quinta-feira, 5 de abril de 2012

Lítio para prevenir Alzheimer.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo acreditam que o sal possa ser utilizado na prevenção da doença neurodegenerativa.





Pacientes com Alzheimer que ainda não atingiram a fase demencial tiveram menor deterioração da memória e funcões cognitivas após receberam baixas doses de lítio. A descoberta, divulgada pela revista British Journal of Psychiatry, pode ajudar a reduzir os danos causados pela perda progressiva de neurônios. Os resultados fazem parte de um experimento coordenado pelo psiquiatra Orestes Forlenza do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria (Ipq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Há muitos anos, a ciência vem acumulando, por meio de exames de neuroimagem, evidências de que o lítio exerce funções neuroprotetoras em modelos animais, mas não havia identificado quais eram os efeitos em seres humanos. A comprovação de sua eficácia no tratamento da patologia neurodegenerativa começou a ganhar força quando Forlenza notou que pacientes idosos que receberam lítio para tratar transtorno bipolar, tiveram como efeito colateral a diminuição dos danos neurológicos causados pelo Alzheimer, em comparação com pessoas que foram tratadas com outro tipo de terapia.

Com base nesses indícios, o psiquiatra coordenou o Projeto Temático Neurobiologia da doença de Alzheimer: marcadores de risco, prognóstico e resposta terapêutica”, iniciado em 2010 e financiado pela FAPESP, a partir do qual administrou baixas doses de lítio em 61 pacientes com comprometimento cognitivo leve. Ele e sua equipe puderam notar que a substância inibiu a ação da enzima GSK 3-Beta, responsável pela hiperfosforilação da proteína TAU (processo que destrói o esqueleto das células, levando a morte de neurônios) e levou a regressão dos processos patogênicos Para o pesquisador, os resultados reforçam a hipótese de que o medicamento possa ser utilizado na prevenção do problema.

“Várias análises ainda precisam ser feitas, ou completadas, com variações de biomarcadores e de tempos de seguimento, por exemplo. Queremos também iniciar um estudo semelhante, não mais em pacientes com comprometimento cognitivo leve, mas em pacientes com doença de Alzheimer familiar de início precoce, que talvez seja o modelo ideal para se testar essa modificação de patogenia”, acrescenta Forleza.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/litio_para_prevenir_alzheimer.html

terça-feira, 3 de abril de 2012

Dia Mundial da Conscientização do Autismo.

Ação pretende mobilizar o compromisso político a favor de investimentos no tratamento e inclusão social das pessoas com a síndrome.




Construções como o Monumento às Bandeiras e o Vale do Anhangabaú amanheceram iluminados de azul nesta segunda-feira (02) em comemoração ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo (World Autism Awareness Day). O azul foi definido como a cor do transtorno autista porque é mais comum em meninos.

A ação, criada em 2008 pelas Organização das Nações Unidas (ONU), chama a atenção para a importância de conhecer e tratar o transtorno que atinge mais de 2 milhões de brasileiros, segundo dados da própria organização. O objetivo é impulsionar o compromisso político e a cooperação internacional a favor de investimentos maiores nos setores sociais, educacionais e laborais das pessoas com o transtorno.

“Embora deficiências do desenvolvimento em pessoas com o transtorno comecem na infância, elas persistem por toda a vida. O trabalho não deve estar limitado a diagnóstico precoce e tratamento, mas deve preconizar a inclusão de terapias, planos educacionais e outros passos que levem na direção de um compromisso mantido para a vida toda, como treinar cuidadores não especializados e capacitar a comunidade do autismo a transitar mais facilmente entre os serviços de saúde”, diz o secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-Moon.

Para saber quais lugares estarão iluminados em São Paulo, acesse
http://www.revistaautismo.com.br/DiaMundial

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/dia_mundial_da_conscientizacao_do_autismo.html

O paradoxo moral do batalhador brasileiro.

Mudanças na forma de viver sempre trazem consigo novas maneiras de sofrer; algumas situações são especialmente férteis para novos arranjos psíquicos.




O Brasil pós-inflacionário viu nascer uma classe social que emerge junto com um novo tipo de economia. Oficinas de fundo de quintal, operadores de telemarketing, feirantes bem-sucedidos e negócios familiares geridos por pequenos empresários são estimulados pelo microcrédito e pelo auxílio estatal. O sociólogo Jessé de Souza, autor de Os batalhadores brasileiros – Nova classe média ou nova classe trabalhadora (Humanitas UFMG, 2010), estudou as adaptações às exigências de desenraizamento, ausência de identidade de classe e vínculos de pertencimento trabalhista, que nosso capitalismo flexível e expressivo tornou compulsório. Aceitando a superexploração da jornada de trabalho e estudo, o adiamento do consumo imediato e grande dose de crença em si mesma, a classe emergente formou um admirável senso de disciplina, autocontrole e pensamento prospectivo. Diferentemente da chamada ralé, da qual muitos faziam parte até pouco tempo atrás, a nova classe trabalhadora conseguiu criar para si um senso de futuro. Em sintonia com a tese globalizada de que todos agora somos empresários e patrões de nós mesmos, saímos diretamente da periferia do mundo para a vanguarda do capitalismo brasilianizado.

Um movimento desse tipo pede uma justificativa moral que explique o próprio sucesso de uns e o fracasso de outros tantos. Situações como essas são férteis para novos arranjos entre exigências superegoicas e disponibilidades de ideais. Transformações das formas de viver sempre trazem consigo novas maneiras de sofrer. Exemplos: a classe média americana dos anos 50 está ligada à aparição das patologias narcísicas, assim como a crença neoliberal dos anos 90 está em sintonia com a popularização da depressão e das patologias do consumo. A tese remonta à ideia, posta em circulação por Jacques Lacan, de que na primeira década do século passado, na sociedade europeia, as neuroses clássicas (histeria, neurose obsessiva, fobia) dependiam de um enfraquecimento da imagem do pai. O aprofundamento deste declínio redundou, já na psicopatologia dos anos 30, nas patologias de caráter.

No caso dos batalhadores brasileiros a religião e os laços familiars parecem ter papel importante na formação deste espírito de resiliência, que aumenta a capacidade de absorver sucessivos fracassos, sacrifícios e riscos envolvidos na empreitada de ascensão social. Ao contrário do imigrante, que se separa de seus laços comunitários iniciando uma aventura individual de conquista, os batalhadores mantêm uma dívida simbólica com o passado e com a comunidade de origem. Se para o imigrante o passado renegado vem bater à porta, como sintoma de que algo de importante foi deixado para trás, para o batalhador é o futuro que assombra como indeterminação e incerteza: “será que trouxe tudo o que precisava na mala?” ou ainda “como posso ser feliz sem para de ser um sofredor”. Os batalhadores não querem mudar de bairro, mas permanecer junto de suas origens. Paradoxo: teria sido o infortúnio original a causa da felicidade posterior? Se essa for a pergunta teremos deentender muito melhor o sentido clínico do masoquismo.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/o_paradoxo_moral_do_batalhador_brasileiro.html

A ciência do autocontrole.

Sem dominar nossos impulsos não poderíamos conviver de forma civilizada. Segundo neurocientistas, a capacidade de autocontrole social pode ser compreendida por meio de marcas neurobiológicas.




Quem nunca teve muita vontade de dizer poucas e boas ao chefe, a um amigo ou parente mas na hora h usou toda a energia para evitar fazer isso? Ou então cedeu ao ímpeto e perdeu algo importante – talvez um relacionamento ou o emprego? Agora, imagine se você sempre fizesse tudo que passasse pela cabeça. Talvez a possibilidade seja tentadora, mas provavelmente você já teria tido problemas profissionais, dificilmente manteria um relacionamento afetivo estável ou amizades e com certeza se envolveria muitas vezes em brigas de todo tipo – o que seria um risco até para sua integridade física. Afinal, não por acaso a capacidade de autocontrole em situações sociais é essencial para um convívio razoavelmente harmônico.

O fato é que quase sempre precisamos refrear nossos impulsos para que, por exemplo, um pequeno desentendimento entre colegas ou na família não se torne algo enorme, que cause ruptura permanente. Da mesma forma, também deveríamos resistir a certas tentações se um relacionamento estável for importante. E quem sempre diz o que pensa não raro coloca pedras no próprio caminho – por exemplo, em uma entrevista de emprego.

Em todas essas situações utilizamos o autocontrole para seguir as normas sociais. Mas nem sempre é fácil manter o domínio de nossas reações. E como acontece com a maioria das características humanas, há grandes diferenças individuais no que se refere à capacidade de filtrar comportamentos para não deixar que a exaltação tome conta de nós. Em nossa sociedade, quem tem bom domínio de si mesmo é em geral mais respeitado por outros do que pessoas consideradas imprevisíveis e explosivas – o que certamente traz inúmeras vantagens.

Pessoas com bom autocontrole são, em geral, mais bem-sucedidas no trabalho e mantêm relacionamentos estáveis, como comprovam estudos do psicólogo social Roy Baumeister e de seus colegas da Universidade Estadual da Flórida em Tallahassee, nos Estados Unidos. Ele reconhece que, apesar de a autonomia emocional ser tão importante para o convívio, durante muito tempo seus fundamentos neurobiológicos foram ignorados. Hoje, os pesquisadores que se dedicam a esse estudo investigam principalmente duas questões: 1. Os processos cerebrais responsáveis por nossa capacidade de autocontrole social; 2. As características neurobiológicas que possam esclarecer as diferenças individuais relacionadas a essa capacidade.

Alguma vez um bom amigo traiu sua confiança? É provável que você tenha exposto a ele claramente sua opinião ou talvez tenha até terminado a amizade. Ou você se irritou ultimamente com uma multa por ter dirigido rápido demais na estrada? De fato, quando desrespeitamos regras, podemos ser punidos pelas pessoas à nossa volta ou por instituições públicas. Por esse motivo, quase sempre respeitamos as normas e controlamos impulsos egoístas para evitar as sanções.

Sabendo disso, neurocientistas aproveitam o fato de as reações serem mais fortes quando somos ameaçados com punição por desrespeito ao que está estabelecido ou em situações nas quais somos observados por outras pessoas e reproduzem essas condições nos experimentos. Uma equipe de pesquisadores coordenada pelo cientista econômico Ernst Fehr, da Universidade de Zurique, e pelo psiquiatra Manfred Spitzer, da Universidade de Ulm, estudou recentemente o que acontece no cérebro nessas ocasiões. Eles compararam o comportamento e a atividade cerebral de adultos saudáveis em duas situações: na primeira, o participante recebia 1 euro por rodada e deveria decidir a cada vez que porcentagem queria ceder para outro participante. No Segundo cenário a pessoa devia tomar a mesma decisão, sabendo, porém, que o recebedor poderia considerar a oferta injusta e punir com pontos negativos aquele que a propunha.

Conforme esperado, os voluntários se mostraram muito mais generosos diante da possibilidade de punição. Enquanto no primeiro caso quase ninguém optou por doar mais de 20 centavos, a maioria dos participantes do outro grupo dividiu pela metade a quantia que lhe coube.

Como revelou a tomografia por ressonância magnética funcional (TRMf), as áreas pré-frontais foram mais intensamente ativadas quando havia a possibilidade de castigo. Quanto mais divergente o comportamento do participante sob as duas condições, maior se mostrava a diferença no cérebro. Aqueles que responderam mais intensamente à punição por uma oferta muito sovina, cedendo muito mais dinheiro, apresentaram intensa ativação do lobo frontal.

Os pesquisadores acreditam que isso ocorre porque os participantes precisam exercer maior controle sobre seus impulsos egoístas para ceder uma quantia mais elevada do que gostariam. O córtex pré-frontal desempenha aqui um papel claramente importante.

O resultado é também interessante se considerarmos estudos que mostraram uma ativação reduzida de áreas pré-frontais em criminosos psicopatas. Sua pouca capacidade de controlar o próprio comportamento apesar da ameaça de sanções pode estar associada a déficits nessas áreas.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/a_ciencia_do_autocontrole.html

Ressonância magnética para detectar autismo.

Exames podem apontar indícios do transtorno em bebês com menos de 6 meses.




Embora os primeiros sinais do espectro autista apareçam a partir do primeiro ano de vida, os processos cerebrais ligados à comunicação sofrem alterações que desencadeiam o transtorno muito antes disso. É o que sugere os resultados preliminares de uma pesquisa recente conduzida pelo pesquisador Jason Wolff, da Universidade Chapel Hill, Carolina do Norte, publicada pelo American Journal of Psychiatry.

Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores investigaram o desenvolvimento cerebral de 92 bebês, todos com um irmão mais velho autista, e acompanharam as mudanças na organização neurológica ao longo do tempo por meio de exames de ressonância magnética. Quando as crianças estavam com 2 anos, 28 haviam desenvolvido o autismo, enquanto 64 não. A incidência do transtorno entre irmãos sugere correlação genética, segundo os especialistas.

Os pesquisadores observaram também que a substância branca (componente sólido do sistema nervoso central responsável pela transmissão de sinais entre regiões do cérebro) se formou lentamente em crianças que posteriormente desenvolveram a patologia, enquanto que nas saudáveis essa estrutura se constituiu rapidamente. Além disso, notaram alterações no desenvolvimento das fibras nervosas que conectam áreas cerebrais.

Esses indícios sugerem que o transtorno seja um fenômeno que atinge o cérebro inteiro, e não uma região específica como se acreditava anteriormente. Apesar de ser muito cedo para dizer o que causa essas diferenças, a descoberta indica uma interação complexa entre os genes e as experiências da criança com o mundo. “Futuros tratamentos poderão ser administrados em fases precoces da maturação cerebral para diminuir o impacto do autismo ou até mesmo para interromper seu desenvolvimento”, diz Wolff.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/ressonancia_magnetica_para_detectar_autismo.html

domingo, 1 de abril de 2012

Sobre Congressos e Eventos.

Periodicamente, postaremos os links e as informaçoes mais importantes sobre os principais eventos e congressos acerca de Neurologia, Neurocirurgia, Psiquiatria, etc.




Como primeiro link, temos a divulgaçao do XXV Congresso Brasileiro de Neurologia, que acontecera na cidade de Goiania, entre os dias 04 e 08 de Agosto de 2012. As datas para envio de trabalho, inscriçoes e maiores informaçoes podem ser conferidas no link abaixo.

XXV CONGRESSO BRASILEIRO DE NEUROLOGIA.

Todos nascemos sinestésicos.

Bebês apreendem a realidade de forma difusa.




Tente imaginar uma sala de museu onde as formas de uma obra de arte despertam sabores amargos em sua boca ou as variações de tom de uma pintura evocam notas musicais. Esse tipo de percepção é comum em pessoas com sinestesia – fenômeno sensorial raro no qual os sentidos se cruzam. A hipótese aceita é que ela tenha origem genética. Porém, um estudo da Universidade da Califórnia, publicado na Psychological Science, revela que recém-nascidos apreendem estímulos de maneira sinestésica.

A psicóloga Katie Wagner mostrou a bebês de até 8 meses de idade e a adultos imagens de círculos ou triângulos sobre um fundo colorido, cada metade de uma cor – vermelho, azul, amarelo ou verde. Segundo ela, as crianças olhavam por mais tempo para um desenho que associava círculos ao tom verde, por exemplo, do que para outro que reunia essa mesma cor e triângulos. As formas interferiram na preferência de cor, o que sugere sinestesia.

A associação foi mais expressiva em bebês de até 3 meses e praticamente inexistente nos de mais de 8 meses e nos adultos. O experimento reforça a ideia de que eles apreendem a realidade de forma difusa. “Talvez seus filtros de percepção não estejam treinados para focar determinados estímulos, como no caso dos adultos. Com o tempo, essa ‘linha cruzada’ sensorial tende a desaparecer”, explica Katie.
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Um compositor chamado Alexander Scriabin jura que vê o sons saindo das teclas do pino da seguinte forma:


Mais acerca da biografia de Alexander Scriabin pode ser conferido clicando aqui.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/todos_nascemos_sinestesicos.html