sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Após noites em claro.



Passar muitas horas sem dormir deixa os neurônios menos ativos, como acontece quando dormimos.
Após muitas horas sem dormir, alguns tipos de células neurais se tornam menos ativas, em estado semelhante ao do sono. É o que mostra estudo publicado no periódico Nature. Pesquisadores do Instituto de Farmacologia da Universidade de Zurique mantiveram ratos despertos por períodos além do normal enquanto monitoravam sua atividade cerebral por meio de minúsculos eletrodos. Foi observado que, embora os animais permanecessem acordados, com a maior parte das células ativadas – como acontece durante a vigília –, pequenos grupos de neurônios passaram a apresentar estado semelhante ao do sono, revelando baixa atividade. A privação de sono pareceu afetar principalmente células neurais relacionadas à aprendizagem, pois roedores treinados para vencer obstáculos para chegar até o alimento não conseguiram mais realizar essa tarefa. Segundo os autores do estudo, noites maldormidas podem afetar a capacidade de aprendizado e o desempenho de atividades de forma semelhante em humanos.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/efeito_de_noites_em_claro.html

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

“Ganhar e perder acontece entre as orelhas”

Assim como atletas de alta performance, pessoas comuns podem usar a mente a seu favor para obter sucesso em atividades que exigem grande empenho.



O mundo está repleto de gente talentosa, cheia de habilidades, capacitada para enfrentar os mais diversos desafios. Mas o sucesso não é garantido nem para essas pessoas, uma situação que intriga psicólogos. No esporte, esse fato é visto com frequência, e com o início da Copa do Mundo da África do Sul, em junho, e da Olimpíada de Londres, em 2012, mais uma vez os olhares se voltam para os atletas.

Não só os resultados, mas também a rotina de treinamentos e a forma como eles lidam com a ansiedade em cada competição chamam a atenção – e podem ensinar lições valiosas. Tomando por base suas performances, pode-se pensar em aspectos da vida de pessoas comuns, já que nem sempre esportistas bem preparados fisicamente conseguem
a vitória. Afinal, apenas talento e treino não são suficientes para conquistar o lugar de campeão: o equilíbrio psicológico é fundamental. Que o diga a seleção brasileira, na final do campeonato mundial, em 1998, na França.

Uma postura mental adequada e o firme desejo consciente de vencer podem tornar o amador um vencedor – e isso vale não apenas para esportistas, mas para qualquer um que queira realizar com êxito uma atividade que exija esforço e dedicação. O tenista alemão Boris Becker, que já foi o primeiro do mundo nesse esporte, descreveu essa postura de forma muito acertada e curiosa: “Perder e ganhar acontece entre as orelhas”. Em seu melhor período, Becker ganhava em jogos importantes o decisivo tiebreaker em nove de cada dez competições.

Certa vez, logo depois do jogo um repórter de televisão perguntou ao atleta como sempre conseguia tal resultado. “Ah, eu já joguei essa partida ontem à noite”, respondeu. O repórter não deu grande importância à frase, mas esse parecia ser justamente o segredo do sucesso. Excelentes desempenhos – seja no esporte, na pro fissão ou na vida pessoal – muitas vezes são alcançados “antecipadamente”. Oliver Kahn, goleiro que chegou perto de conquistar o título de melhor jogador do mundo pela Federação Internacional de Futebol (Fifa),“defendia” bolas críticas na noite anterior ao jogo decisivo. Da mesma forma, o piloto Michael Schumacher adotava a prática de se visualizar comemorando o primeiro lugar antes de a corrida começar.
Quando perguntaram certa vez ao boxeador ucraniano Wladimir Klitschko
como se preparava mentalmente para os embates, respondeu: “Quando tenho grandes lutas à frente, sonho com elas”. O que ele via nesses sonhos? “Eu vejo o fim que desejo, a vitória; exatamente como no cinema, os sonhos se tornam realidade.” O truque, portanto, é partir triunfante rumo ao objetivo antes do início da partida. Seguindo esse raciocínio, a postura mais indesejável que se pode ter ao chegar à linha de largada é “vejamos até onde se pode chegar”. Tudo isso parece muito esotérico? Talvez você já conheça a seguinte situação: a pessoa ajusta o relógio à noite para levantar às 6 horas – e na manhã seguinte acorda às 5h59, antes mesmo de o despertador tocar. Como pode ser? Simples: o subconsciente trabalha diligentemente para cumprir objetivos. O relógio biológico é, nesse caso, apenas um pequeno exemplo das possibilidades que podem se abrir para uma pessoa. É possível, sim, usar esse potencial em causa própria.

Primeiramente, é preciso interromper o “diálogo interno” – uma espécie de bate-papo repetitivo (e em geral com teor acusatório) que acontece em nossa cabeça quando, por exemplo, nos cobramos por eventuais falhas. Essa discussão interior é algo muito diferente de reconhecer os próprios erros e traçar estratégias para não voltar a cometê-los. Em geral acontece de forma consciente, mas é alimentada pelo subconsciente, e por isso nem sempre é simples ter controle sobre ela. Nesse caso, práticas específicas de relaxamento podem ser bastante úteis e afastar pensamentos prejudiciais. Técnicas orientais – como a meditação zen, para desenvolver a habilidade de não pensar em nada – costumam ser eficazes. Ocorre que qualquer um que faça a tentativa logo percebe que
atingir esse estado de “esvaziamento mental” não é nada fácil. Ou você consegue não pensar em um elefante azul logo após ler estas palavras?

Por isso, o cardiologista americano Herbert Benson, da Escola de Medicina de Harvard, recomenda: se não é possível pensar em nada, pense em quase nada, sem a preocupação de encontrar sentido ou fazer associações. Em resumo, deixe que os pensamentos “passem”, sem tentar controlá-los. Uma forma de conseguir é com a “caminhada meditativa”, em círculos, na qual, a cada passo, se pensa apenas no seguinte: “À esquerda, à esquerda, à esquerda, à esquerda...”. Por meio dessa monótona repetição, pode-se distanciar o consciente do incessante diálogo interior, muitas vezes incômodo, e obter maior nível de relaxamento mental.
O efeito positivo dessa prática para o corpo é mensurável na redução de problemas cardíacos associados ao estresse, pressão alta, dores crônicas e distúrbios de sono. Em alguns casos, esses males desaparecem completamente. O relaxamento também é possível sem a caminhada. Quer tentar? Sente-se tranquilamente em uma cadeira e murmure de forma inaudível um “mantra”, se possível, sem significado – por exemplo, “iamon”. Após alguns minutos, o seu diálogo interno para. Com o treino, isso ocorre mais rapidamente.
O efeito também pode ser cientificamente conferido: o eletroencefalograma (EEG) mostra que as correntes cerebrais se tornam mais lentas, o cérebro funciona no chamado ritmo alfa (uma forma de relaxamento semelhante às fases de sono profundo).

Em alguns casos, a pessoa não sente mais o corpo. Esses são momentos raros, nos quais a porta para o subconsciente se abre. Boris Becker fazia exatamente assim: na noite anterior a um jogo importante, ele se isolava em seu quarto de hotel, colocava- se nesse estado de relaxamento e sonhava com seu sucesso nos momentos decisivos do jogo. Em pensamento, se via fazendo uma ótima jogada, enquanto seu opositor ficava indefeso na base. Quando adormecia com essa imagem na cabeça, seu subconsciente continuava trabalhando incessantemente e ancorava a imagem desejada como algo já atingido – como “verdadeira”.

No dia seguinte, quando a situação antecipadamente sonhada se tornava realidade, Boris Becker já havia vencido internamente. Considerando a certeza da vitória, já não restava espaço para a hesitação durante o saque, e não havia dúvida de que ele seria capaz de fazer as melhores jogadas. Tudo ocorria de forma mais ou menos automática. E o mais importante: ele não levaria em conta um possível erro.

Obviamente não adianta sonhar que o adversário erra, já que se trata de interferir na realidade interna, subjetiva, mandando mensagens para o próprio cérebro. Só podemos fazer isso conosco, nunca com os outros. Quando você também quiser afastar hesitações que podem enfraquecê-lo em momentos decisivos (ao apresentar um trabalho, submeter-se a uma entrevista de emprego, participar de uma reunião importante ou conversar com alguém querido sobre tema difícil), pode realizar um exercício duas vezes por dia, durante dez minutos, com intervalo de algumas horas entre eles. Assim que estiver totalmente relaxado e conseguir calar seu diálogo interior, visualize os seus objetivos pessoais em imagens o mais marcantes possível, dizendo a si mesmo que o objetivo já foi atingido. E, então, deixe que seu cérebro faça o resto.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/-ganhar_e_perder_entre_as_orelhas-.html

Do Túnel do Tempo: Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1902.

Como prometido, neste post demos início a uma série de publicações que tem por propósito divulgar os nomes e as descobertas dos médicos cientistas que foram agraciados com o prêmio Nobel desde a sua criação até os dias atuais.
Todas as quintas-feiras, será publicada a biografia do agraciado e um pouco da pesquisa desenvolvida, que nem sempre será especificamente da área neurológica.
Abaixo, temos algo sobre a vida do Dr. Ronald Ross.



Ronald Ross, Sir (1857 - 1932)



Médico, biólogo sanitarista e entomologista indiano nascido em Almora, Índia, e naturalizado inglês, famoso por descobrir que o mosquito anopheles transmite o parasita da malária (1897). Formou-se em medicina no Saint Bartholomew's Hospital em Londres (1879) e entrou no serviço militar Indo-Britânico (1881). Após estudar bacteriologia em Londres (1888-1889), dirigiu uma expedição pelo Oeste da África e identificou a presença de malária com o mosquito transmissor (1889). Retornou para a Índia (1892) e iniciou as investigações sobre transmissão e controle de malária. Desenvolveu uma séries de experimentos que provaram que a malária era transmitida pelos mosquitos e demonstrou o ciclo do parasita no Anopheles (1895). Retornou para Inglaterra (1899) e juntou-se a faculdade do Liverpool School of Tropical Medicine. Foi eleito fellow da Royal Society (1901) e, por sua descoberta, foi agraciado com Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina (1902). Foi sagrado cavaleiro (1911) e nomeado médico de doenças tropicais no King's College Hospital, em Londres (1913) e logo após foi nomeado diretor-chefe do Ross Institute and Hospital for Tropical Deseases, Londres, na cidade onde ficaria até morrer.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/RonadRos.html

Estudo aponta sete medidas para evitar Alzheimer .



Pesquisadores americanos divulgaram a lista de sete medidas que poderiam evitar milhões de casos do mal de Alzheimer em todo o mundo. Os sete fatores são ligados a estilo de vida: não fumar, ter uma dieta saudável, prevenir o diabetes, controlar a pressão arterial, combater a depressão, fazer mais atividades físicas e aumentar o nível de educação. De acordo com o estudo dos cientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco, a metade dos casos da doença no mundo se devem a falta destas medidas de saúde e basta uma redução de 25% nos sete fatores de risco para evitar até 3 milhões de casos. Os detalhes da investigação foram divulgados na revista científica The Lancet e apresentados na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, que ocorre em Paris. Causas As causas do mal de Alzheimer, forma mais comum de demência, ainda não são totalmente conhecidas. Mas, os estudos demonstraram que vários fatores estão ligados à doença, incluindo fatores genéticos, idade e estilo de vida. Pesquisas já realizadas mostraram que vários fatores de risco podem ser modificados para evitar a doença, como por exemplo, doenças cardiovasculares, níveis de atividade física, estímulo mental e dieta. Mas, até o momento, não estava claro até que ponto uma pessoa poderia evitar o Alzheimer modificando algum destes fatores de risco. Para conseguir esta resposta, os pesquisadores usaram um modelo matemático sobre os riscos do Alzheimer no mundo todo. Com este modelo, os cientistas calcularam a porcentagem global de casos de Alzheimer que poderiam ser atribuídos a diabetes, hipertensão, obesidade, tabagismo, depressão, baixo nível de educação e falta de atividade física. Os resultados mostraram que a metade dos casos da doença no mundo parecem ser causados por estes fatores, que estão ligados ao estilo de vida e podem ser modificados. Educação O fator que parece causar a maior porcentagem de casos da doença, segundo os pesquisadores, é o baixo nível educacional (19%), seguido pelo tabagismo (14%), falta de atividade física (13%), depressão (11%), hipertensão na meia idade (5%), obesidade na meia idade (2%) e diabetes (2%). Juntos, estes sete fatores de risco contribuem para os 17,2 milhões de casos de Alzheimer no mundo, o que corresponde a 51% dos casos globais da doença. "Nos surpreendeu descobrir em nosso modelo que os fatores de estilo de vida, como o baixo nível educacional, falta de atividade física e tabagismo parecem contribuir para um número maior de casos de Alzheimer do que as doenças cardiovasculares", disse Deborah Barnes, que liderou o estudo. "Mas isto sugere que mudanças relativamente simples no estilo de vida podem ter um impacto dramático no número de casos de Alzheimer no decorrer do tempo", acrescentou. A pesquisadora destacou, no entanto, que estes são apenas cálculos matemáticos e serão necessários estudos mais amplos em várias populações para comprovar estes dados. Mesmo assim, segundo os pesquisadores, estes cálculos são uma "suposição importante " e qualquer coisa que ajude a evitar a grande carga que esta doença significa para os serviços de saúde é positiva.

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1263-estudo-aponta-sete-medidas-para-evitar-alzheimer.html

Em busca da causa das doenças mentais.

Em entrevista para a revista Mente&Cérebro, a pesquisadora Sabine Bahn, diretora do Centro de Pesquisas Neuropsiquiátricas em Cambridge, conta detalhes sobre sua linha de estudo que investiga as causas de doenças graves como a esquizofrenia ou o transtorno bipolar.




Mesmo depois de muitos anos de pesquisas para descobrir a real causa de alguns distúrbios mentais, os cientistas ainda não têm certeza da origem de graves doenças como a esquizofrenia ou o transtorno bipolar. Em entrevista para a Mente&Cérebro, a pesquisadora Sabine Bahn, diretora do Centro de Pesquisas Neuropsiquiátricas em Cambridge, conta detalhes sobre sua linha de estudo que investiga as causas da patologia. Suas pesquisas se baseiam em análises de proteínas, entre outros métodos biomoleculares. Por meio deles ela espera descobrir alterações no cérebro de pessoas com doenças mentais graves.

À primeira vista, o ambiente de trabalho da neuropsiquiatra parece ser exatamente como se imagina um laboratório de biólogos moleculares: uma confusão de cabos e tubos espalhados por todos os lados; aparelhos com nomes impronunciáveis ligados e computadores de última geração zunindo constantemente. Somente em um segundo momento é possível enxergar um ponto de azul-celeste e outro cor-de-rosa brilhando entre os armários. “Quando nos mudamos para cá há cinco anos, mandamos colorir as paredes”, revela Sabine Bahn, diretora do Centro de Pesquisas Neuropsiquiátricas em Cambridge. Sabine nasceu em Freiburg, na Alemanha, mas durante o doutorado passou a trabalhar na “universidade da elite britânica”, como ela mesma diz. Hoje, aos 42 anos a cientista está entre os pesquisadores que trabalham para descobrir novas doenças psiquiátricas. Por meio da análise de proteínas e de outros métodos biomoleculares, Sabine procura biomarcas no cérebro que forneçam informações sobre o surgimento e o desenvolvimento dos transtornos psíquicos.

A dificuldade: nenhuma outra parte do corpo é tão complicada quanto o cérebro. A pesquisa de Sabine, portanto, se assemelha à busca de uma agulha no palheiro – sendo o palheiro, neste caso, composto por milhares de proteínas e metabólitos, mensageiros e cascatas de sinais que se influenciam mutuamente. Veja na entrevista exclusiva à Mente&Cérebro por que ela acredita que suas descobertas podem ser o futuro da neuropsiquiatria.
Mente&Cérebro – A senhora procura moléculas cerebrais que indiquem distúrbios psiquiátricos. Por que acha que há necessidade de recuperar informações neste caso?
Sabine Bahn – No fundo, nós não sabemos em que consiste a origem de graves transtornos como a esquizofrenia ou o transtorno bipolar. Nesse terreno, a medicina ainda está tateando. A maioria das descobertas sobre isso nos últimos 20, 30 anos remontam à efetividade de determinados medicamentos que muitas vezes foi descoberta por acaso. Várias substâncias desenvolvidas originalmente para tratar outras doenças modificam também a vivência dos pacientes: elas eliminam a ansiedade, por exemplo, reduzindo as alucinações. Até hoje, na maioria dos casos ainda não se sabe por que isso ocorre. Estou tentando esclarecer as bases moleculares desses distúrbios para que eles possam ser mais bem tratados.




M&C - Trata-se também de melhores diagnósticos?
S.B. - Sim, esse é o outro lado da moeda: os métodos atuais de diagnóstico são insuficientes em muitos quesitos: não se faz, para tanto, muito mais que observar as pessoas, conversar com elas e entregar-lhes questionários. Assim, não ficamos sabendo o que ocorre no cérebro de cada uma delas.

M&C - Na verdade, vários fatores contribuem para o surgimento de transtornos psíquicos. Por que a senhora voltou seus estudos para a biologia molecular?
S.B. - Existe um forte componente genético. No caso de gêmeos univitelinos, geneticamente idênticos, a probabilidade de um deles adoecer quando o outro é esquizofrênico ou bipolar, é de até 50%. O inverso também é verdadeiro, nem todos os que têm a predisposição genética adoecem de fato. A herança genética e o ambiente trabalham juntos nesse caso, e a isso se acresce o fato de que por trás da maioria dos transtornos se escondem provavelmente defeitos em diferentes genes.
M&C - Tudo isso soa como se a química cerebral, o ambiente e o comportamento estivessem entrelaçados demais para que pudéssemos separá-los. É isso mesmo?
S.B. - Bem, ninguém nunca afirmou que isso seria fácil. Mas hoje dispomos de métodos melhores para desvendar os caminhos dos sinais que podem determinar uma doença: da mutação e da leitura da informação genética, passando pelas proteínas resultantes desses processos até a atividade enzimática ou metabólica “patológica” que elas podem causar. Por isso acompanhamos no laboratório vários caminhos ao mesmo tempo. Começamos analisando o tecido cerebral de várias centenas de pacientes falecidos. Nesse caso, não se tratava de um gene ou proteína determinados, mas de perfis globais. Nos exames, registramos as diferenças entre os cérebros de pessoas doentes e saudáveis do grupo-controle. Assim, descobrimos que as mitocôndrias, as usinas produtoras de energia das células neurais, estavam claramente alteradas nos primeiros. Além disso, tanto nos esquizofrênicos quanto em doentes bipolares, a mielinização dos neurônios estava alterada. A mielina forma o isolamento dos axônios que transmitem os sinais nervosos. Essa foi a primeira prova de semelhanças entre os dois transtornos em nível celular.

M&C - Isso se refere à origem dos distúrbios ou apenas às suas consequências comuns?
S.B. - É difícil saber. Por isso é tão urgente esclarecer os mecanismos com exatidão. Se conseguirmos isso, poderemos um dia prevenir doenças possíveis em vez de simplesmente reagirmos terapeuticamente. Essa ideia me fascina.

M&C - E como a senhora age na prática?S.B. - Uma parte de nosso trabalho consiste em procurar relações estatísticas em quantidades gigantescas de dados, correlações entre sintomas de doenças e marcadores moleculares. Nós processamos aproximadamente 20 terabytes de dados por ano. As bases para tanto são amostras de pacientes de diversas idades, principalmente de sangue e líquido cerebrospinal, mas também tecido nervoso de mortos. Junto com Markus Leweke, no Hospital Universitário de Colônia, descobrimos que no líquido cerebrospinal de pacientes esquizofrênicos há baixa quantidade de glicose, lactato e outras substâncias que fazem parte do metabolismo.
M&C - Como isso supostamente ocorre?
S.B. - O cérebro gasta de 20% a 30% da energia do corpo, apesar de representar cerca de 2% do nosso peso total. O metabolismo energético está sujeito a várias influências genéticas, e existem várias reservas escondidas que são acionadas só se a provisão de energia é interrompida. Nossa hipótese é de que o estresse oxidativo, que desencadeia falta de energia no cérebro, causa prejuízos que se transformam em sintomas psiquiatricamente relevantes.

M&C - Os procedimentos por imagem também podem ajudar a tornar visíveis os processos cerebrais patológicos?
S.B. - A sobreposição entre a atividade cerebral normal e patológica ainda é grande. Precisamos nos contentar com um baixo número de pessoas durante as séries de testes dentro dos tomógrafos. Em vista da vastidão dos sintomas, é difícil encontrar um denominador comum nos padrões de atividades de diversos pacientes.

M&C - Como os transtornos poderão ser mais bem classificados no futuro?
S.B. - Os sintomas psiquiátricos são pouco específicos para um ou outro transtorno. Com a ajuda de biomarcas talvez seja possível abrir o sistema diagnóstico que atualmente consiste em gavetas com etiquetas bastante difusas: esquizofrenia afetiva, transtorno psicótico e assim por diante.

M&C - Algumas pessoas acreditam que pesquisas como as suas falam a favor do determinismo biológico.
S.B. - Isso é bobagem. Como eu já disse: o ambiente, os genes e o comportamento se entrelaçam constantemente e de forma estreita. A indicação da base neurológica de transtornos psíquicos pode evitar preconceitos – pois não se trata de “devaneios cerebrais”. No entanto, não podemos compreendê-la como a única origem a que se podem atribuir os transtornos.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/agulha_no_palheiro.html

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Que som é esse?



Crianças com dislexia têm dificuldade em diferenciar a língua falada de outros ruídos.
Dentro da sala de aula os sons se misturam: conversas em voz alta, barulho de papel e arrastar de cadeiras, e, ainda assim, a maioria das crianças consegue acompanhar a voz do professor. Porém, para vários alunos com dificuldades de leitura isso não acontece. O que foi dito se perde em meio ao barulho, e eles não conseguem distinguir todos os outros sons a sua volta.

Segundo neurocientistas da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, a raiz do problema está no tronco encefálico: em crianças disléxicas essa área aparentemente não reage bem. Os pesquisadores estudaram 30 crianças com idade entre 8 e 13 anos, das quais metade sofria de distúrbios de leitura.

Os participantes assistiram a um filme escolhido por eles ao mesmo tempo que ouviam a sílaba “da” no fone de ouvido. Com a ajuda de eletrodos os pesquisadores registraram a atividade cerebral das crianças. Em um segundo teste, os voluntários repetiam frases inteiras que lhes eram ditas, e o volume do barulho que estava ao fundo, usado para distraí-los, aumentava gradativamente.

Os resultados foram os esperados: apesar de todas as crianças terem se concentrado no filme, o cérebro dos voluntários sem distúrbios percebeu a sílaba pronunciada com grande exatidão, fato percebido pela linearidade do padrão no eletroencefalograma (EEG). Em crianças com dislexia, esse sinal não ocorreu e o desempenho no segundo teste foi pior do que nas demais.

O tronco encefálico funciona como primeiro ponto de conversão de sinais acústicos depois que o ouvido interno transformou as ondas sonoras em impulsos elétricos. Crianças disléxicas aparentemente têm nesse estágio inicial do processamento sensorial problemas relevantes para diferenciar a fala de outros ruídos ambientes, explica o neurocientista Bharath Chandrasekaran, coordenador do estudo.

Essas descobertas podem explicar o resultado de outros estudos que demonstraram que a dislexia muitas vezes surge associada a uma percepção acústica ruim da fala. Os pesquisadores sugerem que os professores podem ajudar crianças com esse distúrbio: alunos disléxicos deveriam sentar-se na frente do professor para acompanhar melhor a explicação e, em casos mais graves, usar aparelho auditivo adaptado.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/que_som_e_esse.html

Por que temos arrepios e calafrios quando estamos com medo?



Nós arrepiamos quando estamos com medo pela mesma razão que os gatos se arrepiam quando se sentem ameaçados. “O princípio geral é, se você está para ser atacado, tente parecer maior”, disse David Huron, um musicolólogo da Ohio State University. As pessoas não têm tantos pêlos como os gatos, mas os arrepios são resquícios de quando éramos peludos.

Os arrepios começaram como uma resposta ao frio. Quando o cabelo fica em pé, cria uma camada isolante ao redor do corpo. Mas há alguns milhões de anos, nossos antepassados se assustaram com um suposto predador e os cabelos arrepiados se tornaram um útil mecanismo de defesa. A herança dessa resposta fisiológica explica porque o medo está relacionado com o frio.

Calafrios também surgem quando sentimos qualquer tipo de surpresa ou emoção intensa, mesmo em uma música. Uma mudança de volume ou o momento em que o cantor começa a cantar. As pessoas costumam ter calafrios nas passagens em que o tom é “triste”, disse Jaak Panksepp, neurocientista da Washington State University.

É possível ter arrepios, várias vezes, ouvindo uma mesma canção. “O cérebro pode tolerar milhares de falsos alarmes para nos proteger de uma ocasião em que o alarme seja real”, explica Huron.

É por isso que quando sabemos que estamos seguros – como em um filme de terror, por exemplo – esses falsos alarmes podem ser prazerosos.

“Uma parte do cérebro está dizendo – “Oh meu Deus, eu vou morrer”. Mas a parte consciente diz que está tudo bem. Então, a pessoa se sente bem com os arrepios”, afirma Huron.

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI276317-17770,00-POR+QUE+TEMOS+ARREPIOS+E+CALAFRIOS+QUANDO+ESTAMOS+COM+MEDO.html