerais”, explica a neurobióloga.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/memoria_prejudicada.html