domingo, 8 de janeiro de 2012

Ratos com parceiras são menos vulneráveis às drogas.

Laços afetivos diminuem o prazer sentido com substâncias químicas.



Vários estudos têm mostrado relação entre ausência de vínculos afetivos e maior vulnerabilidade à dependência química. Agora, uma pesquisa com ratos silvestres expostos à anfetamina mostra que os animais com parceiras sexuais fixas procuram repetir as doses da substância com menor freqüência que os roedores “solteiros”.

A droga ativa a produção de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer. Segundo a autora do estudo, a neurocientista Kimberly Young, da Universidade do Estado da Flórida, o cérebro dos ratos em relações estáveis tinha menos receptores ao composto químico. O experimento mostra que os laços afetivos nos deixam menos suscetíveis ao prazer obtido com as drogas.

A anfetamina é uma droga sintética de efeito estimulante da atividade mental. A denominação “anfetaminas” é atribuída a todo um grupo de substâncias como: fenproporex, metilfenidato, manzidol, metanfetamina e dietilpropiona. Todas essas são comercializadas sob a forma de medicamento. Um outro tipo de anfetamina, bem conhecido, porém de uso ilícito, logo, não encontrado em farmácias, é a metilenodioximetanfetamina (MDMA), conhecida por “êxtase”.
O uso clínico mais comum dessa categoria de substâncias é como moderador de apetite. Esse uso é aconselhado apenas em casos de obesidade mórbida, por se tratar de uma substância que provoca dependência, dado este, pouco conhecido pelos pacientes. Outro uso clínico comum é em pacientes diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.



As anfetaminas também são conhecidas como “Rebite” pelos motoristas que precisam dirigir várias horas seguidas sem descansar, sendo ingeridas, neste caso pelo seu efeito de inibição do sono. Já entre os estudantes, é conhecida por “bola”, e é também utilizada para inibição de sono com objetivo de passar a noite inteira estudando.

As anfetaminas possuem diferentes formas de uso – via oral, por comprimido ou solução, fumada e por via injetável.

Mecanismo de Ação

A ação da anfetamina é estimulante, provocando aceleração do funcionamento mental, por meio do aumento da liberação e tempo de atuação de dopamina e noradrenalina no cérebro.

A dopamina é o nerotransmissor que se relaciona à dependência, proporcionando sensação de prazer. Além disso, está relacionada ao comportamento motor fino, cognição/percepção, controle hormonal e sistema neurovegetativo, este último relacionado a comportamentos motivacionais, de desejo, como fome, sede e sexo. Já a noradrenalina é relacionada ao controle de humor, motivação, cognição/percepção, comportamento motor fino e manutenção da pressão arterial.

O efeito do aumento desses neurotransmissores no cérebro é uma alteração nas funções de raciocínio, emoções, visão e audição, provocando sensação de satisfação e euforia. Essa alteração provoca prejuízo cognitivo relacionado à atenção, planejamento e tomada de decisões. Quando administrada pela via injetável, tem início de ação bem rápido. Já pela via oral, tem um início de ação lento, porém dura de oito a dez horas.

Efeitos no Organismo

A pessoa sob o efeito de anfetamina tem insônia, perde o apetite, fica eufórica (cheia de energia) e com uma fala acelerada. Além disso, apresenta sensação de poder, irritabilidade, prejuízo do julgamento, suor e calafrios. A pupila dilata-se, efeito chamado midríase, sendo prejudicial e perigoso para os motoristas que a consomem, pois ficam com o olho mais sensível aos faróis dos carros.

A circulação sanguínea é prejudicada pela contração das artérias, outro efeito da substância, reduzindo oxigenação e transporte de nutrientes importantes. A pressão arterial é elevada e há aumento da freqüência de batimentos cardíacos (taquicardia), podendo gerar infarto agudo do miocárdio ou arritmias cardíacas, sendo ambos potencialmente letais.

No cérebro podem ocorrer acidentes vasculares (derrames) e isquemias (prejuízo na circulação sanguínea em pequenas áreas), acarretando como conseqüência, neste último caso, diminuição da atenção, concentração e memória. Convulsões é outro efeito do uso de anfetamina pela elevação da temperatura do corpo.

A redução da sensação de fadiga ocasionada pela anfetamina pode ser prejudicial, já que ao disfarçar o cansaço provoca um esforço excessivo para o corpo. Porém, quando o efeito da droga passa, o usuário sente uma grande falta de energia e depressão, não conseguindo realizar nem as tarefas que fazia anteriormente ao uso.

Conseqüências Negativas

Por ser uma droga que provoca dependência, o usuário tem que consumir maiores quantidades de comprimidos para obter os mesmos efeitos (tolerância). Quando o uso de anfetamina é crônico, a dose tem que ser aumentada, não só pela tolerância, mas para evitar sintomas de abstinência como aumento de apetite, cansaço e sonolência.

É comum que pessoas que utilizam anfetamina com o objetivo de perder peso, voltem a engordar quando interrompem o seu uso. Assim, sua indicação é mais adequada a pacientes com obesidade mórbida (pessoas muito obesas). Apesar disso, grande parte dos usuários de anfetaminas são mulheres e muitas delas sofrem de dismorfia corporal, ou seja, têm uma visão distorcida do seu corpo. O uso indevido e prolongado pode provocar alterações psíquicas, lesões cerebrais e aumenta do risco de convulsões e overdose.

Quando é consumida em quantidade excessiva, todos os efeitos no organismo são agravados e surgem outros como agressividade e temperamento irritadiço. Além disso, o usuário passa a suspeitar de que outros estão tramando contra ele, ficando num estado de alerta exagerado conhecido como delírio persecutório.

Dependendo da sensibilidade do indivíduo ele pode entrar num verdadeiro estado de paranóia, conhecida como psicose anfetamínica. A sensibilização do indivíduo pode ocorrer por um uso crônico, fazendo com que esses efeitos negativos já apareçam em baixas doses da droga. Há pesquisas em animais de laboratório que comprovam a degeneração celular no cérebro, provocando lesões irreversíveis pelo uso abusivo do psicotrópico.


Fontes: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/ratos_com_parceiras_sao_menos_vulneraveis_as_drogas.html
http://www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/conteudo/index.php?id_conteudo=11285&rastro=INFORMA%C3%87%C3%95ES+SOBRE+DROGAS%2FTipos+de+drogas/Anfetaminas#definicao

A tecnologia avançada revela a atividade de neurônios individuais durante as crises epilépticas .



O primeiro estudo a examinar a atividade de centenas de células individuais do cérebro humano durante as crises concluiu que as crises começam com extremamente diversificada atividade neuronal, ao contrário da visão clássica de que são caracterizados por atividade maciçamente sincronizado. O estudo feito por pesquisadores da Massachusetts General Hospital (MGH) e da Universidade Brown os fez observar mudanças de apreensão pré-atividade neuronal, tanto em células onde as crises originam e nas células vizinhas.

A reportagem será exibida na revista Nature Neuroscience e está recebendo a publicação em linha avançada. "Nossos resultados sugerem que diferentes grupos de neurônios desempenham papéis distintos em diferentes fases das crises", diz Sydney Cash, MD, PhD, do Departamento de Neurologia MGH, autor sênior do papel. "Eles também indicam que ele pode ser possível prever crises iminentes, e que a intervenção clínica para prevenir ou detê-los, provavelmente, deve orientar os grupos específicos de neurônios." As crises epilépticas têm sido relatados desde os tempos antigos, e hoje 50 milhões de pessoas no mundo são afetadas, mas muito permanece desconhecido sobre como começar apreensões, difundir e fim.

O conhecimento atual sobre o que acontece no cérebro durante as crises em grande parte vem de leituras EEG, que refletem a atividade média de milhões de neurônios ao mesmo tempo. Este estudo utilizou uma neurotecnologia que registra a atividade de células individuais do cérebro através de um sensor implantado o tamanho de uma aspirina infantil. Os investigadores analisaram dados recolhidos a partir de quatro pacientes com epilepsia focal - crises que se originam em tecidos cerebrais anormais - que não pôde ser controlada por medicação. Os participantes tiveram a sensores implantados na camada externa do tecido cerebral para localizar as áreas anormais antes da remoção cirúrgica.

Os sensores registravam a atividade de entre dezenas a mais de uma centena de neurônios individuais em períodos de cinco a dez dias, durante o qual cada paciente experimentou várias crises. Em alguns participantes, as gravações detectaram mudanças na atividade neuronal, tanto quanto três minutos antes de uma crise começa e revelou altamente diversificada atividade neuronal, como começa a apreensão e se espalha. A atividade torna-se mais sincronizados para o fim da crise e quase completamente interrompida quando uma crise termina. "Mesmo que cada indivíduo tinha diferentes padrões de atividade neural que conduzem a uma apreensão, na maioria deles, foi possível detectar mudanças na atividade de apreensão antes da próxima", diz o co-ligação e correspondente autor Wilson Truccolo, PhD, universidade de Brown Departamento de Neurociências e um bolseiro de investigação de MGH. "Ainda estamos muito longe de ser capaz de prever uma crise - que poderia ser um avanço importante no tratamento da epilepsia - mas este trabalho aponta para a frente Para a maioria dos pacientes, é a natureza imprevisível de epilepsia que é assim. debilitante, tão só saber quando um ataque vai acontecer iria melhorar a sua qualidade de vida e poderá um dia permitir aos médicos a parar antes que comece. " Caixa acrescenta, "Estamos usando métodos cada vez mais sofisticados para lidar com grandes quantidades de dados que estamos coletando dos pacientes. Agora estamos a avaliar o quão bem nós realmente podemos prever crises usando conjuntos de neurônios isolados e continuam a usar estas técnicas avançadas de gravação para desvendar os mecanismos que causam crises humanas e alavancar esse conhecimento para aproveitar ao máximo a modelos animais. "

Fonte: http://neurocurso.com/neuronews/1170-a-tecnologia-avancada-revela-a-atividade-de-neuronios-individuais-durante-as-crises.html

Capturados pela cleptomania.

Distúrbio estimula furto de objetos dos quais a pessoa não tem necessidade.



A cleptomania não é um distúrbio comum. Estimativas como a da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que apenas 5% daqueles que cometem furtos apresentam o problema, enquanto na população em geral o distúrbio atinge cerca de seis pessoas em cada mil. O termo vem do grego – kléptein, roubar, subtrair – e foi usado pela primeira vez em 1836 pelo psiquiatra francês Jean-Etienne Dominique Esquirol para indicar uma irresistível propensão ao furto causada, não por uma falta de senso moral, mas por um distúrbio da mente.

Nas últimas duas décadas foi possível observar o aumento de interesse de médicos e pesquisadores em aspectos psiquiátricos e neurobiológicos do transtorno. Do ponto de vista médico e legal o distúrbio pode ser considerado uma conduta compulsiva que compromete gravemente a possibilidade da pessoa de determinar o próprio comportamento. Os cleptomaníacos roubam sem a ajuda de cúmplices e agem de maneira impulsiva – embora geralmente se sintam culpados, percebam o risco de consequências legais e procurem evitá-lo. Além disso, não tiram proveito dos objetos roubados: na maioria das vezes, os jogam fora ou os oferecem de presente, mas podem também colecioná-los e até devolvê-los às escondidas, o que aumenta o perigo de serem pegos. Em casos em que é realizado de improviso, de maneira quase automática, como em transe, o furto pode ter a função de servir aos pacientes para regular os próprios estados de ânimo e combater sentimentos depressivos: nessas ocasiões pode ser recomendado o uso de medicamentos que reduzam a impulsividade e estabilizem o humor, como os antiepiléticos ou os sais de lítio.

O pesquisador Eric Hollander, da Mount Sinai School of Medicine de Nova York, foi pioneiro no agrupamento de patologias bastante heterogêneas no espectro obsessivocompulsivo. Nos dois extremos estão, de um lado, os sintomas mais claramente ditados pela compulsão, como os rituais e a anorexia nervosa, e, do outro, os dominados pelo impulso, como os jogos de azar patológicos, a dependência de substâncias químicas, a bulimia e a cleptomania. As primeiras são mais frequentemente associadas à depressão, enquanto as segundas ao transtorno bipolar. A semelhança do comportamento dos cleptomaníacos com o dos toxicodependentes, que buscam de modo repetitivo uma recompensa específica apesar dos riscos e das desvantagens para sua vida, levou alguns pesquisadores a usar na cleptomania alguns medicamentos que combatem o efeito dos opioides endógenos, com resultados aparentemente encorajantes. O pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Minnesota John Grant, um dos maiores especialistas mundiais em cleptomania, ressalta que existem vários subtipos do distúrbio que podem fazê-lo se parecer mais com uma patologia obsessivo-compulsiva, um transtorno do humor ou uma dependência: por isso a escolha do tratamento deve ser precedida, para não se tornar ineficaz, por uma avaliação cuidadosa e individualizada do paciente. Mas em qualquer situação, com ou sem o uso de medicamentos, o acompanhamento psicoterápico é fundamental.

Onde procurar ajuda

Várias instituições – em geral universidades onde há cursos de psicologia e centros de formação nessa área – oferecem atendimento gratuito ou a preços reduzidos para quem deseja ajuda profissional. Em São Paulo, o Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (Amiti), que funciona no Hospital das Clínicas (HC), acompanha pessoas com cleptomania (informações pelo e-mail contato@amiti.com.br ou site http://www.amiti.com.br). A Clínica Psicológica da Universidade Presbiteriana Mackenzie atende gratuitamente (as consultas são marcadas das 8h às 20h, pelo tel. 11 3256-6827). Já Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP), também em São Paulo, encaminha os interessados em atendimento para profissional credenciado (contatos pelo telefone 11 3865-0017). A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebe as inscrições para psicoterapia a partir de fevereiro (tels. 21 2295-8113/3873-5326 ou pelo site www.psicologia.efrj.br). Em Recife, a Universidade Católica de Pernambuco mantém plantão psicológico às segundas e quartas durante todo o dia; as duas primeiras sessões são gratuitas e pelas demais é cobrado valor simbólico (mais informações pelo telefone (81) 2119-4115 ou pelo site www.unicap.br).

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/capturados_pela_cleptomania.html

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Peça de teatro baseada em caso clínico.

Texto remete aos primeiros relatos do criador da psicanálise.



Uma professora de francês de pouco mais de 40 anos chega ao consultório do psicanalista Dr. Goldstein queixando-se de dores nas articulações. Decidiu procurá-lo depois de consultar vários médicos e não ter encontrado uma solução para o problema, que parecia não ter nenhuma causa orgânica. Ao longo das sessões, revela-se uma mulher solitária, que se divide entre as aulas e a companhia da irmã, com quem vive em uma casa confortável desde a morte da mãe. Os sintomas da protagonista, interpretada pela atriz Helena Ranaldi, incluem mal-estar, apatia e dores que por vezes impedem o caminhar, descritos por Sigmund Freud como sinais físicos que refletem repressões e desejos inconscientes. Baseada em um caso clínico acompanhado pelo médico Ronaldo Levigard nos anos 80, a peça O caso Valkiria R., em cartaz no Rio de Janeiro, remete aos primeiros relatos do criador da psicanálise, como “o caso Dora” e “Anna O.”.

As cenas de sessões com o analista alternam-se com representações dos registros mentais de Valkiria. Em suas narrativas, a figura da irmã confunde-se com a imagem da própria mãe, que sofria de esquizofrenia e com quem Valkiria teve uma relação distante. Refém de padrões adquiridos na infância, ela sente necessidade de prestar contas à irmã e de parecer perfeita a seus olhos, ao mesmo tempo que nutre vários ressentimentos por ela. “Dr. Goldstein (Marcos Breda) a conduz no processo de aprender a enxergar essa relação de codependência com 'olhos de adulta'”, diz a atriz Yásmin Gazal, que vive a irmã da protagonista.

“Li casos clínicos e roteiros que envolviam conceitos da psicanálise. Inspirei-me na psicanalista Melanie Klein para compor a terapeuta que Valkiria teve na infância e em Freud para criar o psicanalista que ela encontrou quando adulta”, diz a roteirista Cláudia Süssekind, autora do texto, revisado pelo psicanalista Waldemar Zusman. O caso Valkiria R. retrata, em pouco mais de uma hora, várias facetas do processo analítico. Ao reviver e elaborar simbolicamente suas lembranças e afetos, a protagonista estabelece com seu analista o fenômeno clínico que Freud chamou de transferência. “O tratamento mostra que somos responsáveis por nossa vida. Como escreveu Freud, 'chega uma hora em que se deve renunciar a todos os pais e ficar de pé sozinho'”, diz Cláudia.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/peca_de_teatro_baseada_em_caso_clinico.html

A resistência herdada.

Aptidão para superar desafios tem contribuição genética.



Especialistas ressaltam que ser resiliente não é negar o sofrimento e a decepção, emendando um relacionamento amoroso em outro, por exemplo, sem viver o luto da separação –, pois isso pode trazer outros problemas como repetição de padrões destrutivos e aparecimento de sintomas físicos. Pessoas resilientes entram em contato com a frustração, mas não permanecem na bipolaridade do “tudo ou nada”, buscam reparações sem perder a essência da experiência vivida. Ou seja: aceitam o aprendizado e a frustração mas não se prendem à limitação, procuram possibilidades.

Grandes vencedores – como o ciclista Lance Armstrong, que se recuperou de um câncer de testículo e venceu o circuito da França sete vezes – são psiquicamente mais capazes de suportar dificuldades. A novidade é que essa habilidade necessária para lutar contra doenças graves, recuperar-se de desilusão amorosa, vencer nos esportes, ser aprovado no vestibular ou em uma entrevista de emprego pode, em grande parte, ser herdada. É o que sugere um estudo desenvolvido pelo pesquisador Tony Vernon, da Universidade de Western Ontário, no Canadá, que trabalhou com 219 pares de gêmeos. Os voluntários preencheram questionários para que o pesquisador investigasse as contribuições genéticas e ambientais de quatro fatores associados à resistência mental: controle sobre a própria vida; comprometimento com projetos pessoais; confiança; disposição para encarar desafios. Vernon concluiu que 52% da variável “resistência mental” é hereditária.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/a_resistencia_herdada.html

Menor preocupação na ida ao dentista.

Conversa com profissional antes da extração de “dentes do siso” pode atenuar ansiedade e percepção de dor.



As ciências médicas evoluíram. Anestésicos, instrumentos esterilizados e vários recursos tecnológicos eram luxos impensáveis para quem precisava tratar problemas dentários há algumas décadas. Apesar dos avanços, a ida ao dentista ainda provoca arrepios em muita gente – metade dos adultos não enfrenta com tranquilidade o tratamento dentário e 10% da população sofre de medo descontrolado, denominado odontofobia.

Uma das situações que muitos consideram desconfortável e até mesmo traumática é a extração dos terceiros molares, popularmente conhecidos como “dentes do siso”, que não têm utilidade na mastigação e costumam causar dores de cabeça quando começam a se desenvolver, por volta dos 18 anos de idade. Não raro a operação é postergada até que surjam infecções na boca ou o crescimento dos molares comprometa a conformação da arcada dental. No entanto, a ansiedade e a percepção de dor podem ser atenuadas com uma única consulta psicológica antes da extração. É o que mostra uma pesquisa conduzida pela psicóloga Juliana Zanatta, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), com 123 pessoas atendidas na instituição.

Parte dos pacientes assistiu a vídeos que informavam sobre o procedimento e o pós-operatório e pôde tirar dúvidas e falar de seus receios. Todos os voluntários tiveram sua pressão e freqüência cardíaca medidas antes e depois da operação e responderam a questionários que avaliavam seu estado emocional e suas expectativas sobre a cirurgia. Como resultado, o grupo que recebeu a consulta mostrou menos dor e ansiedade. Juliana sugere que uma simples conversa entre cirurgião e paciente antes da intervenção pode reduzir em muito o desconforto. “É uma forma de tornar o procedimento mais seguro para os dois lados. Os níveis de ansiedade costumam ser altos e, em alguns casos, chegam a comprometer o atendimento odontológico”, diz a pesquisadora.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/psicologia.html

Enxaqueca pode explicar dificuldade de aprender.

Dores de cabeça estão associadas a problemas de concentração.



Mais de 60 milhões de brasileiros sofrem de dores de cabeça com frequência – cerca de 2 milhões deles são crianças ou adolescentes, segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe). Um dos tipos mais comuns da dor, a enxaqueca – sensação de pressão no crânio acompanhada de náuseas e de aversão à luz e ao barulho –, considerada por muitos uma “doença de adultos”, pode prejudicar o desempenho escolar e interferir no diagnóstico de transtornos de aprendizagem, como mostra um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) concluído em novembro do ano passado.

A neurologista Thaís Villa e a psicóloga Andrea Moutran, do Setor de Investigação e Tratamento das Cefaleias (SITC), avaliaram as funções cognitivas, como capacidade de concentração e de memorização, de 60 crianças de 8 a 12 anos, metade delas diagnosticada com enxaqueca. Por meio de testes aplicados individualmente, ao longo de dois anos e a cada dois meses, as pesquisadoras constataram que as que tinham crises de cefaleia se revelaram mais dispersas e com dificuldade de processar e reter informações.

Na infância, as crises de enxaqueca se manifestam em episódios curtos, de cerca de duas horas. Elas costumam aparecer por volta dos 5 anos e não raro são motivo de faltas à escola. “O que não significa que as dores persistirão ao longo da vida – elas desaparecem espontaneamente até o final da adolescência em mais de 40% dos casos”, diz Thaís. Os resultados mostram que o diagnóstico de transtornos de aprendizagem deve levar em conta se a criança sofre de enxaqueca ou de outro tipo de cefaleia, o que pode direcionar as intervenções.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/enxaqueca_pode_explicar_dificuldade_de_aprender.html